segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Marxismo e Cristianismo


Texto postado por Karl Marx na Comuna do Orkut Karl Marx - Brasil

Religião: Ópio do Povo?

Karl Marx - 27 minutos atrás
Marxismo e religião: ópio do povo?
A visão marxista da religião foi extremamente simplificada e identificada tipicamente com o refrão desgastado que é “o ópio dos povos.” Michael Lowy apresenta‑nos aqui, com maior detalhe, uma visão acerca do marxismo e da religião.
SERÁ AINDA A RELIGIÃO, tal como a viram Marx e Engels no século XIX, uma trincheira da reacção, obscurantismo e conservadorismo? Em larga medida, a resposta é afirmativa. O olhar deles aplica‑se a muitas instituições católicas, às correntes fundamentalistas das principais confissões religiosas (cristã, judaica ou muçulmana), à maioria dos grupos evangélicos e das novas seitas, algumas das quais ‑ como a conhecida Igreja Moon, não passam de engenhosas combinações de manipulações financeiras, lavagem ao cérebro e anti‑comunismo http://xn--fantico-jwa.No entanto, o aparecimento de um Cristianismo revolucionário e da Teologia da Libertação na América Latina abriu um novo capítulo histórico e levanta questões novas e empolgantes às quais não podemos dar resposta sem uma renovação da análise marxista da religião, o assunto deste artigo‑Partidários e adversários do marxismo parecem concordar num ponto: a célebre frase “a religião é o ópio do povo” representa a quinta‑essência da concepção marxista do fenómeno religioso. Ora, esta fórmula nada tem de especificamente marxista. Podemos encontrá‑la, antes de Marx, com algumas nuances, em Kant, Herder, Feuerbach, Bruno Bauer e muitos outros. Tomemos dois exemplos de autores próximos de Marx.
No seu livro sobre Ludwig Borne, de 1840, Heine refere‑se ao papel narcótico da religião de forma bastante positiva ‑ com uma certa dose de ironia: “Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança”. Moses Hess, nos seus ensaios publicados na Suíça, em 1843, adopta uma posição mais crítica ‑ mas não desprovida de ambiguidade: “A religião pode tornar suportável... a consciência lastimável da servidão... do mesmo modo que o ópio é uma grande ajuda nas doenças dolorosas”.
A expressão aparecia pouco depois num artigo de Marx “Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” (1844). Uma leitura atenta do parágrafo inteiro mostra que o seu pensamento é muito mais complexo do que aquilo que se pensa habitualmente. Realmente, rejeitando totalmente a religião, Marx não toma menos em conta o seu duplo carácter: “A angústia religiosa é ao mesmo tempo a expressão da verdadeira angústia e o protesto contra esta verdadeira angústia. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, tal como ela é o espírito de uma situação sem espiritualidade. Ela é o ópio do povo”.
Uma leitura do ensaio, no seu conjunto, mostra claramente que o ponto de vista de Marx, em 1844, deriva mais do neo‑hegelianismo de esquerda, que vê na religião a alienação da essência humana, do que da filosofia das Luzes, que a denúncia simplesmente como uma conspiração clerical (o “modelo egípcio”). De facto, quando Marx escreveu a passagem acima, era ainda um discípulo de Feuerbach, um neo‑hegeliano. A sua análise da religião era por conseguinte “pré‑marxista”, sem referência às classes sociais e sobretudo a‑histórica. Mas não era menos dialéctica, porque apreendia o carácter contraditório da “aflição” religiosa: por vezes, legitimação da sociedade existente, por vezes, protesto contra esta.
É apenas mais tarde, em particular na Ideologia alemã (1846), que o estudo propriamente marxista da religião, como realidade social e histórica, começou. O elemento central deste novo método de análise dos factos religiosos é considerá‑los ‑ juntamente com o direito, a moral, a metafísica, as ideias políticas, etc. ‑ como uma das múltiplas formas da ideologia ou seja da produção espiritual (geistige Produktion) de um povo, a produção de ideias, de representações e formas de consciência,  necessariamente condicionada pela produção material e pelas relações sociais correspondentes.                                                
Poder‑se‑ia resumir esta diligência por uma passagem “programática” que aparece num artigo redigido alguns anos mais tarde: “é claro que qualquer perturbação histórica das condições sociais provoca ao mesmo tempo a perturbação das concepções e das representações dos homens e por conseguinte das suas representações religiosas”. Este método de análise macro‑social terá uma influência duradoura sobre a sociologia das religiões, mesmo para além do movimento marxista.
A partir de 1846, Marx prestou apenas uma atenção desatenta à religião, em tanto que tal, como universo cultural/ideológico específico. Não se encontra praticamente na sua obra nenhum estudo mais desenvolvido de um fenómeno religioso qualquer. Convencido, como o afirma no artigo de 1844, que a crítica da religião se deve transformar em crítica deste vale de lágrimas e a crítica da teologia em crítica da política, parece desviar a sua atenção do domínio religioso.

