terça-feira, 25 de outubro de 2011

Engels, o Cristianismo e o Justo Juiz

ENGELS, O CRISTIANISMO E O JUSTO JUIZ


A história do cristianismo primitivo oferece curiosos pontos de contato com o movimento operário moderno. Como este, o cristianismo era, na origem, o movimento dos oprimidos: apareceu primeiro como a religião dos escravos e dos libertos, dos pobres e dos homens privados de direitos, dos povos subjugados ou dispersos por Roma. Os dois, o cristianismo como o socialismo operário, pregam uma libertação próxima da servidão e da miséria; o cristianismo transpõe essa libertação para o Além, numa vida depois da morte, no céu; o socialismo coloca-a no mundo, numa transformação da sociedade. Os dois são perseguidos e encurralados, os seus aderentes são proscritos e submetidos a leis de exceção, uns como inimigos do gênero humano, os outros como inimigos do governo, da religião, da família, da ordem social. E, apesar de todas as perseguições, e mesmo diretamente servidos por elas, um e outro abrem caminho vitoriosamente. Três séculos depois do seu nascimento, o cristianismo é reconhecido como a religião do Estado e do Império romano: em menos de sessenta anos, o socialismo conquistou uma posição tal que o seu triunfo definitivo está absolutamente assegurado.



Para o leitor companheiro compreender a essência do assunto, vou transcrever Apocalipse 6.9-11, e depois comento, com Engels emergindo como profeta do Senhor.


"E quando abriu o quinto selo vi por baixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e por causa da obra de testemunho que costumavam ter. E gritaram com voz alta, dizendo: 'Até quando, Soberano Senhor, santo e verdadeiro, abster-te-ás de julgar e vingar o nosso sangue dos que moram na terra?' E a cada um deles foi dada uma comprida veste branca; e foi-lhes dito que descansassem mais um pouco, até que se completasse também o número dos seus co-escravos e dos seus co-irmãos, que estavam para ser mortos assim como eles também tinham sido".


Quem são estes que João viu por debaixo do altar clamando vingança pelo seu sangue dos que moram na terra? Indiscutivelmente que se trata dos cristãos que eram perseguidos todos os dias pelos pagãos e pelos romanos e levados para as suas arenas para serem mortos.


Mas, a pergunta de suma importância é esta: Quem são estes co-escravos e co-irmãos que haveriam de ser mortos como foram aqueles cristãos? Gerson tem dito, desde o ano de 78 quando teve o seu encontro teofânico que estes co-escravos e co-irmãos dos cristãos primitivos foram os marxistas. O martírio cristão e socialista são da mesma essência.


Mas, lendo atentamente o que Engels escreveu a mais de cem anos não podemos realmente chegar a esta conclusão? De que os co-escravos e co-irmãos daqueles cristãos que foram proscritos e submetidos a leis de exceção – Paulo diz que eles eram tidos como a escória de todas as coisas – são realmente o povo marxista? Que realmente foram mortos COMO AQUELES FORAM?


Engels

A história do cristianismo primitivo oferece curiosos pontos de contato com o movimento operário moderno. Como este, o cristianismo era, na origem, o movimento dos oprimidos: apareceu primeiro como a religião dos escravos e dos libertos, dos pobres e dos homens privados de direitos, dos povos subjugados ou dispersos por Roma.

Os dois, o cristianismo como o socialismo operário, pregam uma libertação próxima da servidão e da miséria; o cristianismo transpõe essa libertação para o Além, numa vida depois da morte, no céu; o socialismo coloca-a no mundo, numa transformação da sociedade.


Como analisar essa distinção entre cristianismo e socialismo se os dois no seu nascimento são, essencialmente, o mesmo? Com a diferença notada por Engels que o socialismo, ao contrário do cristianismo que transpôs a libertação terrena para o Além, numa vida depois da morte, no céu, o socialismo trabalhou a libertação no mundo, numa transformação da sociedade?


