terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CRISTIANISMO E SOCIALISMO

A relação CRISTIANISMO – SOCIALISMO em três pensadores distintos, Carl Marx (Trier, 1818 - Londres, 1883), Ernst Bloch ((Ludwigshafen, 1885 - Tubinga, 1977), Noubarus Gerson (Estrela do Norte, 1953 – )

É comum as pessoas viverem certas crenças e terem certas concepções de mundo como se não houvesse nada mais além; no entanto quando se deparam com visões diferentes começam a repensar e a colocar em dúvida o que antes achavam era o limite último. E muitos, de espírito livre, abraçam a novidade, outros nem tanto. Mas será através daqueles que abraçaram a novidade que o novo vai se estabelecer, e a humanidade-conhecimento darão um novo salto de qualidade.

Vamos agora abordar a relação CRISTIANISMO – SOCIALISMO, muito conflituosa e causas de discórdia e paixões acaloradas, em três pensadores distintos, Carl Marx, Ernst Bloch e Noubarus Gerson. A visão que os três apresentam desta relação por certo que não é a mesma.

Carl Marx (Trier, 1818 - Londres, 1883).

Como Marx apresentou a relação CRISTIANISMO – SOCIALISMO? Ora, fazendo leitura no Materialismo Histórico então se vê ali que a luta entre proprietários e não proprietários, na mediação do econômico, são substratos e a base de toda evolução histórico-social. Infra - estrutura, que sustenta e conduz todo o seu devir.

E que lugar ocupa o Cristianismo neste devir da História? Uma posição periférica, pertencente e sendo classificado como fenômeno da superestrutura. Como as religiões primitivas, animismo, totemismo, politeísmo, que sempre foram ligadas umbilicalmente aos poderes estabelecidos, o Cristianismo também não fugiu à regra. Mesmo que em certos momentos de sua existência conheceu independência em relação aos poderes políticos estabelecidos (quem interessou por este período de independência foi Engels; Marx passou ao largo, pois tal não ajudava na sua construção teórica), todavia logo se encaminhou para ser braço espiritual posto a serviço dos poderes estabelecidos. Ao longo de sua longa história. A tal ponto que a luta do socialismo do século XIX e XX teve pela frente também a resistência dos vários ramos do Cristianismo, todos eles tendo se colocado ao lado das forças políticas, econômicas e militares em luta contra os revolucionários marxistas.

Ernst Bloch (Ludwigshafen, 1885 -Tubinga, 1977).

Ora, se a relação CRISTIANISMO – SOCIALISMO foi vista assim por Marx, como foi por Ernst Bloch, como Marx também de família judia?

Quem foi Ernst Bloch? Tratou-se de um dos luminares da Escola de Frankfurt, quiçá o marxista que mais teve simpatia pelo Cristianismo. Como Bloch apresentou a relação CRISTIANISMO – SOCIALISMO? Já em bases inteiramente novas, ou seja: o Cristianismo foi apresentado por ele como “sonho de juventude” (*1) do socialismo.

Para Ernst Bloch o socialismo não foi outra coisa senão que no amadurecimento dos tempos históricos o Cristianismo foi fecundado de ciência. Pondo ciência no Cristianismo então temos o Socialismo; tirando do Socialismo a ciência o que resta é o Cristianismo.

Noubarus Gerson (Estrela do Norte, 1953 – )

Se a relação CRISTIANISMO – SOCIALISMO já é bem diferente em Ernst Bloch, agora se revelará avassaladoramente diferente em Noubarus Gerson.

É verdade, ele tanto rejeita a visão de Marx sobre esta relação em questão como a de Ernst Bloch. Se o Cristianismo pertence à categoria de superestrutura, como aparece em Marx, ora, uma vez que estas categorias de superestruturas são dependentes da infra-estrutura, o seu viver depende do seu viver, e esta infra-estrutura tende ao desaparecimento, isto significa dizer que o futuro do Cristianismo era desaparecer junto. Também tendo de desaparecer em Ernst Bloch, pois o socialismo não é outra coisa senão que aquele corpo se converteu neste.

Então, como é a sua relação em Noubarus Gerson? De termos complementares! O Cristianismo não é superestrutura da infra-estrutura e não é sonho de juventude do socialismo, mas é termo complementar. O Socialismo não é uma construção substantivada, como é a crença de todos, mas construção adjetivada.

O que é isso? Que a idéia de Socialismo, enquanto substantivo desenvolve-se em três sucessivos momentos, socialismo espiritual (**2), socialismo material (***3) e Socialismo (****4). Pois é, o Cristianismo é este socialismo espiritual, o socialismo é este socialismo material, e quanto ao socialismo substantivado é ainda uma construção teórica, para ser materializado na História. Quando for construído na realidade é que surgirá, então, o reino da liberdade concreta, em que cada um tem segundo as suas necessidades.

Porque ter segundo as suas necessidades só o econômico não basta; é necessária, também, certa espiritualidade, amiúde encontrada no Cristianismo. Destarte, uma sociedade em que se vive tendo segundo as suas necessidades, os impulsos de sua sustentação partem e são recebidos pelo coração, e não pelo estômago.

O MATERIALISMO HISTÓRICO (Carl Marx): Comuna Primitiva – escravatura – feudalismo – asiatismo – capitalismo – SOCIALISMOCOMUNISMO.

O ESPIRITUALISMO HISTÓRICO (W. Schmidt): Monoteísmo Primitivo – animismo – totemismo – fetichismo – politeísmo – JUDAÍSMOCRISTIANISMO. (*****5)

Em Noubarus Gerson o Materialismo Histórico deva ser visto como o “Testículo da História”. Há um processo dialético que vai construir e elaborar o espermatozóide. E quando se achar maduro será estimulado e liberado, tomando o rumo das Trompas de Falópio para ali se encontrar com o óvulo, elaborado no ovário e quando maduro então liberado, para o encontro que vai produzir e gerar a vida.

Assim, se o Materialismo Histórico é este “Testículo da História”, o Espiritualismo Histórico, por sua vez, é o “Ovário da História”. No seu ventre construíram gametas, masculino e feminino respectivamente, que um dia iriam ser unidos em um só corpo, gerando então a vida.

Se Cristianismo e Socialismo têm raiz comum, como tem raízes comum óvulo e espermatozóide (ou se entende de uma visão metafísica ou não se entende de modo algum, porque são estruturas que se encaixam, logicamente que feitas para se encaixar, todavia tendo nascimentos em corpos distintos), porque os cristãos não selaram a sua união com o Socialismo, ficando de fora, sendo atiçados e inflados para se engajarem na luta contra a sua construção?

Ora, não se engajaram na luta para a construção do Socialismo porque este chegou a eles nesta relação apresentada por Marx. E aderir à sua luta nos termos desta relação não tinha como fazer deles cidadãos de primeira classe senão cidadãos marginalizados. Não tinham garantia alguma de seu futuro no socialismo. A rigor, acreditavam que mesmo tendo contribuído para o triunfo da luta socialista, dado a natureza intrínseca do Marxismo, o passo seguinte é que os revolucionários agora os novos detentores do poder iriam cuidar em remover deles a sua fé religiosa.

Sendo termos complementares, porque os marxistas, também, não fizeram adesão ao Cristianismo? Porque o Cristianismo chegou a ele como possuindo o valor de superestrutura, e tomaram a história da Cristandade, feita de sangue, suor e lágrima – dos outros! – como prova irrefutável deste juízo condenatório.