Karl Marx - 32 minutos atrás
O contributo de Engels
Será talvez devido à sua educação pietista que Friedrich Engels mostrou um interesse bem mais sustentado que Marx para os fenómenos religiosos e o seu papel histórico – partilhando ao mesmo tempo, naturalmente, as opções decididamente materialistas e ateias do seu amigo. A sua principal contribuição para a sociologia marxista das religiões é sem dúvida a sua análise da relação entre as representações religiosas e as classes sociais. O cristianismo, por exemplo, não aparece nos seus escritos (como em Feuerbach) como “essência” a‑histórica, mas como uma forma cultural (“ideológica”) que se transforma durante a história e como um espaço simbólico, desafio de forças sociais antagónicas.
Graças ao seu método fundado na luta de classes, Engels compreendeu ‑ contrariamente aos filósofos das Luzes ‑ que o conflito entre materialismo e religião não se identifica sempre com aquele que existe entre revolução e reacção. Na Inglaterra, por exemplo, no século XVII, o materialismo na pessoa de Hobbes, defendeu a monarquia enquanto as seitas protestantes fizeram da religião a sua bandeira na luta revolucionária contra os Stuarts. Do mesmo modo, longe de conceber a Igreja como uma entidade social homogénea, ele esboça uma notável análise mostrando que em certas conjunturas históricas, ela se divide de acordo com as suas componentes de classe. É assim que, na época da Reforma, se tinha, por um lado, o alto clero ‑ cimeira feudal da hierarquia ‑ e do outro, o baixo clero, que fornece os ideólogos da Reforma e do movimento campesino revolucionário.
Continuando a ser ao mesmo tempo materialista, ateu e adversário irreconciliável da religião, Engels compreendia, como o jovem Marx, a dualidade de natureza deste fenómeno: o seu papel na legitimação da ordem estabelecida e, em determinadas circunstâncias sociais, o seu papel crítico, contestatário e mesmo revolucionário. Mais ainda, é este segundo aspecto que se encontrou no centro da maior parte dos seus estudos concretos. Com efeito, debruçou‑se primeiro sobre o cristianismo primitivo, religião dos pobres, excluídos, malditos, perseguidos e oprimidos. Os primeiros cristãos eram originários das últimas fileiras da sociedade: escravos, homens livres privados dos seus direitos e pequenos camponeses sobrecarregados de dívidas.
Engels chegou mesmo a estabelecer um paralelo surpreendente entre este cristianismo primitivo e o socialismo moderno. A diferença essencial entre os dois movimentos residia em que os cristãos primitivos empurravam a libertação para o além, enquanto o socialismo a colocava neste mundo. Mas esta diferença é também acentuada no que aparece à primeira vista? No seu estudo sobre um segundo grande movimento cristão ‑ a guerra dos camponeses na Alemanha – ela parece perder a sua clareza: Thomas Munzer, teólogo e líder dos camponeses revolucionários e plebeus heréticos do século XVI, queria o estabelecimento imediato do Reino de Deus, esse reino milenarista dos profetas, sobre a terra. De acordo com Engels, o Reino de Deus era para Munzer uma sociedade sem diferenças de classe, sem propriedade privada e sem autoridade do Estado independente ou estrangeiro para os membros dessa sociedade.
Pela sua análise dos fenómenos religiosos, face à luta das classes, Engels revelou o potencial contestatário da religião e abriu o caminho para uma nova abordagem das relações entre religião e sociedade, distinto ao mesmo tempo da filosofia das Luzes e do neo‑hegelianismo alemão.
A maior parte dos estudos marxistas da religião, escritos no séc. XX, limitou‑se a comentar ou a desenvolver as ideias esboçadas por Marx e Engels ou a aplicá‑las a uma realidade específica. São assim, por exemplo, os estudos históricos de Karl Kautsky sobre o cristianismo primitivo, as heresias medievais, Thomas More e Thomas Munzer.
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Karl Marx - 32 minutos atrás
Paraíso na terra ou nos céus?
No movimento operário europeu, eram muitos os marxistas radicalmente hostis em relação à religião, mas pensavam ao mesmo tempo que o combate do ateísmo contra a ideologia religiosa devia ser subordinado às necessidades concretas da luta de classes, que exige a unidade dos trabalhadores que crêem em Deus e dos que não crêem. O próprio Lenine ‑ que denunciava frequentemente a religião como “nevoeiro místico” ‑ insiste no seu artigo de 1905, “o socialismo e a religião” sobre o facto que o ateísmo não devia fazer parte do programa do partido porque “a unidade na luta realmente revolucionária da classe oprimida pela criação de um paraíso na terra é mais importante para nós do que a unidade da opinião proletária sobre o paraíso nos céus”.
Rosa Luxemburgo tinha a mesma opinião, mas elaborou uma diligência diferente e mais flexível. Embora ateia, ela atacou menos, nos seus escritos, a religião enquanto tal do que a política reaccionária da Igreja, em nome da tradição limpa desta. Num opúsculo de 1905, “a igreja e o socialismo”, afirmou que os socialistas modernos eram mais fiéis aos preceitos originais do cristianismo do que o clero conservador de hoje. Dado que os socialistas lutam por uma ordem social de igualdade, liberdade e fraternidade, os padres deveriam acolher favoravelmente o seu movimento, se quisessem honestamente aplicar na vida da humanidade o preceito cristão “amai o próximo, como a ti”.
Quando o clero apoia os ricos, que exploram e oprimem os pobres, ele está em contradição explícita com os ensinamentos cristãos: não serve Cristo, mas o dinheiro de um argentário. Os primeiros apóstolos do cristianismo eram comunistas apaixonados e os pais e primeiros doutores da Igreja (como Basílio, o Grande e João Crisóstomo) denunciavam a injustiça social. Hoje esta causa foi tomada em força pelo movimento socialista que traz aos pobres o Evangelho da fraternidade e da igualdade, apelando ao povo para estabelecer na terra o Reino da liberdade e do amor pelo próximo. Mais do que comprometer uma batalha filosófica, em nome do materialismo, Rosa Luxemburgo procura salvar a dimensão social da tradição cristã para a transmitir ao movimento operário.
Na Internacional comunista não se prestava muita atenção à religião. Um número significativo de cristãos juntou‑se ao movimento e o antigo pastor protestante suíço, Jules Humbert‑Droz, tornou‑se mesmo, nos anos 1920, um dos principais dirigentes do Komintern. Na época, a ideia mais espalhada nos marxistas era que um cristão que se tornasse socialista ou comunista abandonava necessariamente as suas crenças religiosas anteriores “anti‑científicas” e “idealistas”.
A maravilhosa peça de teatro de Bertold Brecht, Santa Joana dos Matadouros (1932), é um bom exemplo deste tipo de diligência simplista em relação à conversão dos cristãos para a luta pela emancipação proletária. Brecht descreve, com grande talento, o processo que conduz Joana, dirigente do exército de salvação, a descobrir a verdade sobre a exploração e a injustiça social, denunciando as suas antigas crenças, no momento de morrer. Mas, para ele, deve haver uma ruptura absoluta e total entre a sua antiga fé cristã e o seu novo credo da luta revolucionária. Exactamente antes de morrer, Joana diz aos seus amigos:
“Se por acaso alguém vier dizer baixinho, 
Que existe um Deus, invisível é verdade,
Do qual, portanto podeis esperar por socorro,
Batei‑lhe o crânio na pedra,
Até que ele rebente.”
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Karl Marx - 31 minutos atrás
A intuição de Rosa Luxemburgo, segundo a qual se podia lutar pelo socialismo em nome dos verdadeiros valores do cristianismo original, perdeu‑se neste tipo de perspectiva “materialista” grosseira ‑ e sobretudo intolerante. Efectivamente, alguns anos depois de Brecht ter escrito esta peça, apareceu em França, entre 1936 e 1938, um movimento de cristãos revolucionários que reunia vários milhares de militantes, que apoiavam activamente o movimento operário, em especial a sua ala mais radical (os socialistas de esquerda de Marceau Pivert). A sua palavra de ordem principal era: “Somos socialistas, porque somos cristãos”...
Entre os dirigentes e pensadores do movimento comunista, Gramsci é provavelmente aquele que manifestou o maior interesse pelas questões religiosas. É também um dos primeiros marxistas a procurar compreender o papel contemporâneo da Igreja católica e o peso da cultura religiosa nas massas populares. Estas observações sobre a religião, nos seus Cadernos de prisão são fragmentárias, não‑sistemáticas e alusivas, mas no entanto muito perspicazes. A sua crítica destapada e irónica das formas conservadoras da religião ‑ nomeadamente a versão jesuítica do catolicismo, que ele detestava alegremente ‑ não o impedia de perceber também a dimensão utópica das ideias religiosas.
Os estudos de Gramsci são ricos e estimulantes, mas em última análise, não inovam no seu método de apreender a religião. Ernst Bloch é o primeiro autor marxista a ter alterado este quadro teórico ‑ sem abandonar a perspectiva marxista e revolucionária. Numa diligência similar à de Engels, distingue duas correntes sociais opostas: por um lado, a religião teocrática das igrejas oficiais, ópio do povo, aparelho de mistificação ao serviço dos poderosos; do outro, a religião clandestina, subversiva e herética dos Cátaros, Hussitas, Joaquim de Flora, Thomas Munzer, Franz von Baader, Wilhelm Weitling e Leão Tolstoi.. Nas suas formas contestatárias e rebeldes, a religião é uma das modos mais significativos da consciência utópica, uma das mais ricas expressões do princípio da esperança e uma das mais poderosas representações imaginárias do ainda‑não‑existente.
Bloch, tal como o jovem Marx da famosa citação de 1844, reconhece evidentemente o duplo carácter do fenómeno religioso, o seu aspecto opressivo, ao mesmo tempo que o seu potencial de revolta. É necessário, para apreender o primeiro, a que ele chama “a corrente fria do marxismo”: a análise materialista impiedosa das ideologias, dos ídolos e dos idólatras. Para o segundo, em contrapartida, é “a corrente quente do marxismo” que lhe é aposta, procurando salvaguardar o excesso cultural utópico da religião, a sua força crítica e antecipadora. Para lá de qualquer “diálogo”, Bloch sonhava com uma verdadeira união entre Cristianismo e revolução como aconteceu nas Guerras Camponesas do século XVI.
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Karl Marx - 31 minutos atrás
Fé marxista e fé religiosa
As opiniões de Bloch eram partilhadas em certa medida por alguns intelectuais alemães da ala mais radical, que ficou conhecida como a Escola de Frankfurt. Max Horkheimer afirmava que a religião seria “o registo dos desejos, nostalgias e acusações de infinitas gerações”. Erich Fromm, no seu livro “Dogma de Cristo” (1930), usou o marxismo e a psicanálise para demonstrar a essência messiânica, plebeia, igualitária e anti‑autoritária do Cristianismo primitivo. E o escritor Walter Benjamin tentou combinar numa única síntese teologia e marxismo, messianismo judeu e materialismo histórico, luta de classes e redenção.
O trabalho “O Deus Escondido” (1955) de Lucien Goldmann é outra tentativa de abrir caminho na renovação dos estudos marxistas sobre a religião. Embora de inspiração diferente da de Bloch, ele estava igualmente interessado em resgatar os valores moral e humano da tradição religiosa. A parte mais original e surpreendente do seu livro é quando ele tenta comparar (sem no entanto assimilá‑los) a fé religiosa com a fé marxista: ambas partilham da recusa do individualismo (racional ou empírico) e a crença em valores trans‑individuais: Deus para a religião; a comunidade humana para o socialismo. Nos dois casos a fé assenta numa aposta ‑ a aposta na existência de Deus e a aposta marxista na libertação humana pressupõe o risco, o perigo de fracassar e a esperança do sucesso. Ambas implicam uma crença fundamental que não é demonstrável exclusivamente ao nível dos argumentos factuais.
O que as separa é certamente o caráter suprahistórico da transcendência religiosa: “A fé marxista é a fé no futuro histórico construído pelos próprios seres humanos, ou melhor, que devemos fazer, através da nossa actividade, uma “aposta”  no sucesso das nossas acções; a transcendência que é o objecto desta fé não é nem sobrenatural nem transhistórica, mas sim supra‑individual, nada mais e nada menos.” Sem querer de alguma maneira “cristianizar o marxismo”, Lucien Golmann introduziu, graças ao conceito de fé, um novo olhar para a relação conflitiva entre a crença religiosa e o ateísmo marxista.
Marx e Engels pensavam que o papel subversivo da religião era um fenómeno do passado, sem significado para a época da luta de classes moderna. Esta previsão revelou‑se exacta historicamente durante um século ‑ com algumas importantes excepções, nomeadamente em França, onde se conheceram os socialistas cristãos dos anos 1930, os padres operários dos anos 1940, a esquerda dos sindicatos cristãos (CFTC) nos anos 1950, etc. Mas, para compreender o que se passa, desde há trinta anos na América Latina ‑ a teologia da libertação, os cristãos pelo socialismo ‑ é necessário ter em conta as intuições de Bloch e Goldmann sobre o potencial utópico das tradições religiosas judaico‑cristãs.
O que infelizmente faz falta nestes debates marxistas “classicos” acerca da religião é a discussão das implicações da doutrina e práticas religiosas em relação às mulheres. O patriarcado, o tratamento discriminatório das mulheres e a negação dos direitos reprodutivos prevalecem nas principais correntes religiosas ‑ em particular no Judaísmo, Cristianismo e Islão ‑ e apresentamformas particularmente opressoras nas respectivas facções fundamentalistas. De facto, um dos critérios‑chave para avaliar o carácter progressivo ou regressivo dos movimentos religiosos é a sua atitude em relação às mulheres, e em especial ao seu direito de controlar os seus corpos: divórcio, contracepção ou aborto. Uma análise marxista renovada das religiões no século XXI obriga‑nos a colocar o tema dos direitos das mulheres no centro da análise.