Em Primeiro, à consciência tanto o cristianismo como o socialismo tratam-se do mesmo fenômeno. É o mesmo fenômeno? Sim, é o mesmo fenômeno, só que portando uma distinção fundamental não apreendida pela consciência (porque a consciência finita só o iria apreender quando o Espírito adentrasse o patamar sintético da reconciliação). Que distinção fundamental é esta? A SEXUAL! O cristianismo é um ser espiritual, ao passo que o socialismo, um ser material. Macho e fêmea. Conhecer esta distinção sexual, jamais percebida por Engels ou por qualquer teólogo ou filósofo (com certeza Paulo teve um esboço desta sexualidade, a partir do que aparece em ICoríntios 13.9-10) é ter um conhecimento real tanto do cristianismo como do socialismo. Assim como conhecemos o valor da libertação material do socialismo conhecendo o desvalor da opressão material do capitalismo, socialismo e cristianismo só são realmente conhecidos em suas essências íntimas quando se penetra na sua sexualidade (*)


E esta sexualidade foi construída em verdade naquilo que podemos chamar acertadamente de “Ovário da História” e “Testículo da História”. No Ovário da História foi construída a feminilidade do Cristianismo, ao passo que no Testículo da História, a masculinidade do Socialismo. E o Espírito, quando adentrasse seu terceiro momento, o Sintético, então iria cruzar estes dois seres sexuais, reconciliando-os em si; e seria então, e somente então, que o nascimento da vida estaria se dando. (A vida é aquilo que os cristãos chamam de Reino de Deus e os marxistas de Comunismo).


Em Segundo, os cristãos transpuseram a libertação para o outro mundo, depois da morte, no céu? É preciso dizer que o cristianismo também foi uma práxis modificadora da sociedade, não do seu fundamento material, mas do seu fundamento espiritual. Com certeza, portador também de uma sociologia, mas de uma sociologia espiritual, com Paulo, observando a distinção sexual, não perdendo em nada para Marx (Paulo parte dos fundamentos remotos do paganismo para chegar ao cristianismo, ao passo que Marx parte dos fundamentos remotos do capitalismo para chegar ao socialismo). Bem, a verdade é que os cristãos passaram a voltar-se com esperança para o céu porque justamente a sua libertação era parcial (ICoríntios 13.9). O seu ser espiritual fora apaziguado, mas o seu ser material continuou irriquieto, fazendo deles seres anfíbios, livres em Jesus, mas escravos de Roma e dos senhores donos de escravos e donos de propriedades. De modo que sem nenhuma perspectiva terrena à vista passaram então a buscar a complementação de sua libertação no outro mundo, após a morte, pois deveras aqui não a enxergavam (a boa psicologia nos diz que eles simplesmente queriam estar ao lado de seu mestre Jesus que então se achava no céu, assim pensavam).


Mas, enquanto os cristãos passavam a buscar a complementação de sua libertação na outra vida, no céu, Deus a buscava aqui mesmo, na terra, na sociedade (e isto é de fundamental importância). De modo que quando os cristãos foram reconhecidos religião do Estado isto já foi Deus se posicionando para construir o outro lado sexual, aquilo que iria complementar a salvação dos cristãos (ICoríntios 13.10). De fato, caminhando na estrada do Espiritualismo Histórico agora os cristãos iriam caminhar na estrada do Materialismo Histórico. Em termos de Hegel o Espírito se deslocou da tese para a antítese, para, na sua interioridade, tomar consciência de si. É verdade, transformando o sistema escravagista em sistema feudal, e este em sistema capitalista, então iria chegar o momento do surgimento do socialismo, aquilo que forma um par sexual com o cristianismo.