Mas, eis que agora, no advento de Gerson, tudo vai mudar. Os muros de separação estão sendo derrubados, rente ao chão, pela ciência. Cristãos e marxistas, com uma luz na sua frente a alumiar o caminho (Isaías 42.13-17) se encaminham para a reconciliação, sim, para se reconhecer osso do mesmo osso e carne da mesma carne. Quando aqueles que circulam os seus seres na corrente sanguínea do Materialismo Histórico passar a fazê-los circular também na corrente sanguínea do Espiritualismo Histórico, tendo o mesmo juízo de valor para os fenômenos religiosos e políticos, tratando-os com isonomia intelectual; sim, quando aqueles que circulam os seus seres na corrente sanguínea do Espiritualismo Histórico passar a fazê-los circular também na corrente sanguínea do Materialismo Histórico, tendo o mesmo juízo de valor para os fenômenos políticos e religiosos, tratando-os com isonomia intelectual, então Cristianismo e Socialismo são um só na palma da mão da Humanidade, como foram um só na palma da mão da Divindade que rompeu as entranhas da transcendência e no-los deu para ajudar-nos na nossa caminhada na eternidade (E havia dois raios saindo de sua mão, e ali se escondia a sua força, Habacuque 3.4).

Deveras, Marx e Paulo, que estiveram de costas na vida de cristãos e marxistas, agora passam a estar de frente, olhando um no olho do outro, já sabendo que da sua união é que vai nascer um novo mundo, buscado e chamado pelos cristãos e marxistas de Reino de Deus e de Comunismo respectivamente (******6)

De tudo o que foi falado então se descobriu que tanto a visão de Marx como a de Ernst Bloch sobre a relação Cristianismo-Socialismo estavam fundadas na subjetividade e não tinham nenhum fundo de verdade, que agora está sendo trazida por Noubarus Gerson? Que isto nunca aconteça!

Tanto a visão de Marx como a de Ernst Bloch, bem como a trazida por Noubarus Gerson, deva ser vistas como momentos de um mesmo e único processo; que se desenvolve no plano da relatividade, não, porém, de uma relatividade subjetiva, mas, sim, de uma relatividade objetiva (*******7).

Marx

O pensamento de Marx trata-se do movimento do Absoluto adentrando a sua existência histórica enquanto ser adolescente. Fora ser infante quando a História, no seu movimento real, se achava e transitava pela sua fase teológico-espiritualista; mas agora que ela deixou para trás esta existência, que teve fim ao final da Idade Média, e entrou na nova existência antropológico-materialista, que teve início com e a partir da Renascença, ora, eis que então as condições começaram a ser preparadas para a manifestação adolescente do Absoluto.

Por ser a antítese, a verdade é que o ser adolescente se manifesta em negação ao ser infante. Ele vai negar, e re-negar, todo o seu passado infante. Contudo, este negar é condição necessária para que o ser firme e construa a sua nova identidade, que se solidificará na medida inversa da negação do seu momento anterior, bem assim como acontece com o fruto que vai se formando na razão inversa do desaparecimento da flor. Apesar desta manifestação se dar como negação, o psicologismo do ser é constituído de tal forma que ele entende como superação. Ele não está negando, que é estar construindo a outra face do mesmo fenômeno, mas está superando. Quer dizer, ele não está superando, mas negando. Mas não tem consciência da superação senão da negação. E isto é de suma necessidade, pois se tem a consciência da negação então iria entender a si mesmo como a metade de um ser que se manifesta para completar a outra metade deste mesmo ser. Mas isto não se adéqua ao processo da formação do ser, que segue o curso da lógica dialético- hegeliana da tese, antítese e síntese, as partes sendo concebida separadamente e sem consciência do processo-outra, para só então, na chegada do terceiro momento da síntese, então o sujeito reconhecer que é a soma exata dos dois momentos anteriores. Destarte, essa sensação de superação é necessária e é o que de fato irá ajudar o ser na construção desta sua nova identidade, embora adolescente nem isto reconhecer, pela qual irá se reconhecer e como tal ser reconhecido pelas manifestações que ocupam e dividem os espaços histórico-espaciais.

E outra positividade a ser destacada nessa visão de Marx sobre a relação Cristianismo – Socialismo é referente ao cumprimento da Profecia e da Escatologia. Sem essa visão de Marx não tem como se cumprir. É a condição única do seu cumprimento, como o calvário de Jesus foi condição única para o cumprimento de Isaías 53.

Profecia. Ora, encontramos no livro do profeta Isaías, capítulo 65, a descrição do aparecimento na cena histórica de uma nação paradoxal: diferente de todas as nações esta nação paradoxal não invocaria o nome de Deus, não dobraria seu joelho diante de Deus, todavia seria esta nação que traria os frutos do Reino. E no livro de Mateus, no verso 43 do capítulo 21, encontramos Jesus fazendo uso destas palavras proféticas de Isaías e se dirigindo aos sacerdotes dos seus dias e lhes dizendo que o reino de Deus lhes seria tirado e dado a uma nação que produziria seus frutos. Mais na frente, capítulo 25 verso 40 do mesmo livro de Mateus, encontramos a descrição do diálogo do Justo Juiz com este povo paradoxal, logicamente que tal se dando no desenlace escatológico, dois mil anos depois.

Bem, quem seria esta nação que segundo Isaías e Jesus produziriam os frutos do Reino? Teria sido a nação socialista? Afinal, fazendo uso do silogismo aristotélico, não obstante a sua simplicidade, todavia portador dos fundamentos da ciência que revela e propaga a Verdade, a sua dedução conduz unicamente para a nação socialista.

Esta nação é mesmo a nação socialista? Então se explica o sentido dado por Marx para a relação Cristianismo-Socialismo. Ao Marx suprimir e tornar desnecessário o Cristianismo e toda a sua gênese era neste momento que estava sendo formada e construída esta nação de que falou Isaías e Jesus. O que deixa claro a presença do Divino na gênese da formação do Marxismo. Pois quê, tanto em Isaías como em Jesus, esta nação trazia em oculto Deus ou Deus a formava em oculto (********8).

Escatologia. O cumprimento escatológico se dá em dois momentos distintos e complementares, o Dia da Ira de Javé, segundo o vaticinado pelo profeta Sofonias, e o Dia da Graça de Javé, segundo o vaticinado pelo profeta Isaías. Este Dia da Ira de Javé tem como fundamento tipológico a destruição de Judá por parte de Nabucodonozor e dos caldeus; E este Dia da Graça de Javé tem como fundamento tipológico a conquista de Babilônia por parte de Ciro e o retorno dos cativos à Judá. Ora, como a ação de Nabucodonozor e de Ciro foram partes de um único e mesmo processo, o castigo sob Nabucodonozor foi condição para que os rebeldes e renitentes de Judá passassem a dar ouvido às Palavras de Deus pelos seus profetas, ora, isto quer dizer que a ação revolucionária se daria em dois momentos distintos, mas complementares: um que reviveria as ações de Nabucodonozor contra Judá (*********9) e outro que reviveria as ações de Ciro contra Babilônia (**********10). De modo que a violência revolucionária não seria gratuita, mas necessária: a condição para que num segundo momento o conjunto dos homens pudesse aceitar a via do socialismo com alegria e não mais medo no coração.