 * Michael Löwy é membro da Liga Comunista Revolucionária (LCR) em França e director de pesquisa em sociologia no CNRS (National Center for Scientific Research) em Paris, é autor de muitos livros, entre os quais: “The Marxism of Che Guevara”, “Marxism and Liberation Theology”, “Fatherland or Mother Earth?” e “The War of Gods: Religion and Politics in Latin America”.
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P. Celestial Estrela do Norte - 5 minutos atrás
Karl Marx, bom, bom demais. Postagens assim preparam o caminho para o aparecimento do PAREPA, PArtido da REconstrução do PAraíso. A sua essência é uma convergência histórica de cristianismo e socialismo, de religião e política, de luta de classe e luta de Deus. Estamos no caminho certo... atestado pela postagem de Karl Marx envolvendo filósofos de peso, tanto os radicalmente materialistas como os ecléticos da Escola de Frankfurt. Isto está prestes a se converter em uma poderosa força material, arrastando para a sua compreensão as grandes massas.
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sábado, 22 de dezembro de 2012

21 de Dezembro do ano de 2012


21 DE DEZEMBRO DO ANO DE 2012

O imperceptível há de tornar-se perceptível, por aqueles que são limpos de mão e puros de coração, e aguardam ansiosamente o dia da revelação do Filho do homem

NASCIMENTO DO PAREPA, PArtido da REconstrução do PAraíso. Horário: 20:00 Horas

LOCAL: Igreja Evangélica Obras do Espírito Santo. Localização: Jardim Guanabara, cidade de Presidente Prudente, Estado de São Paulo, País Brasil, Hemisfério Sul, Continente Latino-Americano, Planeta Terra. 

PRESENÇA: Quatorze corpos-espíritos em busca de uma nova sociedade, livre de toda e qualquer opressão.

MODELO A SER SEGUIDO EM TODA A TERRA

TRÊS HINOS FORAM CANTADOS. 169 por Jonathan; 577 por Osvaldo; 187 por Agnaldo.

LEITURA DA PALAVRA POR SILVIO: Jó 2.7

Após a abertura dos trabalhos com uma oração, então Pastor Luiz Baldez faz uso da Palavra e por cerca de meia hora expressa a sua esperança e confiança na chegada de um novo tempo. Com tino diz que ficou difícil falar de política, tanto é a podridão no seu meio. Mas enfatiza que este Encontro que está acontecendo no espaço da Igreja Obras do Espírito Santo dirigida por ele é sobre outra e nova política, a Teocracia de Deus. Enfatiza que ao contrário da política feita pelos homens que é jogo de interesse, de puro interesse, a Teocracia de Deus se revela a verdadeira política, pois se resume ao serviço. Ao serviço em prol da sociedade, e com especificidade ao serviço com os necessitados. A Teocracia de Deus trás inquebrantável a ética, a moral, e o respeito a toda a diversidade de que se compõe a sociedade. Deus não é um particular, mas um universal. Deus é O Universal, assim como expressado por Mestre Ekhart, Hegel, Teilhard de Chardin e por Pietro Ubaldi.

Após meia hora com explanações que enfatizam a proximidade do Reino, e não economizando palavras que a organização é fundamental, é preciso criar a base sobre a qual se levantará todo o edifício do novo partido, entrelaçar e harmonizar as suas diferentes organizações de poder que trará a libertação, a libertação de modelos político-econômicos que se revelaram predadores, não só da natureza como do espírito, passa então a palavra para Adamir Gerson para que fale sobre a criação do Parepa neste dia de 21 de dezembro, que, como ele mesmo diz convicto de esperança, será um dia histórico.

Capítulo Primeiro

Adamir Gerson em tom de oração: Ao nosso Pai amado: sejas louvado hoje e eternamente. E se dirige aos presentes: “Saudações e agradecimentos a todos os irmãos que ouviram o chamado do Pastor Baldez e aqui se fizeram presente. Vamos pedir a Deus que nos dê uma noite abençoada e quando estivermos saindo daqui, para as nossas casas, que a nossa saída seja como a de Abraão do Egito, rico, riquíssimos, da graça de Deus e do conhecimento da sua santa e bendita Palavra”.

E prossegue com a palavra: “No final da década de 70 aconteceu no ABC paulista, mais precisamente que na cidade de São Bernardo do Campo, o pipocar das greves operárias. Os trabalhadores estavam sendo oprimidos pelo patronato e decidiram fazer a greve como forma de sua luta e de suas reivindicações. E realizavam as suas assembléias no estádio de Vila Euclides. Dezenas de milhares de trabalhadores se reuniam no Estádio de Vila Euclides para ouvir um desconhecido líder sindical, barbudo, com a voz rouca, chamado Luis Inácio, que mais tarde veio se tornar Presidente da República Federativa do Brasil.

“Mas surgiu a reação dos militares, da ditadura militar, e os trabalhadores foram impedidos de continuar no Estádio de Vila Euclides. Sem ter para onde ir então um frade que acompanhava todos aqueles acontecimentos com esperança, Frei Beto, indicou a igreja matriz de São Bernardo do Campo lugar em que continuariam com as suas assembléias de operários. De modo que foi por entre os bancos da igreja matriz de São Bernardo do Campo, na discussão de operários, que o então metalúrgico Lula nasceu como líder político.

“E aquele frade no meio deles, Frei Beto, homem de fé, profundo conhecedor das Escrituras, naqueles dias em que Lula nascia politicamente e naqueles dias de nascimento do PT não teve a menor dúvida de que aquelas gigantescas greves ocorridas no ABC paulista e que tiveram desfecho político na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo, transformando um líder operário em um líder político, tudo aquilo foi cumprimento de profecia. Para Frei Beto aqueles acontecimentos não foram outra coisa senão que a mulher gloriosa de Apocalipse 12 dera à luz ao seu filho varão com a missão de governar todas as nações com vara de ferro. A mulher gloriosa era a Igreja Matriz de São Bernardo do Campo e o filho varão era o operário iletrado Lula. Luta tinha um histórico de vida que fazia lembrar em muito a José do Egito, posto governante do Egito por Deus, e quem mais poderia ser o filho varão com a missão de governar as nações da terra senão Lula? Uma verdade: a reação da ditadura militar, tentando impedir aquele nascimento novo no Brasil, para Frei Beto não era outra coisa senão a reação do dragão, lutando para tragar o filho varão.

E Adamir Gerson prosseguia com a palavra, endereçando-a aos presentes: “Mas, façamos a pergunta: Apocalipse 12 se cumpriu realmente naquele final da década de 70 e início da década de 80, como creu Frei Beto? A Igreja Matriz de São Bernardo do Campo foi mesmo a mulher gloriosa de Apocalipse 12 e Lula o seu filho?

“As esperanças de Frei Beto não foram em vão. E aqueles acontecimentos operários que tiveram desfecho político na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo foi mesmo um parto divino; mas o que nascia naquele dia era Esaú. Aquele operário barbudo, nascendo politicamente numa igreja vermelha, a Teologia da Libertação, e sendo por ela posto nas fraldas vermelhas do Marxismo, o que se deu naqueles dias foi o nascimento de Esaú.