Quer dizer, assim como o cristianismo se manifestou na plenitude dos tempos, diz a Bíblia, mas hoje conhecendo a distinção sexual da História (dualidade do conceito) dizemos que se manifestou na Plenitude dos Tempos ESPIRITUAIS, plenitude que se formou no ventre do Espiritualismo Histórico como a sua flor mais pura: MONOTEÍSMO PRIMITIVO – totemismo – animismo – politeísmo – JUDAÍSMO –CRISTIANISMO (Jesus é a sua flor mais pura) – de igual modo o socialismo iria se manifestar na Plenitude dos Tempos MATERIAIS, plenitude que iria se formar no ventre do Materialismo Histórico como a sua flor mais pura: COMUNA PRIMITIVA – escravatura – feudalismo – capitalismo – SOCIALISMO – COMUNISMO (Che Guevara é a sua flor mais pura).


Ora, sendo assim, então temos de enaltecer Engels por ter tido um juízo tão positivo assim com o cristianismo, o colocando como semelhante ao socialismo nos seus fundamentos, embora não impedindo de dizer que Engels não teve uma visão exata do fenômeno cristianismo (e por extensão do fenômeno socialismo) justamente porque tal visão clara só iria se manifestar no terceiro momento do Espírito, quando ele, pelo seu vetor maior, o Filho do homem vindo com poder e grande glória, iria fazer a revelação da sexualidade. Bem, se é assim, então cabe a nós imprimir esta sexualidade tanto nos cristãos como nos marxistas, desabrochando neles a paixão pelo outro, como a metade que lhe está faltando. Com certeza será esta paixão que trará o casamento dos casamentos, o Casamento do Cordeiro (Apocalipse 19.8), Daquele que colocou a sua sexualidade espiritual em Paulo, no caminho de Damasco, e a sua sexualidade material em Marx, no episódio em que a justiça prussiana condenou como ladrão aos camponeses pobres que haviam retirado lenha das florestas para se aquecerem contra o rigor do inverno.


Que Ortega, que Fellows, que Arias, que Vinicius, que Franchesco, que Ferdinand, que Rita, que Ribamar, que Mônica, que jr.18Volts, que Robsom Lemes, que Isabela, que Robson, que Arlênio, que Thiago Luis, que Bernardo Furigo, que Silva, que Revolution, que todos os companheiros desta comuna medite sobre isto. Meditem que PSC, Gustavo e Dionata já meditaram e viram que não existe outro caminho senão este. Graça e Paz.


O Asterisco (O Aparecimento do Justo Juiz)


Na postagem acima PSC colocou em parêntese um asterisco. E agora vai falar sobre ele.


De fato, a manifestação na História da sexualidade vai reparar uma grande injustiça que seria cometida justamente por tal ter sido emitido em um tempo em que se vivia a indistinção sexual (correto dizer reprodução assexuada, que no campo da biologia pode ter antecedido a reprodução sexuada).


Bem, que grande injustiça esta que seria cometida – mas que agora a mesma será reparada?


Ora, em Mateus 25.31-46 encontramos a descrição do juízo do Justo Juiz, quando diz para uns, à sua direita: vinde benditos de meu Pai, e possuí por herança o reino vos preparado desde a fundação do mundo, e diz para outros, à sua esquerda: afastai-vos de mim, vós os que tende sido amaldiçoados, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos.


Ora, como tal juízo foi concebido quando se vivia a indistinção sexual, isto leva a que o Justo Juiz se dirija aos marxistas e à Teologia da Libertação e lhes diga: Vinde benditos de meu Pai, e possuí por herança o reino vos preparado desde a fundação do mundo. Pois fiquei com fome, e vós me deste algo para comer; fiquei com sede, e vós me deste algo para beber. Eu era estranho, e vós me recebestes hospitaleiramente; estava nu, e vós me vestistes. Fiquei doente, e vós cuidastes de mim. Eu estava na prisão, e vós me visitastes. Em seguida ele dá um giro de 180 graus e se dirija aos evangélicos e aos carismáticos e lhes diga: afastai-vos de mim, vós os que tende sido amaldiçoados, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos. Pois fiquei com fome, mas vós não me destes algo para comer, fiquei com sede, mas vós não me destes nada para beber. Eu era estranho, mas vós não me recebestes hospitaleiramente; estava nu, mas vós não me vestistes; doente e na prisão, mas vós não cuidastes de mim.