Bem, o que seria mesmo este Dia da Ira de Javé segundo o vaticinado pelo profeta Sofonias? Este escatológico Dia da Ira de Javé seria que num preciso e determinado tempo histórico a ira divina alcançaria os sacerdotes, todos os sacerdotes, os filhos do rei, e o rei, e os príncipes, e os que usavam vestuário estrangeiro, burguesia, e os que pesavam a prata, comerciantes, e os poderosos, de modo que nem a sua prata e nem o seu ouro os iria livrar da ira de Javé. E uma vez que entendemos de forma inequívoca ser a Cristandade o antítipo de Judá, ora, para que Deus a tratasse da mesma forma que tratou Judá, com um novo Nabucodonozor, fez-se necessário o juízo negativo de Marx sobre o histórico Cristianismo. Era neste juízo negativo de Marx sobre o histórico Cristianismo e tudo que lhe diz respeito que Deus estava criando a força material com a qual iria derramar a sua ira escatológica, naqueles que pelas suas ações se tornaram merecedores.

Assim, pois, mais uma vez, temos razão de sobra para afirmar o caráter divino do Marxismo, que se até aqui não foi reconhecido, não obstante a sinalização dos profetas de Deus, que vicejaram na Teologia da Revolução e na Teologia da Libertação, em anúncios, mas também em ações, é porque o espírito que estava nos proeminentes de Judá estava também na Cristandade, nos seus sacerdotes, nos seus príncipes, nos seus reis, nos seus juízes, nos seus donos de propriedades, nos seus poderosos.

Ernst Bloch

No que diz respeito ao juízo de Ernst Bloch, já se encaminhando para a apreensão do seu númeno, da sua Verdade, o mesmo deva ser visto como já mudança no Absoluto. Em Marx ele estabeleceu a Antítese, o seu momento adolescente, e, então, com a Escola de Frankfurt, principiou ao momento terceiro da síntese. Começou, pois, todo um processo para a reconciliação, da essência do Marxismo, a sua materialidade, com a essência do Cristianismo, a sua espiritualidade. De modo que o juízo de Ernst Bloch sobre a relação Cristianismo – Socialismo já reflete este novo momento do Absoluto, de aproximação.

Noubarus Gerson

E no que diz respeito a Noubarus Gerson tudo o que concebe já é o resultado do Absoluto ter reconciliado em si os dois momentos anteriores; tê-los postos a girar em harmonia um em torno do outro, na mediação de um centro que tem nome: Jesus de Nazaré, que, por humildade e reconhecimento, do ventre teológico e do ventre antropológico como distintos e ponto de partida (do “Ovário” da História e do “Testículo” da História), divide os espaços com Che Guevara a flor mais pura elaborada no ventre antropológico da História. Paz e Graça.

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Profeta do Senhor e a Irmã Nen~e

Ora, havia em Euclides da Cunha uma mulher por nome Cezaltina, conhecida como irmã Nen~e

E toda vez que Adamir Gerson no seu trabalho de fotógrafo ia a Euclides da Cunha, sua cidade, Pontal do Paranapanema, sempre ia a sua casa. E ali, enquanto conversava com o seu esposo ou tirava fotos de suas filhas, ela enchia a mesa de café, leite e pão. E Adamir Gerson comia gostoso.

E o que sucede é que no final do ano de 1992, Adamir Gerson se achando na sua igreja, no Bongiovani, ao término do culto o irmão que atendia, o Ancião Ciro, foi e pediu para a irmandade que orassem pela esposa do Cooperador de Euclides da Cunha, que estava muito enferma e que só Deus para pôr a mão. Apesar de que o Ancião não especificara a doença, pelo Espírito veio saber que se tratava de câncer.

E o profeta ficou muito abatido. E ele ficou mais abatido ainda quando veio na sua mente o caso do irmão Bosco, um irmão forte, de uns 40 anos, que ao lhe aparecer um câncer os médicos não lhe deram mais do que três meses; e realmente não passou dos três meses, e hoje anda com o Senhor na sua glória.

Indo para sua casa abatido, ao dormir fez uma curta oração. E na curta oração fez um voto pela vida da irmã Nen~e, dizendo para o seu Deus que se ele livrasse a irmã Nen~e daquela horrível doença e um dia ele pudesse sentar naquela mesma mesa e ver ela cheia de café, pão e leite, postos pelas mãos da irmã Nen~e, então ele iria até Euclides da Cunha e se levantaria naquela Igreja, e perante aquela irmandade pagaria o voto que fizera.

No meio da semana ele desceu para Euclides da Cunha, que dista 170 quilômetros de Presidente Prudente, mas 730 de São Paulo. Chegando a Euclides da Cunha, foi até a casa da irmã Nen~e, para visitar-lhe. Chegando a sua casa encontrou o seu esposo sentado na mesa. E após se saudarem com ósculo santo, os dois foram conversar.

E o irmão Norival foi relatar para o profeta as dores que sobreveio à sua casa, dizendo que aparecera na sua esposa umas fortes dores e que ao levá-la em Primavera, os médicos constataram que se tratava de câncer em estado avançadíssimo. E após puxar um mapa feito pelos próprios médicos, o irmão Norival, através dele, foi relatar o que ocorrera.

Ora, no mapa os médicos desenharam todo o corpo duma pessoa, os intestinos, os rins, o estômago, os pulmões, o coração, e no lugar onde o câncer tinha tomado, fizeram riscos fortes, para assinalar, de modo que os riscos fortes estavam por toda parte.

E, apontando para os riscos fortes, o irmão Norival foi e disse para o profeta: "Está vendo, irmão? O câncer dela tomou todos os orgãos do corpo." E o profeta quis saber o que foi que os médicos fizeram, além dos riscos. E ele foi e respondeu, dizendo: "Fizeram nela todos os exames necessários, e após constatarem nela câncer maligno a levaram para a mesa de operação, a abrindo de baixo a cima. Mas, ´prosseguiu`, assim que a abriram e viram com os próprios olhos o estado calamitoso dos orgãos, a costuraram novamente e ma devolveram, dizendo eles que não podiam fazer nada pela vida da Nen~e pois se a fossem operar iria ficar só o cumbuco, pois o câncer apodrecera tudo por dentro. Então fizeram nela uma colostomia e mandaram-na para casa, me advertindo que o estado dela iria piorar cada vez mais, até o momento em que entraria em convulsão para morrer." (Ora, os médicos fizeram um gráfico justamente para mostrar-lhe de um modo claro a impossibilidade de operá-la, pois se o fizessem simplesmente a matariam, pois seriam forçados a tirar pedaços de todos os orgãos afetados. Então fecharam-na e deram para a sua esposa apenas dez dias de vida).

Pois bem, após estas explicações, o profeta se levantou e foi até o quarto onde estava a irmã Nen~e. E a encontrou sendo cuidada com zelo extremado por duas irmãs, a irmã Izaltina e outra irmã. E após olhar para ela não mais que um minuto, voltou novamente para a sala da cozinha, onde estava o irmão Norival. Ao se despedir dele, levando uma cópia do gráfico feita pelos médicos de Primavera que irmão Norival lhe dera, o profeta se espantou diante de tanta fé, pois, apesar do estado de sua espôsa, parecia que não estava nem um pouco abalado, dizendo mesmo para o profeta que tinha absoluta certeza que Deus iria libertar a sua esposa. E o profeta retornou para sua casa, esperando ouvir dela qualquer notícia.