“Do Esaú que incapacitado de retirar do mato o alimento de sua sobrevivência, por indolência, preguiça ou lá o que for, barganhou o que tinha de mais sagrado, a primogenitura, por um prato de comida. Desprezou uma dádiva dada por Deus: ‘De que me vale a primogenitura se simplesmente estou morrendo de fome? De que nos vale a ética, de que nos vale a moral, se não temos o poder? Bradavam o Esaú Lula e PT. E assim trocaram a ética, a moral, o embasamento espiritual que fez muitos olharem para o PT e Lula naquele início da década de 80 com confiança no futuro, sim, trocaram a primogenitura, o que era primeiro, o alicerce de todo agir, pelo prato de lentilhas do poder, como costumava dizer Leonel Brizola.

“O PT se esvai... como se esvaiu Esaú... e o futuro que o aguarda, e está bem perto, já batendo às portas, é o choro amargo de Esaú por ter tido tudo e ficado sem nada...

“Mas, passado quase trinta e quatro anos, podemos dizer que não foi naqueles dias, mas é hoje, neste dia 21 de dezembro do ano de 2012, que a mulher gloriosa de Apocalipse 12 está dando à luz ao seu filho que há realmente de governar a terra com vara de ferro. Não foi o PT, como creu piamente Frei Beto, Leonardo Boff, e todos os teólogos ligados à Teologia da Libertação, de que o PT iria criar um Brasil e uma terra de gente de rosto feliz, mas é o PAREPA nascendo no dia de hoje. Aqui, numa igreja simples, freqüentada por pessoas simples, boa parte recuperada das drogas e do crime, como foi o testemunho do jovem Jefferson, que testemunhou faz dois meses o Evangelho o resgatou do crime no Estado do Paraná, e está se recuperando dos seus traumas, e do jovem Jonathan que disse faz quatro dias deixou a penitenciária de Caiuá, depois de se envolver com o crime do tráfico. Aqui não tem os holofotes que cercaram a igreja matriz de São Bernardo do Campo, com aquele nascimento sendo literalmente televisado para o Brasil e o mundo. Ninguém sabe de nada do que está acontecendo aqui nesta noite, aqui na igreja Obras do Espírito Santo, a não ser este grupo pequeno de pessoas e seguramente Deus, que está no nosso meio.

“E será este nascimento, e não aquele quem irá realmente criar um Brasil e uma terra de gente de rosto feliz. Porque ao contrário daquele nascimento, que nascia desligado do Alto, confiando no poder e na capacidade de homens, este nasce ligado à Transcendência, confiando, não no seu poder, mas no poder e na capacidade de Deus. É Deus, através de instrumentos de carne, quem irá construir um Brasil e uma terra de gente de rosto feliz. Fazer com que a terra inteira viva debaixo da graça e do amor de seu filho Jesus Cristo.

“E para finalizar quero dizer: Se o PT foi capaz de trocar ética e a moral pelo prato de lentilhas do poder, a ética e a moral serão os instrumentos com os quais o PAREPA construirá o poder. Resultando num poder limpo e transparente, que há de enxugar todas as lágrimas, as lágrimas do desempregado, as lágrimas dos lares destruídos, as lágrimas da mãe que no lugar de ver o filho na escola o vê numa penitenciária, as lágrimas da Terra que chora por causa da depredação que se faz contra os seus recursos naturais. E quando lá no pólo norte uma calota de gelo se derrete é uma lágrima que escorre por sua face...”

E Pastor Luiz Baldez retoma novamente a palavra. E ao estar mais uma vez falando da Teocracia de Deus, que o que o move a acreditar no PAREPA é que se trata de uma nova política, portadora dos valores do Reino, então Adamir Gerson abre a Bíblia no livro do Apocalipse e pede para o jovem Jefferson fazer a leitura do verso 15 ao verso 18 no capítulo 11. E após a leitura, Adamir Gerson retoma a palavra.

Capítulo Segundo

Estamos aqui a dizer que tem chegado o tempo do reinado de Cristo. A leitura da Palavra feita pelo irmão Jefferson não deixa nenhuma dúvida quanto ao governo de Cristo. Mas, é preciso esclarecimentos para que a chegada deste grande momento na história da humanidade seja compreendida em toda sua magnitude.

“No ano de 1823 o inglês John Acquila Brown publicou o livro The Even-Tide, que quer dizer A Noite. E ele fez constar no livro uma profecia que podemos dizer se cumpriu ao pé da letra. Tomando como ponto de partida a destruição de Jerusalém por Nabucodonozor, que datou no ano 604ª.c, e interpretando os sete tempos que aparecem no livro do profeta Daniel (1) como um período profético de 2520 anos, período profético que ele entendeu seria o tempo exato em que o trono de Deus permaneceria vago, sendo seu último rei Zedequias, ora, Brown concluiu simplesmente que no ano de 1917 Israel iria se manifestar no seu estado pleno. Literalmente que neste ano iria ser estabelecido novamente a Teocracia de Deus, agora sublimada. Literalmente o reino messiânico visionado por todos os profetas, em especial por Isaías.” E Adamir Gerson se dirige aos presentes e faz a pergunta: “Alguns dos irmãos que estão aqui nesta noite sabe responder o que de importante aconteceu no ano de 1917 ligado a profecia de Brown?” Dirige-se a um e a outro com a pergunta. E quando aponta para Carlos Batista, celestial de longa data, ele responde: “A revolução russa!”

“Sim, a revolução russa. A revolução russa foi o acontecimento que deu cumprimento cabal ao profetismo de John Acquila Brown. O governo que se estabeleceu na Rússia naquele final da década de 10 e início da década de 20, que expropriou a riqueza dos poderosos e os mandou embora, de mãos vazias, com os oprimidos se saciando plenamente, aquele governo encabeçado por Lênin foi sim o cumprimento da profecia constante no livro The Even-Tide.

“Mas, como tem muitos estudiosos da Palavra de Deus que conhecedores da profecia de John Acquila Brown reconhecem que ela realmente foi verdadeira; um vaticínio que se cumpriu realmente naquele ano de 1917, apenas que se toma outro acontecimento, a Declaração Balfour, documento assinado pelo chanceler inglês que outorgava de forma oficial o direito dos judeus retornarem ao antigo lar de seus antepassados e reconstruir ali para si um “Lar Nacional”, ora, qual dos dois acontecimentos seja o verdadeiro? A mente lógica irá dizer: se foi a Declaração Balfour não pode ter sido a revolução russa; e seu foi a revolução russa não pode ter sido a Declaração Balfour”.

E Adamir Gerson prossegue nos seus esclarecimentos, dizendo: “Realmente as mentes tem ficado confusas sobre estes dois acontecimentos frente à profecia de Brown. E posso dizer que tem chegado o tempo de tudo ser devidamente esclarecido. Ora, no dia 2 de novembro do ano de 1917 o chanceler britânico, Lorde Balfour, assinou a histórica Declaração, permitindo aos judeus retornar ao antigo lar de seus antepassados, deixando de ser peregrino entre as nações, de ser enxotados de governo a governo; e neste mesmo período doze líderes bolcheviques se reuniram e decidiram fazer a revolução, uma revolução que iria dar aos oprimidos um lar nacional, o socialismo, com eles deixando de peregrinar de emprego em emprego, de ser enxotado de patrão a patrão.

“O que foi isso?", pergunta Adamir Gerson aos presentes, e ele mesmo responde: “Foi que naquele final do ano de 1917 deu-se na terra o aparecimento do fruto do Reino. O que é um fruto? Ora, planta-se a semente; e ela morre para nascer uma arvore, e futuramente quando aparece o fruto junto com ele re-aparece também a sua respectiva semente. Isto explica porque o advento do socialismo na terra o mesmo foi gestado entre o povo judeu. Marx, Engels, Lênin, Trotsky, Kamenev, Zinoviev, eram judeus. Dos doze líderes bolcheviques que participaram do histórico encontro que decidiu a revolução sete deles eram judeus; e do órgão máximo da Revolução, Comissário do Povo, das 556 cadeiras 457 eram ocupadas por judeus.

“Mas, é preciso mais este esclarecimento: aquele governo, voltado para o socialismo, que se estabeleceu na Rússia naquele final da década de 10 e início da década de 20 foi mesmo o governo do Reino, mas pelo lado da lei. Ele reviveu Moisés, o judaísmo. Por isso a história do Lênin foi repetição puro e simples da história de Moisés. Mas, futuramente o governo do Reino iria reviver Jesus. Seria então um novo tempo, um novo socialismo a ser construído, não mais pelo poder do fuzil e da baioneta, mas agora pelo poder do Evangelho. Pelo poder da Palavra de Deus. Todos iriam compreender a real vontade de Deus, na alegria do espírito, se entregando a ela: a construção de uma terra em que todos são realmente iguais, se relacionando como irmãos, cada qual tendo segundo as suas necessidades. Transformando e convertendo, aos poucos e progressivamente, o reino da opressão iria se transformando em reino de Jesus Cristo.”