Por que esse juízo? Em primeiro, este povo a que o Justo Juiz se dirige é o mesmo povo de Isaías 65, que traria os frutos do Reino não obstante não invocar o nome de Deus e não dobrar seu joelho diante de Deus, e é o mesmo povo de Mateus 21.43, que diz Jesus produziria os frutos do Reino. Em segundo, que se entende claro que esta fome a que se refere é fome de pão.


Mas, é verdade, o juízo foi concebido não na presença do Justo Juiz, que se achava distante, na escatologia, e certamente que quando chegasse o seu tempo tal seria uma questão para ele resolver. E por certo que ele iria perceber a injustiça e cuidar em repará-la.


Como assim?


Eis a chegada da hora. E eis que se estabelece o momento do juízo. E eis o Justo Juiz sentado em seu trono, e ao seu lado seu assistente, e ao seu lado a Arca do Pacto com seus dois querubins. E à direita do Justo Juiz uma fileira dupla de marxistas e Teologia da Libertação, e à sua esquerda, uma fileira dupla de evangélicos e de carismáticos.


É o momento mais aguardado da História, o Dia do Juízo. A um sinal do Justo Juiz então seu assistente vai e abre a tampa da Arca, cuidando para não agredir seus dois querubins, e começa a trazer para fora seus objetos. E os coloca na presença do Justo Juiz. As duas tábuas da lei e junto a uma, o vaso de ouro contendo o maná e junto à outra, o bastão de Arão que havia florescido. E todos ficam olhando para seus objetos, com os que estão nas duas filas não tendo a menor certeza: é para nós que tudo será dado!


Então o Justo Juiz se levanta do seu trono e toma em sua mão direita o vaso de ouro com o maná e na sua mão esquerda o bastão florescido de Arão (mas seu assistente toma nas mãos as duas tábuas). E com o vaso de ouro com o maná em sua mão direita e com o bastão florescido de Arão em sua mão esquerda começa a olhar para os que estão diante de si. E olha para a fileira dos que estão à sua direita e olha para a fileira dos que estão à sua esquerda, olhando para uns e para outros. E se dirige para a fileira onde estão os marxistas e a Teologia da Libertação. E, ajudado pelo seu assistente, então toma o vaso de ouro com o maná na sua mão direita e os coloca na mão dos marxistas e da Teologia da Libertação, permanecendo na outra mão o bastão de Arão que havia florescido. E diz para eles: vós sois os reis que haveriam de reinar os mil anos e a eternidade sem fim com o Cristo. Entrem no gozo de seu amo. E quando os marxistas e a Teologia da Libertação recebem em suas mãos o vaso de ouro com o maná, o assistente com as duas tábuas nas mãos, como um fotógrafo que chama os noivos para a fotografia, chama-os para receber o vaso de ouro com o maná com os olhos em juramento para as duas tábuas, olhando para elas.


E quando estas coisas acontecem, os que estão na fileira à sua esquerda são acometidos de desânimo. E custam a crer no que estão vendo. Tinham a certeza que seriam para eles que o Justo Juiz iria se dirigir. E quando o Justo Juiz dá um giro de 180 graus, com o bastão florescido de Arão na sua mão esquerda, acompanhado pelo assistente com as duas tábuas nas mãos, abertas em leque, então os que foram colocados à sua esquerda vendo o Justo Juiz vindo em sua direção começam a raciocinar entre si: vai nos amaldiçoar! Por certo que vai rebentar o bastão nas nossas cabeças, e as cabeças que escaparem do bastão serão alcançadas pelas duas tábuas nas mãos do assistente!