Ora, porque os médicos garantiram que o seu estado iria avançar para pior, até o momento fatal, isto realmente veio a acontecer com a irmã Nen~e. Sabendo que seu estado era crítico, seus parentes começaram a chegar, ela que era uma mulher nova, de uns quarenta anos ou menos, quem sabe uns trinta e seis anos. E aconteceu, porém, que uma das suas parentes, vindo e olhando para a irmã Nen~e, foi e disse que a doença da irmã Nen~e não era câncer, pois dizia que os cancerosos sentem muita dor e a irmã Nen~e até aquele momento não tinha sentido nenhuma dor, senão a dor que sentiu no dia que foi para o hospital. Pra que ela falar assim! Mal fechou a boca a irmã Nen~e foi acometida de fortes dores e aquela dor terrível que acomete os cancerosos passou a tomar conta de todo o corpo dela (depois que Deus a libertara, ela foi lembrar para o profeta da dor terrível que passou a sentir, tão terrível que o profeta via no seu rosto um trauma estampado só em lembrar).

E o que é interessante, e até parece coisa de cinema (mas não o é e aquele que conta é aquele que não mente; além, também, de toda a cidade de Euclides da Cunha ter acompanhado passo a passo o drama da irmã Nen~e, pois é muita querida na cidade, de modo que estão ali, não só ela, mas toda a cidade como testemunho), sim, o que é interessante foi que assim que aquela sua parenta duvidou da sua doença ser câncer, pela ausência da dor, chegou uma outra e fez uma outra observação, dizendo que a doença da irmã Nen~e não podia ser câncer, pois os cancerosos perdem o cabelo e a irmã Nen~e não tinha perdido nem mesmo um fio do seu cabelo de modo que estavam todos no lugar (na verdade não é o câncer em si que faz perder o cabelo, mas quem o faz são as aplicações, e o cabelo da irmã Nen~e não caíra porque não fizera aplicações, posto que para que a irmã Nen~e fizesse aplicações seria necessário que tivesse dores, o que até aquele momento não sentira). Pra que aquela outra parenta ter dito: Mas a Nen~e não tem câncer porque os seus cabelos não caíram... Pra que! Já no outro dia, a irmã Izaltina, conforme ela mesma contou, ao penteá-la o pente veio com um tufo de cabelo. E foi caindo, caindo, e quando aconteceu do profeta a ir visitar na sua casa, já completamente libertada, ainda se achava careca, embora os primeiros tocos de cabelo já tivessem despontado, de modo que sua cabeça era como a cabeça do Dunga, zagueiro da Seleção, ela que tinha um cabelo comprido.

Pois bem, o que acontece é que a hora fatal, predita pelos médicos de Primavera, realmente chegou para a irmã Nen~e. A sua doença foi evoluindo, evoluindo, a dor cada vez mais aumentando, o cabelo cada vez ficando mais ralo, até que uma manhã, a irmã Izaltina, segundo o que ela mesma contou para o profeta, se deparou com um quadro aterrador. O seu tumor crescera tanto que a irmã Nen~e ficou literalmente com três seios no corpo. Sentindo, pois, que tinha chegado a sua hora, a colocaram depressa numa ambulância e a levaram para a Santa Casa de Presidente Prudente. Chegando a Prudente, um médico tendo-lhe dito que iriam fazer nela aplicações, para aliviar a dor, então ela foi e disse: "Mas isto cura a minha doença, Doutor?" E ele tendo dito que não curava, mas que iria aliviar bastante a dor, então ela foi e disse: "Eu fico muito agradecida, mas podem me levar para casa." Após receitarem para ela alguns remédios, mandaram-na de volta para Euclides da Cunha. Todavia, pediram que a trouxessem dali a quinze dias, para examiná-la novamente, embora soubessem que seu estado era irreversível.

Entrementes, já no outro dia as irmãs que cuidavam dela tiveram uma surpresa. O tumor, no lugar de explodir, como pareceu ser o seu desenlace natural, o que sucede é que elas constataram que tinha diminuído de tamanho. E foi diminuindo, diminuindo, e quando a levaram para Presidente Prudente no tempo estipulado, para novos exames, o seu tumor no lado visível tinha desaparecido. Ao fazerem todos os exames, os médicos constataram, surpresos, que a irmã Nen~e não tinha mais nenhuma enfermidade pelo corpo; os exames, inclusive lidos pelo profeta, apontaram para todos os seus orgãos como estando sãos. A única coisa que os médicos fizeram foi preparar os papéis e a mandar para o hospital de Primavera, para que a operassem para retornar o intestino no lugar, por causa da colostomia que eles mesmos tinham feito.

Todavia, quando aquele mesmo médico, que fizera nela todos os exames e a abrira de baixo a cima e depois fechara, por considerar um quadro clínico aparentemente morto, sim, tal médico colocou dúvida nos exames feitos em Presidente Prudente. Por via das dúvidas, como a iria operar para restabelecer o intestino, por causa da colostomia, disse para ela que só iria aceitar o resultado de Presidente Prudente quando visse novamente todos aqueles orgãos que os vira podres com os próprios olhos. Mas, irmã Nen~e, apesar do espírito forte também é carne, a verdade é que ela ficou muita amedrontada com aquele médico e não foi fazer com ele a operação, mas foi fazê-la em Presidente Prudente, na Santa Casa. E quando se recuperava em um de seus quartos, o Ancião Ciro, o mesmo que anunciara e pedira oração para ela naquele dia, anunciou na igreja do Bongiovani que Deus tinha feito uma grande obra na casa do irmão Norival, e que tinha libertado a sua esposa e que ela estava se recuperando em quarto tal da Santa Casa. E o profeta ouvindo, foi visitá-la, encontrando-a bem, alegre.

Cerca de um mês depois, no dia 13 de março do ano de 1993, estando em Teodoro Sampaio, participando duma reunião da mocidade, encontrou com Maria, filha da irmã Nen~e, que alegre lhe comunicou que a sua mãe estava completamente curada e que já estava fazendo todos os serviços da casa.

Mas o profeta parece que se esqueceu do voto que fizera naquele dia pela vida da irmã Nen~e.

De modo que foi tocado pelo Espírito, que começou a instar contra ele e a lançar na sua face o voto que fizera naquele dia quando ouvira na igreja do Bongiovani sobre o estado de saúde da esposa do Cooperador de Euclides da Cunha (porque o profeta já fazia 12 anos que pertencia àquela igreja e nunca se levantara para pagar qualquer voto ou para contar qualquer testemunho, nem grande e nem pequeno, de modo que era tímido e não gostava de conversar. Estava, pois, se esquivando e protelando aquilo que fizera com o coração em chamas). Por fim o próprio Deus deu a ele forças e ele tomou o seu ajudador Benedito e os dois, após entrarem no seu Passat ano 75, desceram para Euclides da Cunha.

Chegando a Euclides da Cunha, os dois foram direto para a casa da irmã Nen~e. Ao sentar à mesa, logo ela começou a se encher de café, leite e bolachas, trazidos pelas mãos da irmã Nen~e. E na medida em que as mãos da irmã Nen~e a iam enchendo, Deus foi fazendo o profeta se lembrar daquele dia em que fizera o voto, de modo que o seu espírito foi ficando abrasado. E a irmã Nen~e, após se sentar, foi relatar para o profeta e o seu ajudador tudo o que passara, como ficara doente e como Deus, pelas suas infinitas misericórdias, a libertara. Também foi relatar que em todos os cultos chegavam irmãos de fora, tanto das cidades da redondeza de Presidente Prudente como até do norte do Paraná, testemunhando e pagando votos que fizeram pela vida da irmã Nen~e. E sucedeu, então, à noite, no culto, que na hora do Testemunho, o profeta se levantou para dar o seu testemunho e pagar o voto que fizera pela vida da irmã Nen~e, o seu primeiro e único testemunho e único voto que fizera durante os doze anos em que permaneceu oficialmente na Congregação Cristã no Brasil. (Segundo o ajudador do profeta, que permaneceu no banco, o escutando, ele gastou entre dez e quinze minutos no seu testemunho).