E concluiu Adamir Gerson: “Bem tem feito o Pastor Baldez ao falar que o que está nascendo nesta noite, aqui na Igreja Obras do Espírito Santo, é a Teocracia de Deus. Porque o socialismo foi realmente Teocracia de Deus. Quer queiram quer não, foi cumprimento da Palavra de Deus. Oculto, invisível a todos, a comunistas, a católicos, a evangélicos, a capitalistas, todavia o socialismo foi mesmo Teocracia de Deus. O início do reino messiânico davídico sobre a terra, a verdadeira visão que teve John Acquila Brown naquele ano de 1823. E hoje, dia 21 de dezembro do ano de 2012, aqui no espaço da Igreja Obras do Espírito Santo, a Teocracia de Deus está se revelando em nova figura de espírito, no lugar da Ditadura do Proletariado, a revivência da Lei, eis agora a Democracia de Jesus, a revivência da Graça; no lugar do Partido Comunista, que quis construir na terra o Paraíso sem Deus, eis agora o PAREPA, que há de construir o Paraíso sob domínio absoluto do Todo-Poderoso, numa íntima ligação com a Transcendência; entre céu e terra.”

E Pastor Luiz Baldez retoma a palavra, dizendo: “Irmão Gerson, não é bom pararmos? Muitas informações podem ter o efeito de confundir. Não é melhor passarmos a mensagem em sucessivas reuniões?” Adamir Gerson: “Sim. Vou apenas abordar mais um tópico que creio não pode ficar para trás fora deste dia”.

Capítulo Terceiro

De modo que Adamir Gerson prossegue, dizendo: “Na metade do século passado, com o aparecimento da Teologia Humanista, uma geração inteira de teólogos que se acordou para os graves problemas sociais e políticos da sociedade, a luta por transformações não podia ser atributo só do povo socialista, mas o povo cristão tinha também a obrigação de se inserir nela, a verdade é que não tardou e houve o confronto entre as duas concepções. De modo que os de mentalidade teológica afirmavam que a História possuía reducionismo teológico absoluto. A História era cristofinalizada. Mas os de mentalidade antropológica, vide o povo socialista, negavam por completo que a História pudesse ter reducionismo teológico absoluto e fosse cristofinalizada. Como nenhuma das partes conseguiu provar a sua tese, a questão foi protelada, jogada para o futuro. O futuro iria decidir quem, então, estava com a verdade.

“E a verdade é que estamos aqui para causar o desempate. E afirmar com embasamentos necessários que aqueles que defenderam que a História possuía reducionismo teológico absoluto e era cristofinalizada estiveram com a verdade. A História realmente possui reducionismo teológico absoluto e é mesmo cristofinalizada. Ela nasceu do Cristo e tende para o Cristo.

“A História vai de Paraíso a Paraíso. Todo o devir histórico não foi outro senão que o Paraíso estava sendo gestado no ventre da História. O retorno de Eva se deu com a religião cristã, e o retorno de Adão, com o socialismo. O que está acontecendo neste dia 21 de dezembro do ano de 2012 é tão somente que Adão e Eva estão principiando a se manifestar juntos, em um só corpo, um só espírito. Antes deste dia de 21 de dezembro podemos dizer a humanidade caminhou na noite escura da pré-história, em que o homem foi lobo do próprio homem, mas a partir de home, deste dia em diante, a humanidade estará caminhando na luz da História. Na libertação de Ciro aqueles receberam a missão de reconstruir Jerusalém, e hoje, na libertação do Ciro Maior, Jesus Cristo, presente aqui no meio de nós, eis que estamos recebendo a missão para reconstruir o Paraíso de Deus e introduzir nele uma humanidade que foi lavada, remida no sangue do Cordeiro, para que ocupe as moradas eternas que o filho do carpinteiro um disse as iria construir para os seus. Deus nosso Pai seja hoje e eternamente louvado!”


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Dia da Vitória


A Grande Caminhada (O Dia da Vitória)

"Menino Deus / Quando a flor do teu sexo / Abrir as pétalas para o universo / Então por um lapso se encontrará nexo / Ligando os breus dando sentido aos mundos / E aos corações, sentimentos profundos / De terna alegria no dia do Menino Deus", Caetano Veloso

Ora, no ano de 2003, 2004 Adamir Gerson se achava na igreja Obras do Espírito Santo. Fora ali levado por mãos angelicais para que falasse para o seu dirigente, pastor Luis Baldez, sobre as boas novas do Reino de Deus. Sobre a iminência do Casamento do Cordeiro sobre esta terra. (E a Palavra de Deus não voltou vazia neste coração, pois alguns anos depois, pastor Luis Baldez foi ouvido falando com alegria no coração de um novo socialismo... A partir das imagens do livro de Atos que mostra a comunidade de cristãos primitivos tendo todas as coisas em comum pastor Luiz Baldez sentiu no coração que o socialismo é sim parte dos planos de Deus)

E o que sucede é que por esses dias chegou à igreja uma jovem por nome Joseane, vinda da igreja Nova Jerusalém. E assim que tomou assento ela narrou um sonho que tivera naqueles dias. Narrou que vira em sonho uma grandíssima caminhada acontecendo no centro de Presidente Prudente. E a multidão caminhava no seu centro em direção ao Parque do Povo.

E ela narrando o sonho então contou que quando a multidão ia entrar no Parque do Povo, pela sua porta de entrada, eis que estavam ali uns clérigos parados. E eles conversavam entre si e se perguntavam: quem deu poder para estes fazerem isto? E a grande multidão entrou então no Parque do Povo e foi se postar diante de um grande palanque ali armado ocupado pelos ministros da Palavra de Deus.

Narrando o sonho, ela contou que a grande multidão que viu caminhando pelo centro de Presidente Prudente era composta de católicos e de evangélicos; mas os católicos eram maioria como ela mesma disse. E quanto aos ministros da Palavra de Deus que ocupavam o grande palanque eram padres católicos e pastores evangélicos; mas os pastores evangélicos eram maioria, como ela mesma disse narrando o sonho.

O que sucede é que assim que acabou de narrar o sonho pouco tempo depois retornou para a sua igreja, todavia deixando a intrigante pergunta: o que foi fazer naquele lugar onde estava o homem interessado? O homem que Deus já o vinha preparando desde o ano de 2001, desde os atentados terroristas nos Estados Unidos, para realizar tão grande caminhada? Por ventura que foi levado ali pelo Deus que não faz nada sem antes revelar aos seus escravos, os profetas, de modo que ele tinha no propósito do coração realizar uma grande caminhada escatológica, que seria sim introdutora da caminhada do Milênio, que marcaria o momento em que o reino do mundo começaria a se tornar em reino de nosso Senhor e do seu Cristo, como são as imagens de Apocalipse 11.15-18?

O que seria esta caminhada vista em sonho pela jovem Joseane? Por ventura que ela viu em sonho as duas linhas de vida que saem da mão de Jesus se encontrando e juntas atravessando o Jordão espiritual?

O que seria mesmo esta caminhada? Por ventura que no final do ano de 2012 ou mais tardar no ano de 2013 uma grandíssima caminhada, com as cores e a força da escatologia, aconteceria na cidade de Presidente Prudente, no exato lugar em que o homem de Deus teve o seu encontro teofânico naquele ano de 78 e no exato lugar onde a jovem Joseane viu em sonho acontecendo grande caminhada; quando, então, neste final de ano de 2012 ou no mais tardar 2013, para esta cidade do oeste paulista convergirão homens e mulheres que estão nas duas linhas de vida que saem da mão de Jesus? Que tanto pode ser o dia 23 de dezembro deste ano de 2012 como o dia 30 de maio do ano de 2013?

E eis que é o dia 23 de dezembro do ano de 2012... E eis que é o dia 30 de maio do ano de 2013... E uma multidão imensa, vinda de todas as partes do Brasil, de muitas partes da terra, está na cidade de Presidente Prudente, ocupando as suas avenidas, com os seus tambores, as suas bandeiras, e os seus cânticos. E de repente alguém grita, no meio da multidão: Eia lá vem! E todos esticam o pescoço para ver o que lá vem, e eis que todos avistam vindas as forças dos reis do nascente do sol (8) com a missão de começar em cima da terra o reinado de Jesus Cristo no lugar do reinado de homens, que trouxe proveito para poucos, mas lágrima, dor e sofrimento para a imensa maioria.