E então o Justo Juiz coloca na mão dos evangélicos e dos carismáticos o bastão de Arão que havia florescido, lhes dizendo: Vós sois os sacerdotes do Deus Altíssimo que haveriam de reinar os mil anos e a eternidade sem fim com o Cristo. Entrem no gozo de seu amo. E imediatamente o assistente exibe em leque as duas tábuas e pedindo para que eles recebam em suas mãos o bastão de Arão que havia florescido olhando para as duas tábuas.


E quando o Justo Juiz volta para o trono e se senta então as escamas nos seus olhos caem e se reconhece osso do mesmo osso e carne da mesma carne, um só espírito. E começam a se confraternizar entre si e a dançar e a pular, um pegado na mão do outro, assim como o rei Davi entrou dançando e pulando quando fazia a Arca do Pacto subir até Jerusalém. E no meio da festa então o Justo Juiz fez um sinal e todos pararam. E entrou o assistente levando pela mão um casal de velhinhos. E eles entravam bem devagar, encurvados. Então o Justo Juiz se levantou do trono e os beijou ternamente, dizendo para todos que estavam presentes: são meus pais. Ela é a minha mãe e ele é o meu pai. E quando ele dizia isto eis que todos lhes reconheceram; e começaram a dizer entre si: mas não é esta que na sua mocidade nos espancou e nos fez dobrar o joelho para deuses pagãos? E enquanto uns diziam isto, outros diziam, sobre o velhinho que os olhava como que assustado: mas não é este que na sua mocidade nos colocou para trabalhar como escravos? E quando o Justo Juiz viu que murmuravam entre si, então lhes disse: Meus filhos, o que eles fizeram não farão mais. Tudo o que eles querem e precisam é que vós, agora, no seu vigor juvenil, os deixe acabar seus dias em paz. E quando o Justo Juiz disse isto pouco a pouco o murmúrio entre eles foi diminuindo, diminuindo, até que cessou, com cada qual indo cuidar das responsabilidades que lhes foram conferidas.


Façamos a pergunta: por que o Justo Juiz tanto premiou uns como outros? Porque na verdade os conceitos possuem dois lados (por causa da distinção sexual). Por exemplo, o conceito de fome tanto se refere à fome material como à fome espiritual (como diz Leonardo Boff, temos sede de pão, mas também de transcendência). Todo o trabalho dos marxistas e da Teologia da Libertação foi para dar o pão material para os necessitados, mas todo o trabalho dos evangélicos e dos carismáticos é para dar o pão espiritual. O trabalho dos marxistas e da Teologia da Libertação para acabar no Brasil e na América Latina com toda a exploração material, de modo a todos terem empregos dignos, salários dignos, moradias dignas, assistência médico-hospitalar, estudo, escola, era na verdade complementar ao trabalho dos evangélicos e carismáticos, lutando para as pessoas abandonarem os vícios, as bebedeiras, o desamor familiar, ter o respeito ao corpo que ama e gera a vida, e, sobretudo, o amor a Deus e ao sagrado, que se revela no amor ao próximo e ao necessitado.


E tem chegado o tempo de uma práxis completa, concatenada (ICor.13.10). E será ela que porá fim definitivo ao domínio do Mal. Será ela que realmente trará o cumprimento luminoso para Miquéias 4.4, como segue: E REALMENTE SENTAR-SE-ÃO, CADA UM DEBAIXO DA SUA VIDEIRA E DEBAIXO DA SUA FIGUEIRA, E NÃO HAVERÁ QUEM OS FAÇA TREMER. Os cristãos e os marxistas, que nas suas caminhadas conheceram a glória e a desonra, agora reunidos em corpo único, hermético, fechado, sem espaço para o Mal, nunca mais saberão o que é decadência, com o seu domínio não passando jamais a outro domínio, assim como são as imagens de Daniel 2.44.