Ora, quando os dois entraram no seu Passat branco e foram para Euclides da Cunha, com a intenção de pagar o voto, o Espírito disse que iria enviar um sinal, para distinguir de todos os demais sinais; e este sinal, para onde quer que fosse o mesmo teria de acompanhá-lo, de modo que pudesse dizer para os humildes: "Isto vos faz crer?" Pois bem, o culto na Congregação Cristã no Brasil se desenvolve da seguinte maneira: primeiro canta-se três hinos; depois faz a oração inicial; torna-se novamente a cantar um hino; depois vem a hora do Testemunho; canta-se novamente um hino; vem a hora da Palavra; novamente faz-se a oração final, que é de agradecimento por tudo o que Deus fez naquele culto e naquele dia na vida da irmandade; e por fim canta-se o hino de despedida. No que diz respeito às orações, elas se dão da seguinte maneira: todos se ajoelham e uns ficam em silêncio e outros dando glória a Deus. Por fim um se levanta com a oração e os demais se silenciam. Normalmente até um minuto alguém se levanta com a oração. Numa Igreja, como a de Euclides da Cunha, com mais de cem irmãos, é quase impossível passar dos três minutos sem que um irmão ou uma irmã se levante com a oração. Pois bem, nesse dia em que o profeta deu o seu testemunho e pagou o voto que fizera pela vida da irmã Nen~e, na hora da oração final ninguém se levantava com a oração. Os minutos foram passando, três, cinco, e só por volta dos sete minutos é que então uma voz feminina se levantou com a oração de agradecimento. Era a voz da irmã Nen~e...

Ora, essa irmã Nen~e, pouco tempo antes de ter descoberto estava com câncer, se achando na Congregação então na hora da Palavra o irmão que lia e exortava a Palavra acabou por dizer, inspirado, que tinha alguém na igreja naquela noite que Deus iria recolher. E no mesmo instante a irmã Nen~e sentiu que ele falara com a sua casa.

Chegando a casa, então irmã Nen~e começou a dizer para o seu esposo e para a irmandade que a Palavra falara com a sua casa, e que Deus iria recolher o seu filho Paulinho, um jovem músico de cerca de dezesseis anos.

E irmã Nen~e começou a preparar as coisas do Paulinho e colocá-las separadas. E porque a irmandade vinha e dizia: Mas, irmã Nen~e, tira isto da cabeça, então ela dizia: Mas eu senti no momento que a Palavra falou com a minha casa. E estou pronta para aceitar a vontade de Deus.

E sucedeu, naqueles dias mesmos, quando irmã Nen~e separava as coisas do Paulinho e ficava olhando para elas, o dia inteiro, todo o momento, então vieram lhe contar que o seu filho fora encontrado morto na piscina do clube onde trabalhava. E hoje uma das escolas de Euclides da Cunha leva o seu nome, E.E. 2º Grau Paulo Coelho.

Ora, cerca de um ano depois em que foi na igreja de Euclides da Cunha e pagou o voto que fizera pela vida da irmã Nen~e, se achando na igreja do Bongiovani, então o Ancião Ciro, o mesmo que no final de 92 dera a notícia de que a irmã Nen~e fora desenganada pelos médicos, deu a notícia de que a esposa do Cooperador de Euclides da Cunha se achava internado no Hospital São Luis, inclusive que declinado o número do quarto.

No outro dia, uma segunda-feira, então Adamir Gerson foi ao Hospital São Luis visitar e saber o que estava se dando com a irmã Nen~e. E conversando, contou irmã Nen~e que de repente começou a sentir dores em todos os lugares onde os médicos constataram a existência do câncer. Amedrontada, achando que fora o câncer que voltara, então foi para Presidente Prudente fazer exames. E o que os médicos descobriram é aterrador, e mostra o descaso que é a saúde pública no Brasil. Contou irmã Nen~e que no dia em que os médicos de Primavera a abriram de baixo a cima para a operação, mas depois, ao constatarem a impossibilidade de operá-la, pois teriam de retirar quase tudo e só ia ficar o cumbuco, fechando novamente o corte aberto e a mandando para morrer em casa, ora, ao costurarem o corte feito usaram um barbante destes que é usado para fechar saco de algodão, conforme a própria irmã Nen~e contou. E cerca de um ano depois, onde tinha o barbante, tudo infeccionou. Mas a irmã Nen~e disse que os médicos já tinham retirado o barbante, e que ela estava bem, apenas se recuperando.

Esclarecimento

Foi relatado o caso da irmã Nen~e, mulher evangélica da igreja Congregação Cristã no Brasil e moradora na cidade de Euclides da Cunha, interior do estado de São Paulo.

E a razão de tudo que foi narrado pode perfeitamente ter sido esta: Adamir Gerson teve o seu encontro teofânico no ano de 78, ocasião em que foi informado pelo Alto que a partir de então a terra iria conhecer novamente o domínio total e absoluto de Deus, quando então todas as coisas iriam ser feitas novas. E no ano de 81 saiu pela primeira vez para tornar público o que Deus tinha então passado a lhe revelar a partir daquele ano de 78.

Entrementes não encontrava pela frente quem cresse nele; que aquilo que portava, recebia de Deus e de nenhum homem e, mais ainda, era aquilo que iria inaugurar o começo do período milenial. Ninguém acreditava que ele fosse profeta.

E a razão que as pessoas não acreditavam nele é que a sua missão era intelectual, e as pessoas só reconhecem profetas caso o mesmo opere algum milagre, alguma coisa sobrenatural, assim como creram em Elias como profeta de Deus porque o mesmo se deitara sobre o menino e o mesmo reviveu.

Foi então que naquele ano de 92 Adamir Gerson, já se sentindo cansado e crendo seria impossível as pessoas crerem nele como profeta, embora o fosse, independentemente do julgamento das pessoas, então clamou ao seu Deus que operasse por intermédio dele algum milagre, para que pudesse ir até as pessoas com ele e as pessoas então crerem que realmente era um profeta de Deus. E quase que de imediato então ouviu o Ancião Ciro anunciar que a irmã Nen~e estava com uma terrível doença, inclusive que fora desenganada dos médicos. E de imediato Adamir Gerson fez o voto pela sua vida, todavia não pensando jamais em qualquer recompensa, senão que era uma pessoa que o tratara bem nas vezes em que foi em sua casa. E foi só depois de tudo passado que então lhe veio na memória que havia pedido a Deus que fizesse um ato sobrenatural para que fosse com ele até as pessoas, e as pessoas em poder de Deus pudessem então reconhecer que realmente estavam diante de um profeta. O seu relato é fidedigno, e toda Euclides da Cunha está ali para confirmá-lo. Pena que a irmã Nen~e não está mais entre nós para também o confirmar, pois doze anos depois que Adamir Gerson e seu ajudador desceram à Euclides da Cunha, então Deus a recolheu. Uma mulher ainda jovem, cerca de cinqüenta anos. Escute quem tem ouvidos, isto é, quem tem o Espírito!