E lá vem. E na frente de todos eis que aparecem jovens empurrando uma grande roda e nela os dizeres: 2012: O TEMPO DO REINO! O TEMPO DOS MANSOS QUE JESUS DISSE HERDARIA A TERRA E A GOVERNARIA. No centro da grande roda, o número 2012, e em cima, circundando, os dizeres: O ANO DOS MANSOS QUE JESUS DISSE HERDARIA A TERRA E A GOVERNARIA, e embaixo, completando o círculo, os dizeres, OS TRABALHADORES (2012 porque foi no final do ano de 2012 que tudo começou a acontecer com militantes ligados à causa verde e ligados a Marina Silva se acordaram para o novo projeto e dele não abriram mais mão. De modo que tudo começou mesmo no mês de dezembro do ano de 2012).

E atrás seguem jovens em cima de uma caminhonete que veio do Pontal do Paranapanema levando três estandartes, os estandartes de Paulo e de Marx ladeando o estandarte de Jesus Cristo.

E quando a camionete passa levando os estandartes de Paulo, e de Jesus, e de Marx eis que logo atrás vêm jovens empurrando um carrinho; e em cima do carrinho um livro aberto com os dizeres, deste lado: EDUCAÇÃO, e do outro lado, EVANGELHO. E os jovens que empurram o carrinho são deste lado, um jovem evangélico, e daquele lado, um jovem católico, mas no meio deles um jovem socialista, com os três jovens seguindo pelas avenidas de Presidente Prudente empurrando o carrinho.

E quando os jovens passam empurrando o carrinho, eis que atrás deles vem um carro alegórico ocupando bom espaço da rua. E ao fundo se levanta uma grande réplica de Jerusalém se expandindo a partir do Muro das Lamentações. E deste lado de cá aparece em grande destaque a Mesquita de Omar com o ouro que cobre seu domo sendo visto em todo seu resplendor, beleza e grandeza sempiternos. E do lado de lá, em grande destaque, aparece a Sinagoga de Ramban. E entre a Mesquita de Omar com o Domo da Rocha prendendo as atenções e a Sinagoga de Ramban aparece, então, em grande destaque, a Basílica do Santo Sepulcro. Mesquita, Basílica e Sinagoga uma ao lado da outra. E no alto, encimando, em forma de arco que cobre toda a extensão, eis que se lê a inscrição: O TERCEIRO TEMPLO RECONSTRUÍDO. E em cima do carro alegórico seguem crianças palestinas, judias e cristãs em suas respectivas indumentárias, conversando entre si e cantando cânticos tradicionais e pertinentes, cristãos, palestinos e judeus. Todas cantam o mesmo cântico. E o maestro está junto a elas, as ajudando na harmonia de sua síntese.

E o carro alegórico, em toda a sua riqueza, segue pelas avenidas de Presidente Prudente. E eis que na sua frente segue três jovens montados cada qual em um cavalo branco. E levam ao ombro um grande estandarte que segue pelas avenidas da cidade girando em suas mãos. E o jovem do lado de cá, em indumentária palestina, e com o dorso do cavalo coberto do vermelho, do vermelho cetim, leva ao ombro um grande estandarte que girando em suas mãos então faz aparecer dum lado a figura de Esaú, mas do outro lado a figura de Yasser Arafat. Quanto ao jovem que vai do lado de lá, em indumentária hebraica, e com o dorso do cavalo coberto do branco, do branco cetim, ora, quando gira o estandarte em suas mãos eis que de um lado aparece a figura de Jacó, mas no outro lado a figura de Yitzhac Rabin. E os dois jovens, palestino e judeu, seguem pelas avenidas de Presidente Prudente ladeando um jovem cristão que segue pelas suas avenidas levando ao ombro um grande estandarte, que quando gira em suas mãos então dum lado aparece a figura de Isaque, mas do outro lado a figura de Jesus. E o dorso deste cavalo está coberto do rosa, do rosa cetim.

E o que sucede é que quando passa pelas suas avenidas a camionete que veio de Estrela do Norte trazendo os estandartes de Paulo, e de Jesus, e de Marx; passa os três jovens empurrando o carrinho que leva em cima um livro aberto com os dizeres EDUCAÇÃO e EVANGELHO, sim, o que sucede é que assim que acaba de passar o caminhão alegórico levando em cima crianças judias, palestinas e cristãs, então a multidão que os presenciara não se contém e exclama: Vede! É a Arca do Pacto! Do Pacto novo que Deus selou com seu filho Jesus! Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão? Ó Glória... Já não seremos mais explorados; nem material e nem espiritual, mas o Cordeiro que está no meio do trono nos pastoreará e nos guiará para as fontes de águas da vida. E ele enxugará de nossos olhos toda lágrima, e não teremos mais fome, e nem sede, e nem sol ou calor abrasador cairão mais sobre nós. Ô Glóóóóóóória!!!

E o grande exército de Deus, sim, há um povo numeroso e poderoso; semelhante a ele não se fez existir nenhum, desde o passado indefinido, e depois dele não haverá mais nenhum até os anos de geração após geração. Adiante dele um fogo devora e atrás dele uma chama consome. Adiante dele a terra está como o jardim do Éden; mas atrás dele é um deserto desolado, e também se mostrou que dela nada escapa.  Sua aparência é como a aparência de cavalos e correm como corcéis.  Saltitam como que com o ruído de carros nos cumes dos montes, como que com o ruído dum fogo chamejante que devora o restolho. É como um povo forte, posto em ordem de batalha. Por causa dele, povos terão dores agudas. Quanto a todas as faces, certamente ficarão coradas de excitação.  Correm como homens poderosos. Sobem a muralha como homens de guerra. E vão, cada um, nos seus próprios caminhos e não trocam de veredas. E não empurram um ao outro. Prosseguem andando assim como o varão vigoroso no seu rumo; e se alguns caírem mesmo entre os projéteis, os outros não interrompem o avanço. Investem para dentro da cidade. Correm sobre a muralha. Sobem às casas. Entram pelas janelas como o ladrão. Diante dele a terra ficou agitada, os céus tremeram.  Mesmo o sol e a lua ficaram escuros e as próprias estrelas recolheram a sua claridade. E o próprio Javé certamente fará ouvir a sua voz perante a sua força militar, pois o seu acampamento é muito numeroso. Pois, aquele que cumpre a sua palavra é forte; porque o dia de Javé é grande e muito atemorizante, e quem poderá resistir nele? Sim, e o grande exército de Deus, que o profeta Joel viu saindo para a sua ação, em toda a terra, partindo de um lugar, segue pelas avenidas de Presidente Prudente arrebatando e extasiando a grande multidão. Que bate no peito e diz: eu militarei nele! Serei um dos seus soldados valorosos, investindo para dentro da cidade, correndo sobre a muralha, subindo às casas, e entrando pelas janelas como o ladrão.

E o que sucede é que quando a multidão acaba de exclamar: Ô Glóóóóóóória!!! E passa o carro alegórico levando em cima crianças judias, palestinas e cristãs então a multidão vê passar em seguida novo quadro que é mais uma jóia na coroa do Senhor. E eis que vêm quatro jovens carregando ao ombro quatro grandes estandartes. Na frente segue um estandarte, mas, atrás, guardando distância de seis passos – que foram os seis passos que o rei Davi deu quando fazia a arca do Pacto subir da casa de Obede-Edom para cima a Jerusalém, e com gritos de alegria, e com toque de buzina, e com cânticos, e com dança – segue três estandartes um ao lado do outro. E os três estandartes que segue atrás, seis passos atrás, ora, deste lado de cá segue o grande estandarte de Madre Tereza de Calcutá, no ombro de uma jovem, e do lado de lá o grande estandarte de Chiara Lubich. Mas entre as duas jovens que levam ao ombro os estandartes de Madre Tereza de Calcutá e de Chiara Lubich eis que segue uma jovem levando ao ombro o grande estandarte de Zilda Arns. E as três jovens seguem pelas avenidas de Presidente Prudente guardando distância de seis passos, da jovem que vai à frente levando ao ombro o grande estandarte de Dorothy Stang.