sábado, 6 de novembro de 2010

O Quinto Império e a Questão do Retorno de D. Sebastião

O Quinto Império e a Questão do Retorno de D. Sebastião

Sabemos que a idéia do Quinto Império tem origem portuguesa. Primeiro se manifestou através do sapateiro e poeta Bandarra, de origem judaica, que em suas trovas diz que o calvário o confiou a Portugal; depois a sua lusitanidade ganhou formas e contornos claros em Padre Vieira, tendo sido exponencialmente clarificado todas as suas potencialidades em Fernando Pessoa. Basicamente a idéia jorrou em Bandarra a partir da leitura do livro de Daniel e chegou a tal, o Quinto Império, a partir da interpretação que Daniel deu ao sonho do rei Nabucodonozor sobre a grande estátua, e uma vez que Daniel interpretou as diferentes partes da estátua como uma sequência de quatro impérios mundiais, ao final dos quais então iria se manifestar um império diferente, negação absoluta de todos eles, esmiuçando-os na representação da estátua e tirando deles o domínio, Padre Vieira e Fernando Pessoa, movidos por sentimentos messiânicos e nacionalistas, não tiveram dúvida em associar o Quinto Império a Portugal e anunciar o porvir de glória que aguardava a pátria lusitana.

Mas este Quinto Império em essência e origem é distinto em Padre Vieira e em Fernando Pessoa. A concordância dos dois se acha apenas no mito do sebastianismo, mesmo assim D. Sebastião portando uma messianidade espiritualizada em Fernando Pessoa que não se observa tanto assim em Padre Viera. Dom Sebastião em Padre Vieira está mais para Moisés, que voltou para restaurar a liberdade de um povo, ao passo que em Fernando Pessoa mais para Jesus, que voltará para resgatar a liberdade da humanidade, estabelecendo a quintessência do ser, todavia na sua íntima ligação com Portugal.

Como padre Vieira desenvolveu toda a sua idéia de Quinto Império? Colocou na sua base, começo e meio o fundamento material. Partiu de impérios materiais, e trouxe o resultado de império material. O Quinto Império na forma seria idêntico aos impérios predecessores, não sendo, porém, quanto ao conteúdo, messiânico por excelência. Destarte, a partir dos impérios mundiais de Babilônia, de Pérsia, de Macedônia e de Roma, então iria surgir o Quinto Império conduzido por Portugal. Se na sucessão de Nabucodonozor, e de Ciro, e de Péricles e de Cesar Augusto, então surgiu D. Sebastião, e era um mito messiânico de glorificação de Portugal, então para Padre Vieira este império português representava a coroação de toda esperança judaico-cristã.

Quão diferente foi o Quinto Império em Fernando Pessoa! Não concordando que ele tivesse base e início materiais, do contrário o Quinto Império teria sido a Inglaterra e não uma esperança futura de Portugal, Fernando Pessoa situou seu nascimento em bases completamente espirituais, e, por conseguinte espiritualizou a manifestação messiânica de Dom Sebastião. Destarte, no lugar de partir de Babilônia ou da Assíria, partiu da Grécia como o seu primeiro momento. Não da Grécia enquanto império, mas como pátria da cultura universal. Que teve desenvolvimento e sequência na cultura romana, em seguida no cristianismo, para, então, a partir do Renascimento, fazer morada nesta cultura que podemos chamá-la de Européia, já priorizando os valores antropológicos que de certa forma se acharam na sua base de nascimento, a Grécia antiga. É a partir deste caldo cultural que se manifesta o Quinto Império, sendo o domínio universal deste Dom Sebastião o encontro e reconciliação da beleza, da ética e da justiça universais. Um domínio universal espiritual, que iria colocar todos os cidadãos e todas as manifestações do império em comunhão uns com os outros.

Em Gerson

Se o Quinto Império foi assim em Padre Vieira e em Fernando Pessoa, quão diferente é em Gerson! Apresenta a sua gênese, meio e fim em bases inteiramente novas. O quinto império é na verdade o quinto momento da Redenção, essencialmente. A Redenção vem se desenvolvendo, criando uma força tal, que então chega o momento em que se lança contra o mundo, representado pela estátua, e arrebata de suas mãos o domínio, todo o domínio, e o mesmo é restabelecido nas mãos de Deus. De modo que nele se acha em um só feixe de ação tanto o material de Padre Vieira como o espiritual de Fernando Pessoa.

E estes momentos da Redenção são representativos dos momentos do espírito, toda a sua estrutura (*), que ao se desvelar, levantando por dentro a História, vai operando a Redenção nos seus momentos.

E a estrutura do Espírito é exatamente esta: moral, espiritual, intelectual, filosófica, profética e jesuânica. Cada uma destas fases do espírito corresponde a uma estação do ano. Assim que a fase moral corresponde ao inverno; a fase espiritual, à primavera; a fase intelectual, ao verão; a fase filosófica, ao outono; a fase profética, ao período da colheita (**); e a “fase” jesuânica, termo último da evolução e momento em que a Idéia Absoluta se encontra com o Espírito Absoluto, o momento do usufruto (***). O Quinto Império, toda a caminhada do Milênio, prepara o caminho e as condições para o Sexto Império, quando então a eternidade que se instalou entre nós, já em potência avançadíssima no Quinto Império.

O que seriam os momentos moral e espiritual, intimamente interligados, porque intimamente interligados estão o inverno e a primavera? O momento moral se achava de posse daqueles que pegaram em pedra para cumprir a lei na mulher pecadora, mas o momento espiritual naquele que escrevia no chão. O momento espiritual não suprime o momento moral senão que o supera e transcende-o, como a flor supera e transcende o botão. O momento moral por certo que sobrevive no momento espiritual, como a lagarta sobrevive na borboleta. O momento moral é sempre condição para o momento espiritual. Jesus não disse para a mulher: que pecado você cometeu? Nenhum, porque o corpo é vosso, é propriedade vossa, e deves prestar contas do que faz com ele unicamente a ti, como é propenso a dizer a modernidade. Não, mas disse e reconheceu que a mulher era pecadora. Mas porque, além da moralidade, também possuía a espiritualidade, no lugar de executar o corpo, executou o pecado, não por qualquer coação ou força física, mas unicamente pelas armas da espiritualidade, o amor, com o não peques mais surtindo um grande efeito em sua vida.

Ora, a terra no seu movimento ao redor do sol depois de na sua passagem produzir as fases do inverno e da primavera, e deixar o resultado das flores, então principia à produção do verão e do outono. É um novo tempo, em que o material toma o lugar do espiritual, se é que podemos entender o fruto como material e as flores como espiritual (e podemos, porque o fundamento da lei é o mesmo). A Redenção, que encarnara a libertação no plano espiritual, ao custo do sangue de muitos mártires, agora vai encarnar a libertação material. É o momento do Marxismo, que fazendo uma leitura científica da realidade sócio-material, tornando compreensíveis os mecanismos da opressão material, cria as condições para a ação da Revolução que vai principiar criar uma sociedade indo na direção do que se acha em Isaías 65.17-23 e na direção do cumprimento escatológico segundo o que se acha no profeta Sofonias.