E quando essa jóia da coroa régia do Senhor passa pelas suas avenidas eis que a multidão vê passar nova jóia da coroa do Senhor. E eis quatro jovens levando ao ombro quatro grandes estandartes. Na frente segue um jovem levando ao ombro seu grande estandarte, e atrás dele, guardando distância de seis passos – que foram os seis passos que o rei Davi deu quando fazia a arca do Pacto subir da casa de Obede-Edom para cima a Jerusalém, e com gritos de alegria, e com toque de buzina, e com cânticos, e com dança – segue três jovens levando ao ombro seu grande estandarte. Um ao lado do outro. E eis que deste lado segue um jovem levando ao ombro o grande estandarte do Bispo Desmond Tutu, e do lado de lá segue um jovem levando ao ombro o grande estandarte de Nelson Mandela. E os dois grandes estandartes seguem pelas avenidas de Presidente Prudente ladeando o grande estandarte de Martin Luther King, que segue pelas suas avenidas nos ombros de um jovem batista negro. E os três jovens, levando os estandartes do Bispo Desmond Tutu, e de Martin Luther King, e de Nelson Mandela, seguem pelas avenidas de Presidente Prudente guardando a distância de seis passos do jovem que vai à frente levando ao ombro o grande estandarte de Mahtma Gandhi.

E quando passarem os jovens levando ao ombro o grande estandarte do Bispo Desmond Tutu, e de Nelson Mandela, e de Martin Luther King, e de Mahatma Gandhi, eis que a multidão vê agora passar aos seus olhos dois jovens montados cada qual em um cavalo branco. E levam ao ombro um grande estandarte. E os estandartes seguem girando em suas mãos. E o que sucede é que quando o jovem do lado de cá passa pelas avenidas de Presidente Prudente girando o seu estandarte então em um lado a multidão vê o rosto de João XXIII, mas no outro lado vê o rosto de John Wesley, com os rostos de João XXIII e de John Wesley intermitentemente se manifestando aos seus olhos. E quando o jovem do lado de lá gira o estandarte em sua mão então a multidão vê de um lado o rosto de Che Guevara, mas no outro lado vê o rosto de Francisco de Assis. E os rostos de João XXIII e de John Wesley, e de Che Guevara e de Francisco de Assis se mostram intermitentemente aos olhos de toda a multidão, como se fossem a sua noite e o seu dia.

E quando passarem os jovens montados em seus cavalos brancos, levando ao ombro os dois grandes estandartes que seguem pelas avenidas de Presidente Prudente girando em suas mãos, e fazendo alternar aos olhos da multidão João XXIII e John Wesley, Che Guevara e Francisco de Assis, eis que a multidão vê passar atrás deles dezenas e dezenas de jovens que levam ao ombro os estandartes daqueles que João viu por debaixo do altar clamando vingança pelo seu sangue derramado (9). E eis que são dezenas e dezenas de jovens levando ao ombro os estandartes daqueles cristãos que sofreram martírio nas mãos de Roma pagã. E o seu número é incontável, sendo incontável o número dos seus estandartes, pois, deveras, cada estandarte leva o nome de um daqueles mártires que na defesa de sua fé sofreu horrores à mão de homens violentos e de feras famintas. E na frente de todos eles seguem três jovens levando em suas mãos ramalhetes com rosas brancas.

E as dezenas e dezenas de jovens seguem pelas avenidas de Presidente Prudente levando ao ombro os seus estandartes. E eis que a multidão vê entre seus estandartes os estandartes dos apóstolos de Jesus que foram martirizados. Todos eles estão ali nos ombros dos jovens para receberam a coroa de glória que um dia foi-lhes prometido. Todos eles estão ali, desde Estevam ao último dos apóstolos martirizado, André. E entre eles, no meio deles, dezenas e dezenas de jovens carregam ao ombro o estandarte de um cristão que teve a sua vida ceifada por não permitir que valores éticos e morais fossem subjugados por valores que não tinham o poder da transformação, de fazer uma nova criatura,

É incontável o seu número. É incontável o número dos estandartes dos mártires do cristianismo que desfilam pelas avenidas de Presidente Prudente. De modo que se podem ver no meio deles, entre os estandartes dos apóstolos de Jesus, eis os estandartes de Policarpo, e de Bárbara de Nicomédia, e de Anastácio de Sirmiuns, e de Demétrio Tessalonico, e de Perpétua e de Felicidade, e de Inês, e de Agatonice, e de Sinforosa, e de Justino, e de Teodoro de Heracléia, e de Catarina de Alexandria, e de Cristina de Bolsene, e de Irene, e de Clemêncio, e de Flávia Domitila, e de Blandina, e de Inácio, e de Leônidas, e de Pantaleão de Nicomédia, e de Teodósia, e de Procópio de Citópolis. A verdade é que se para cada mártir cristão houvesse um representante em Presidente Prudente com certeza todas as suas ruas seriam insuficientes para abrigar o seu número, tão grande foi o número dos mártires que morreram na defesa da fé cristã.

E o que sucede é que quando passarem os três jovens levando nos braços ramalhetes com rosas brancas, e sendo seguido por uma multidão incalculável de jovens levando ao ombro o estandarte de um cristão martirizado sob o domínio de Roma pagã, eis que agora multidão vê passar diante dos seus olhos os estandartes daqueles que João viu completando o número dos mártires cristãos, e que foram chamados por ele de co-escravos e de co-irmãos, que iriam ser mortos como foram aqueles que debaixo do altar clamavam vingança pelo seu sangue (10).

E diante dos olhos da multidão agora passa os estandartes dos mártires do socialismo. É incontável o seu número. É incontável o número dos estandartes dos mártires do socialismo que passam perante os olhos da multidão. Desde os mártires que morreram lutando na Comuna de Paris, passando pelos mártires de Chicago, e pelo martírio do casal Rosemberg em Nova Yorque, e pelo martírio de Che Guevara na Bolívia, até chegar no martírio de Dorothy Stang no Brasil, é incontável o número dos mártires pelo socialismo, que sofreram todo tipo de violência desde ser afogado na água até ser amarrado pelos pés e ser arrastado pelas ruas da cidade por automóveis conduzidos por homens enfurecidos, ou então serem jogados ao mar por helicópteros..

E dezenas e dezenas de jovens seguem pelas avenidas de Presidente Prudente levando ao ombro os estandartes dos mártires pelo socialismo, cujo número foi tão grande como foi o número dos mártires pelo cristianismo. E na frente deles seguem três jovens levando nos braços ramalhetes com rosas vermelhas.

E eis que a multidão nas avenidas de Presidente Prudente vê agora passar os mártires pelo socialismo, que necessário se fez morrer para que se completasse o número dos seus co-escravos e co-irmãos que foram mortos sob Romã pagã e eles então fossem vingados. Eis que a multidão vê jovens levando ao ombro os estandartes de Stuart Angel, e de Carlos Mariguela, e de Alexandre Vanucci Lemes, e de Vladimir Herzog, e de Manuel Fiel Filho, e de Santo Dias, e de Chico Mendes, e de Olga Benário, e de João Bosco Penido, e de Pe. Ezequiel Ramin, e de Dom Oscar Romero, e de Pe. Josimo Tavares, e de Frei Tito, e de Ranúsia Alves Rodrigues, e de Manoel Lisboa, e de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, e de Carlos Lamarca e de Iara Yavelberg, e de Zequinha Barreto. Se todas as ruas de Presidente Prudente são pequenas demais para abrigar os estandartes dos mártires cristãos são também pequenas para abrigar os estandartes dos mártires pelo socialismo. Milhões foram mortos pela causa do cristianismo, e milhões foram mortos pela causa do socialismo, todavia era no martírio dos seus milhões que um novo mundo estava sendo forjado.

E quando passarem os jovens levando ao ombro os estandartes dos mártires pela causa do cristianismo e passar os jovens levando ao ombro os estandartes dos mártires pela causa do socialismo, eis que atrás deles, logo atrás, seguem jovens levando ao ombro os estandartes das grandes religiões monoteístas.

E atrás deles seguem jovens levando ao ombro os estandartes das grandes doutrinas espiritualistas, dedicadas à caridade e a minorar o sofrimento daqueles que não tem a quem clamar, tanto as que estão no oriente como as que estão no ocidente.

E atrás dos jovens levando os estandartes das religiões monoteístas e das doutrinas espiritualistas eis que seguem jovens levando em seus ombros os estandartes de todas as denominações religiosas, quer as pertencentes ao campo evangélico quer as pertencentes ao campo católico. Todas elas, nas suas centenas, que sentiram em seus seres que realmente os seus corpos foram mergulhados nas águas do Mar Vermelho espiritual e que agora chegou o tempo de mergulhá-los nas águas do Jordão espiritual indo diretamente para ocupar as moradas eternas que o Cristo da cruz um dia disse iria as preparar para os seus.

E atrás dos jovens levando em seus ombros os estandartes de suas respectivas denominações religiosas eis que seguem os povos da floresta, as suas inúmeras tribos, todas elas nas suas mais ricas indumentárias. E seguem pelas avenidas de Presidente Prudente com os seus chocalhos e as suas danças e os seus cânticos. E na frente de todas elas com certeza segue a tribo dos guarani-kaiowá.