Portanto os quatro impérios são estes: Judaísmo, Moisés; Cristianismo, Paulo; Marxismo, Marx; Revolução, Lênin. Porque a quinta etapa do Espírito, a profética, é por Excelência sintética, ao sintetizar e trazer para si todos estes momentos anteriores acaba por produzir uma avassaladora força, chamada pelo profeta Isaías de Esplêndida Superioridade de Javé; é esta força a “Pedra” do livro do profeta Daniel, que foi cortada do monte, sem o auxílio de mão (Isaías 63.5; Lucas 18.8), e arremessada contra a Estátua a esmiuçando e se espalhando para a terra inteira a enchendo como a um só monte. Destarte, este Quinto Império, por ser a junção em corpo único da espiritualidade que se formou nos dois primeiros impérios e da materialidade socialista, realiza realmente tanto as esperanças de Padre Vieira como de Fernando Pessoa.

O livro do profeta Zacarias, capítulo 6, trás as imagens de quatro carros vindos de entre dois montes. Uma vez que é dito que os quatro carros são quatro espíritos que vem do céu, e uma vez que é dito que os que vão para a terra do norte são os que fizeram o espírito de Javé descansar na terra do norte, sendo, portanto, extensivo aos demais, então é feito a pergunta: estes dois montes seriam as duas fases da História, a teológica, que findou no final da Idade Média e que corresponde ao inverno e primavera, e a antropológica, que nasceu com e a partir da Renascença e que corresponde ao verão e ao outono, e que obraram realmente quatro carros, o judaísmo-cristianismo e o marxismo-leninismo?

Os Mistérios da Profecia

O que teria levado Bandarra ao estar profetizando naturalmente o advento do reino de Deus, do governo de Cristo, a associá-lo a Portugal? Teria sido o Deus que não faz nada sem antes revelar aos seus escravos, os profetas? Afinal era esperança entre os judeus que o Quinto Império da profecia de Daniel, interpretação do sonho de Nucodonozor sobre a estátua representativa dos impérios mundiais, era esperado entre o povo judeu, mas, se seria um não judeu, como se acha em Isaías, não teria de haver um aviso da parte de Deus? Que o fez por intermédio de um poeta popular com forte suspeita de ser da descendência do povo judeu?

E Bandarra fez constar em suas trovas de cuja entranhas de Portugal viria o Quinto Império, confiado à nação lusitana pelo calvário, porque era nascido e vivia na nação portuguesa, ou na verdade há algo de mais profundo nisto, justificando então ser uma revelação e uma necessidade de revelação por parte de Deus, ou seja: que o Quinto Império estava sendo gestado no caldo cultural português e de nenhum outro povo? A miscegenação de raças, costumes e idéias a que levava a colonização portuguesa mundo afora, com o português se fundindo e se diluindo ao nativo, desde primórdios, ao contrário das demais colonizações que não perdiam parte de si, tudo isto era na verdade já o Quinto Império se gestando no seu ventre, como uma estrela é gestada no ventre de uma nuvem de poeira?

Quem seria a Ilha do Encoberto de Bandarra? Teria sido o Brasil, como muitos chegaram a afirmar? Quem teria sido ou seria o Encoberto, já que muitos o associaram com reis de Portugal, não, porém, Padre Vieira e Fernando Pessoa, que o viram unicamente na perspectiva bíblica?

No imaginário popular D. Sebastião não morreu, mais foi para a Ilha do Encoberto donde então iria voltar, restaurando as glórias de Portugal, que para Padre Vieira seria as glórias de Deus e para Fernando Pessoa as glórias da Humanidade: isto estaria na linha profética bíblica que mostra o advento do Messias em diferentes figuras, Moisés, Josué, Samuel, Davi, Salomão, Josias, Eliaquim, Zorobabel?

Gerson e D. Sebastião

Se o que levou Bandarra a conceber o Quinto Império em íntima conexão com Portugal na verdade foi necessidade de Deus, cujo Quinto Império não se manifestaria em terras de Israel ou entre judeus, mas fora, em terra estrangeira, entre estrangeiros, e como tal seria obra de Deus então fica a pergunta: uma vez que o significado do nome Gerson no hebraico quer dizer peregrinando em terra estrangeira ou nascendo em terra estrangeira (Êxodo 2.22), e uma vez que no momento do seu encontro teofânico o que ocorreu foi que a Divindade começou a construir nele o Quinto Império, teoricamente, e quando chegasse o tempo exato então seria a festa da sua construção, do seu início de construção, com os seus trabalhadores em grande festa?

Ora, sabemos que D. Sebastião foi um guerreiro que morreu jovem, em 1578, com pouco mais de 24 anos, e é de todo conhecido que Gerson teve o seu encontro teofânico no ano de 1978, então um jovem com quase vinte e cinco anos: era então que a Divindade se lembrava de Bandarra, de Padre Vieira, e em especial de Fernando Pessoa que tinha isto como certo? E o sobre-nome de Gerson, Soares de Melo, que é tipicamente português, é linha que também serve de análise para os interessados, de que nele ao menos no nome sobrevive ligação com Portugal?

A verdade é que se passaram trinta e três anos, desde aquele abril de 78, e tem chegado o momento de se começar em cima da terra a construção prática do Quinto Império. E todos os que querem ter a glória e a honra de deixar a sua marca na história, e a certeza da vida eterna, então que se apresentem, não, porém, os covardes e os que não têm fé, e os medrosos que temem a língua afiada daqueles que irão julgar as boas novas a partir dos dramáticos acontecimentos de Canudos, sim, estes terão outra destinação. Os que são de Araçatuba devem bater na porta da casa de número 1107 na Avenida Prestes Maia; ali estamos discutindo a Nova Teologia da Libertação, de cujo ventre brotará o Quinto Império. Os que são de Porto Alegre procurem Paula Ribeiro. Somos pouco, muito pouco, mas logo seremos o batalhão de cem da música Guerra dos Meninos, e logo seremos os seus milhões, invadindo ruas, campos e cidades e espalhando aos corações o Amor e a Justiça do Quinto Império. Foi isto o que viram Bandarra, Padre Vieira e Fernando Pessoa, até mesmo Fernão Lopes com a Sétima Idade, sem falar, é claro, da Ilha dos Amores de Camões? Foi isto o que viu o profeta Daniel e todos os profetas de Israel, todos os santos do Cristianismo?

“E nos dias daqueles reis o Deus o céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará jamais a outro povo. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos; pois viste que se cortou do monte uma pedra, sem mãos, e que ela esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o ouro.”

Daniel, ao estar falando do Quinto Império diz que ele é entregue ao povo que são os santos do Supremo (****). Quem são os santos do Supremo? Cristãos e socialistas, que o profeta Zacarias viu saindo de dois montes, Teológico e Antropológico, nos carros de Deus. E todo o borbulhar dialético da Nova Teologia da Libertação é para selar a sua união em corpo único, destes carros de Deus que estão saindo dos seus montes. Que se apresentem os escolhidos de Deus, como dos seus santos.

___________________

*Isaías 40.13

**Joel 3.13; Apocalipse 14.15

***Isaías 53.11; Apocalipse 22.1-2

****Daniel 7.27

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Quinto Império Universal

MARIA DE LOURDES PELICANO

Poetisa portuguesa contemporânea, escreveu em seu livro Arte e Transcendência vários poemas sobre o Quinto Império. Dentre eles, selecionamos um que fala diretamente sobre o Brasil.

De alma luso impregnado

O teu corpo e o teu ser

São o luso grandioso

Que Camões desejou ver.

Eis o Império por fazer!

Eis o direito e o esquerdo unos

Como pessoa o veio dizer.