E atrás dos povos da floresta então segue o caminhão levando os homens e mulheres, que por terem se dedicado ao serviço com os pobres, por terem lutado para arrebatar os pobres da mão do opressor, que sem medo enfrentaram as forças das trevas e do terror, sim, seguem os homens e mulheres que neste dia, quando estiverem no grande palanque armado ali no Parque do Povo visto em sonho pela jovem Joseane, hão de ouvir: Vinde, vós os que tendes sido abençoados por meu Pai. Herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois fiquei com fome, e vós me destes algo para comer; fiquei com sede, e vós me destes algo para beber. Eu era estranho, e vós me recebestes hospitaleiramente; estava nu, e vós me vestistes. Fiquei doente, e vós cuidastes de mim. Eu estava na prisão, e vós me visitastes.E eis que no grande caminhão se pode ver seguindo Marina Silva, Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy, Luiza Erundina, acenando as suas mãos para a grande multidão que também acenam as suas mãos ao verem passar.

E o que sucede é que quando a multidão entra no Parque do Povo e após discursos, então chegará o momento da simbólica chuva de rosas, uma justa homenagem que será prestada a todos aqueles que lutaram e foram martirizados tanto pelo cristianismo como pelo socialismo. E aqueles três jovens que seguiram na frente dos estandartes dos mártires pelo cristianismo então lançarão ao alto os  ramalhetes de rosas brancas em suas mãos numa justa homenagem a todos os mártires do cristianismo. E quando  subirem e descerem ao olhar de todo o povo no Parque do Povo então dedos femininos começarão a retirar das cordas do violino o som divino do hino MAIS ALVO QUE A NEVE. E a multidão, na alegria do espírito, canta MAIS ALVO QUE A NEVE. Em seguida será a vez dos três jovens que seguiram na frente dos estandartes dos mártires pelo socialismo lançarem ao alto os seus ramalhetes com rosas vermelhas numa justa homenagem aos mártires do socialismo. E quando subirem e descerem ao olhar de todo o povo então dedos masculinos começarão a retirar do violino o som da música Vermelho, que o Brasil inteiro cantou com Fafá de Belém.

E sucederá que quando todos no Parque do Povo acabar de cantar Vermelho, então os seis jovens se abaixarão e apanharão os seus ramalhetes. E juntos os lançarão ao alto, os ramalhetes com rosas brancas e os ramalhetes com rosas vermelhas, numa justa homenagem aos mártires do cristianismo e aos mártires do socialismo. E enquanto sobem e descem ao olhar de todo o povo no Parque do Povo, então os dedos femininos e masculinos começarão a retirar do violino o som divino da música Rosa de Sarom com todos no Parque do Povo cantando: Uma cortina se abriu e surgiu / Um cavalo e mil cavaleiros / Brancos, vermelhos armados, armados / Do riso inocente que faz despertar / Pisando firmes na terra / Abrindo seu ventre fazendo brotar / Uma canção que só fala de amor / Que só diz que a vida já vai começar / Do trigo somos a sua brancura / E da videira o seu vermelhão / O branco da paz, o vermelho da vida / Somos a rosa – a Rosa de Sarom

E enquanto dedos masculinos e femininos retiram do violino o som divino da música Rosa de Sarom (11), ao seu som, então chegou o grande momento de todos no Parque do Povo participar da Ceia Nova, da Ceia especial, que Jesus, por ocasião da última ceia(12), disse só voltaria a participar dela quando aparecesse nova, no reino de seu Pai, junto com seus discípulos.

E todos no Parque do Povo levam à boca um pedaço de pão e um cálice de vinho, com o pão e o vinho tendo um novo sentido em suas vidas, não mais apenas lembrar-se do sacrifício de Jesus na cruz, mas saber que no seu sacrifício estava a redenção completa do ser humano, tanto a redenção espiritual que trás igualdade espiritual como a redenção material que trás a igualdade material. Igualdade espiritual e igualdade material que Ele cuidou em construir no devir histórico, primeiro com Paulo, e depois, quando a História no seu movimento real saiu do tempo teológico-espiritualista e entrou no tempo antropológico-materialista, seguindo a curvatura da história e que se deu com e a partir do Renascimento, ora, então na plenitude dos tempos materiais ele cuidou em construir a sua redenção material com o judeu Marx.

E a multidão no Parque do Povo participa da Ceia Nova de Jesus, que se manifesta em conexão com o seu novo nome (13). E o perfume universal da sua paz e da sua justiça sobe do chão do Parque do Povo e é levado pelo vento para os quatro cantos da terra, a fazer morada e a fincar raízes em todos os corações e em todas as mentes.

E a multidão se despede do Parque do Povo cantando a música do Geraldo Vandré PRA DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES. Voltam para as suas casas com a certeza de que a Semente terá de ser semeada em todos os corações, em todas as mentes, na sua casa, na sua vizinhança, no seu bairro, na sua cidade, no seu estado, na sua nação, no seu continente, na terra inteira, pois, deveras, é esta a Semente que o profeta Daniel viu sendo arrancada do monte, sem o auxílio de mãos, e feriu a estátua a esmiuçando, e se espalhando para a terra inteira e a enchendo como a um só monte (14).
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(1)--Apocalipse 19.11
(2)--Josué 9.1-2
(3)--Essa harmonia restaurada a todos os pólos contrários é aquela vista em espírito por Mestre Ekhart e Nicolau de Cusa, para quem os contrários estavam em processo de convergência; e iria chegar o momento em que se encontrariam e se reconciliariam, na mediação do Infinito. Portanto essa harmonia restaurada a todos os pólos contrários não é a da dialética, mas da metafísica. A dialética não estabelece harmonia entre os pólos contrários porque os pólos contrários que é seu objeto são de pesos diferentes. É impossível harmonia entre os valores da carne e os valores do espírito. É impossível harmonia entre capitalismo e socialismo. Então na filosofia celestial o mal não contém valor ontológico senão que propedêutico. Ele existe para ajudar, para cooperar para que o bem apareça, como bem disse Santo Agostinho. Mas o equilíbrio é estabelecido entre os contrários que foram depurados do pecado original. A depuração do paganismo resulta no cristianismo; a depuração do capitalismo resulta no socialismo. Então o equilíbrio é perfeitamente estabelecido entre cristianismo e socialismo. Um sustenta o outro. Nem um nem outro subsiste por muito tempo sem o outro, o que não acontece entre os contrários dialéticos cujo escopo é um devorar o outro. Um se torna alimento do outro.
(4)--Isso explica porque a Teologia da Libertação jamais penetrou na realidade numênica quer da Renovação Carismática quer do Pentecostalismo. Jamais apreendeu a sua essência verdadeira, senão a ideológica fornecida pelo positivismo. É que a Teologia da Libertação representa o momento em que no ventre do Materialismo Histórico se deu o parto de Adão. E neste momento as pálpebras de Adão não estavam abertas suficientes para olhar em Eva e reconhecê-la a sua companheira de longa data. A sua outra metade. Daí nem a Teologia da Libertação reconhecê-las e nem o Marxismo reconhecer o Cristianismo. No entanto quando o Marxismo se convertesse no socialismo celestial, e a Teologia da Libertação refletindo este novo momento, então as suas pálpebras iriam se abrir completamente, com ela então reconhecendo o grande valor tanto da Renovação Carismática como do Pentecostalismo não só na solução de toda problemática social como, muito mais, indispensáveis ao Reino de Deus e ao seu funcionamento.
(5)--Joel 3.11-14
(6)--Êxodo 32.26
(7)--Apocalipse 18
(8)--Isaías 14.1-8
(9)--Apocalipse 6.10
(10)--Apocalipse 6.11
(11)--A música Rosa de Sarom na verdade é uma letra que Adamir Gerson fez e encaixou no clássico Romance de Amor, que por sinal é controverso a sua origem. O que se sabe com certeza é que se trata de uma música pertencente ao folclore espanhol. Quanto ao seu compositor o mais aceito é que tenha sido Antônio Rovira, também aparecendo como seu autor Tarrega, Sor, Yepes, Paganini, e aquele que muitos afirmam ser o compositor de fato, Vicente Gomes. Por ser uma música sem autor aparente, e belíssima, e intuindo que a sua autoria desconhecida podia esconder um propósito divino, Adamir Gerson se viu no direito de utilizá-la pondo nela uma letra que julga pertinente. E espera que a sua versão tenha o mesmo alcance que teve a música austríaca Griechischer Wein, do Udo Jurgens, que transposta para a cultura portuguesa por Paulo Alexandre, se transformou num belíssimo clássico lusitano.
(12)--Mateus 26.26-29
(13)--Apocalipse 3.12
(14)--Daniel 2.44