Eis a poesia e a ciência

Juntas a acontecer

És o amor e a dádiva

És a alegria e a razão

És a riqueza e a beleza

És a terra doleite e do mel

Terra de Sta. Cruz –

A prometida e a fiel

És o mundo que há de vir

És tudo ainda por cumprir

E eis que o momento já vem!

Revolução do Amor

Liberdade última e final

Tu cumprirás o Quinto Império

MARIA DE LOURDES PELICANO

Poetisa portuguesa contemporânea, escreveu em seu livro Arte e Transcendência vários poemas sobre o Quinto Império. Dentre eles, selecionamos um que fala diretamente sobre o Brasil.

De alma luso impregnado

O teu corpo e o teu ser

São o luso grandioso

Que Camões desejou ver.

Eis o Império por fazer!

Eis o direito e o esquerdo unos

Como pessoa o veio dizer.

Eis a poesia e a ciência

Juntas a acontecer

És o amor e a dádiva

És a alegria e a razão

És a riqueza e a beleza

És a terra doleite e do mel

Terra de Sta. Cruz –

A prometida e a fiel

És o mundo que há de vir

És tudo ainda por cumprir

E eis que o momento já vem!

Revolução do Amor

Liberdade última e final

Tu cumprirás o Quinto Império

O Quinto Império

Como sabemos de Padre Vieira, no séuclo XVII,nasceu a crença e o mito messiânico do Quinto Império.

Partindo de base material, então concebe o Quinto Império como sendo o domínio universal de Portugal no mundo, depois de sucedido pelo domínio assírio, medo, persa e romano respectivamente, segundo uns, e Babilônia, Pérsia, Macedônia, Roma, segundo outros. Pouco importa.

Mas, conservando o mito messiânico, todavia o despindo de sua base e origem materiais (embora sabendo que a profecia de Daniel lhe confere autoridade), bem, para nós o Quinto Império deva ser uma manifestação espiritual, com base e início espíritual.

Podemos dizer mesmo que o Quinto Império é o resultado do movimento do calvário do Espírito hegeliano, a sua culminância ou quase culminância, porque o Quinto Império Espiritual ainda é preparação, para o Sexto Império Universal, termo e fim de toda a evolução do espírito.

O Primeiro Império Universal foi a Moral, que é o inverno da História; o Segundo Império Universal foi o Espiritual, que é a primavera da História; o Terceiro Império Universal foi o Intelectual, que é o verão da História; o Quarto Império Universal foi o Filosófico, que é o outono da História; e o Quinto Império Universal é o Profético (mas o Sexto Império Universal é o Jesuânico, termo e fim de tudo).

O estágio Moral foi o tempo do olho por olho e dente por dente. O tempo daqueles que pegaram em pedra para cumprir a lei na mulher pecadora. O estágio espiritual foi o tempo em que a liberdade jorrou, e a pecadora teve a oportunidade do arrependimento e de se fazer nova criatura. O estágio intelectual foi o tempo daquele que denunciou e descobriu os mecanismos da opressão de uns sobre outros. O estágio filosófico foi o tempo daquele que a partir das descobertas daquele baniu a exploração de uns sobre outros e construiu uma sociedade de partilha. E o Quinto Império Mundial, o Profético, é o tempo Daquele que derribou o altar dos profetas de Baal e levou o povo a uma santa e imaculada adoração.

A Humanidade passou já pelos quatro impérios e entre o dia 1º de Janeiro do ano de 2011 e o ano de 2012 ingressará no Quinto Império Universal.

É um novo tempo onde se faz novas todas as coisas. No lugar da consciência fragmentada, surge a consciência sintética, que vê sempre os dois lados da coisa e emite juízo somente após pesar na balança os dois lados da coisa. É o tempo do surgimento do “homem integral” de que falou Jacques Maritain. O fim da ideologia e do nascimento da ciência. Do surgimento da Nova Jerusalém, saindo dela águas vivas, metade delas para o mar oriental e metade delas para o mar ocidental... saciando de paz e de justiça e de alegria ao povo palestino... ao povo judeu... Com a sua paz, a sua justiça e a sua alegria alcançando e embebendo evangélicos e católicos... cristãos e socialistas... Ocidente e Oriente... Fé e Ciência... Brancos e Negros... Turcos e asiáticos... Trabalhadores e Proprietários... Com todos, na sua paz, na sua justiça e na sua alegria se pondo a construir o reino da liberdade concreta, em que cada um tem segundo a sua necessidade... Que é de Pão, mas também de Transcendência, como disse o Sábio que galgou os degraus do conhecimento e do sentimento e destes dois pilares, do seu alto, lhe foi mostrado, do outro lado, o lugar de descanso de todo o povo brasileiro e de todos os povos da terra.

E você, que se acha no estágio de espírito sintético, onde tudo é visto e ligado na mediação do amor, e não mais no estágio de espírito antitético, onde tudo é visto e separado na mediação do ódio, está sendo chamado a ingressar nas fileiras do Partido Cristão do Senhor, que o Senhor o está confiando a Gerson Soares de Melo, filho legítimo da descendência de Portugal, donde surgiu o mito messiânico do Quinto Império, e a Paula Ribeiro, dos pampas, com a sua visão de uma patria de gente de rosto feliz e que é feliz porque construída e alicerçada nos valores do Evangelho subindo do extremo sul do Rio Grande do Sul e alcançando e cobrindo com o seu manto todo o Brasil. É verdade, que o Senhor o confiou Aquele que ele mesmo chamou de O Meu Moisés e àquela que Ele mesmo chamou de A Minha Miriã, dando àquela que Ele mesmo chamou de Minha Miriã A Direção, mas àquele que Ele mesmo chamou de Meu Moisés, A Condução, porque este é o tempo de se entrar na arca, de dois em dois, a começar pelo feminino e o masculino, o alicerce sobre o qual se assentará a nova ordem, conforme visionada pelo profeta Isaías e voltada a ser contemplada pelo discípulo amado.

É verdade, mas está faltando à sua obra os seus Arão, os seus Josué, os seus Calebe. Está faltando até mesmo os seus Jetro, que ajudarão na organização de todo o povo, pois sem povo não se faz uma nação e sem organização não se faz um povo. E quando vós estender a sua mão e os seus talentos à obra do Senhor então é este o momento em que as algemas da cidade que em sentido espiritual se chama Sodoma e Egito (*), que crucificou ao Senhor, e ainda hoje o crucifica no choro e no sofrimento de uma mãe que vê o jovem filho entregue aos vícios e no choro e no sofrimento de um pai que vê a família passar necessidade e não pode fazer nada, sim, quando vós estender a sua mão e os seus talentos à obra do Senhor é este então o momento em que as algemas desta cidade perversa estão sendo quebradas, e a humanidade inteira saindo de seus fardos a ocupar as moradas eternas que foram preparadas pelo filho do carpinteiro. Ora vem Senhor Jesus e traga todos os seus, e faça de nós um grande partido, condutor de todos os filhos brasileiros para fora da corrução na direção do Incorruptível, do qual o PT do início da década de 80 foi apenas sombra. Vamos reviver aqueles sonhos que se perderam, e agora numa perspectiva muito mais ampla, muito mais rica, não só a vontade do povo católico daqueles dias, mas agora também a vontade e a força e a capacidade do povo evangélico, vontade esta, força esta e capacidade esta, que realmente construirão um Brasil e uma terra de gente de rosto feliz. Que é feliz porque se encontrou com o Doador da Vida.

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*Apocalipse 11.8