Até aqui são as palavras do peregrino Gerson (Êxodo 2.22), nascido na cidade de Estrela do Norte (Isaías 41.15; Apocalipse 2.26-28)), no ano em que George Riffert diz no seu livro A Grande Pirâmide (Record) estudiosos da Grande Pirâmide do Egito vaticinaram seria o ano da Câmara do Rei, o ano do Messias, este ano pode muito bem indicar o ano do nascimento de uma Nova Humanidade, de uma nova ordem social, justa, fraterna, sob os cuidados diretos de Jesus Cristo Rei de reis e Senhor de senhores, como consta (mas que ele reparte com aquele que no ano de 53 deixou as glórias da Medicina e a sua pátria e a sua família para que um dia a América Latina e o mundo pudessem ser lugar sem as enfermidades sociais, Che Guevara, um irmão, que o seu irmão, a partir de onde parou, nas leituras metafísicas, que diz que Jesus se deixou morrer para que pudesse se levantar em novo corpo, corpo de glória, incorruptível, atraindo a si todos os homens, iria dar recomeço, não mais com o fuzil na mão, é verdade, porque fez a parte que lhe cabia na obra, a parte que coube a Moisés na preparação da graça, mas agora brandindo a Palavra de Deus, que é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula, e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração) – é verdade, o seu nascimento físico se deu mesmo naquele ano de 53, mas o seu nascimento espiritual se deu no ano de 78, quando então aquele jovem de 25 anos, um operário que carregava o estudo de seus pais, um sabia ler e escrever e a outra lia e escrevia com a maior das dificuldades, foi informado na presença da Divindade que tinha chegado o tempo da restauração de todas as coisas e o tempo de ser dado a cada um segundo as suas obras, e foi neste ano de 78 porque a mesma Divindade disse pela boca de um dos seus anjos que o mundo iria sofrer divisão no ano de 77, depois de 77 o domínio de Deus, antes de 78 o domínio dos homen.


Findam aqui as palavras de Gerson, escolhido e preparado para a boa obra desde o ventre (Isaías 49), já tendo sido feito menção do seu nome desde o ventre (porque Ciro era Deus fazendo uma obra em terra estrangeira, peregrinando em terra estrangeira); e a incorruptibilidade que recebeu do Incorruptível a repartindo com todos que estiveram com ele neste inicio de caminhada milenial, mas os tímidos, e os medrosos, e os que não têm fé, e os que são repugnantes nas suas concupiscências, e os que se escondem no silêncio de Martin Luther King, e os que confiam na sua sabedoria, por certo que receberão Daquele que é e que era e que havia de vir a recompensa que lhes é devida.


Profeta Isaías e Caetano Veloso


“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco virá a estar sobre seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. (...) Menino Deus; Quando a flor do teu sexo; Abrir as pétalas para o universo; então por um lapso se encontrará nexo; Ligando os breus, dando sentido aos mundos; E aos corações, sentimentos profundos; No dia de terna alegria do Menino Deus”


DE TODOS OS LUGARES, VINHAM AOS MILHARES, E EM POUCO TEMPO ERAM MILHÕES, INVADINDO RUAS, CAMPOS E CIDADES ESPALHANDO AMOR AOS CORAÇÕES, Roberto e Erasmo


sábado, 22 de outubro de 2011

O Abrir da História e de uma Nova Consciência

Este escrito é do ano de 2002, parece.

max turazzi:

AMEI O ARTIGO ESTA ESPERANDO ESSA RESPOSTA DURANTE TODA A MINHA VIDA MUITO OBRIGADO

O ABRIR DA HISTÓRIA E DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA

Padre João: participei do II Fórum Diocesano dos Movimentos Sociais, e prestei atenção em suas palavras e reflexões teológicas segundo as quais a partir do Concílio de Nicéia, a partir de Constantino, o evangelho de Jesus, de Concílio em Concílio, foi perdendo o lugar para uma instituição eclesiástica, e somente com Leão XIII, com a encíclica Rerum Novarum, de defesa veemente dos operários explorados pelo capitalismo, então se fez um retorno ao evangelho de Jesus Cristo, retorno que se deu de forma mais clara com o Concílio Vaticano II, mais claro ainda em Medellin e Puebla. Hegelianamente, Jesus se alienou de si mesmo em Constantino, e retornou a si mesmo na Teologia da Libertação, se caracterizando o longo período constantinista de ausência de Jesus (Retido nos céus, Atos 3.21), para agora voltar com a sua luz. Em uma palavra, Jesus, que esteve na Igreja de Atos, em que todos tinham todas as coisas em comum, retornou e está hoje na Teologia da Libertação. Foi isto que captei em vossas palavras, que digo são sábias.

Mas, antes de prosseguir é preciso esta complementação e acareação: esta visão, de que a partir do Concílio de Nicéia, a Igreja se apartou de Jesus para se ligar ao homem, deixando de estar a serviço do Reino para estar a serviço do reino de homens, é também visão dos evangélicos, apenas que dizem que este retorno de Jesus se deu com John Wicliffe, se manifestou de forma clara em Lutero, deu um salto de qualidade muitíssimo grande em John Wesley, e do seu toco então florescendo de forma claríssima no moderno movimento pentecostal, arrebatador das grandes massas.

Essa visão teológico-histórica da Teologia da Libertação e dos evangélicos é correta? É fato puro e simples?

Antes de prosseguir devo dizer as razões deste escrito: recentemente o novo arcebispo de São Paulo, que ocupou o lugar de Dom Cláudio, Dom Odílio, disse com palavras claras: a Teologia da Libertação não mais existe. Tratou-se de uma tendência que se manifestou no seio da Igreja e hoje já não mais existe.

Ora, é muito certo que estas duas igrejas caminham para um confronto, pois ultimamente tem corrido e-mails e mais e-mails na Internet de militantes das Cebs conclamando todos para a luta, para reviver a Teologia da Libertação. Ela tem que se levantar, dizem os e-mails, enquanto do outro lado os conservadores dizem que "defunto" não se levanta. Ora, a razão deste escrito é justamente apartar os contendedores, pois é muito certo que a Teologia da Libertação tem de se levantar, mas não com aquela cara, a cara de Marx ou a cara de teólogos que concebem o seu pensar filosófico com as lentes do materialismo dialético, mas com outra cara, a cara de Jesus de Nazaré, uma cara que talvez possa fazer os sisudos conservadores soltarem um sorriso ao menos amarelo, mas já o primeiro passo da sua aceitação.

Pois bem, a visão da Teologia da Libertação e dos evangélicos, segundo a qual a igreja da Cristandade foi um afastamento do evangelho de Jesus Cristo, é verdadeira? Corresponde aos fatos?

Do ponto de vista da ciência positivista isto é verdadeiro, mas a ciência metafísica, feita por Deus, por Javé dos exércitos, trabalha com outras imagens, valorizadoras dos fenômenos históricos. O seu juízo acaba, pois, por ser outro.

A visão corrente, tanto da Teologia da Libertação como dos evangélicos, pela qual o cristianismo primitivo foi perdendo qualidade, se distanciando cada vez mais de Jesus, até que no século III se apartou dele, dando lugar à igreja da Cristandade, muitíssima parecida com Judá, pois sofreram nas mãos de Lênin e dos revolucionários marxistas os mesmos golpes que Judá sofreu nas mãos de Nabucodonozor e dos caldeus, por sinal vivendo o mesmo cativeiro de setenta anos, trata-se de uma visão correta?

Vamos deixar de lado os evangélicos, por enquanto, e nos ater à Teologia da Libertação.

Bem, então nas palavras de padre João esse retorno de Jesus Cristo se deu com a Teologia da Libertação. A Teologia da Libertação teria sido este retorno?

Ora, sabemos que a essência do cristianismo foi depositada por Jesus em Paulo apóstolo no caminho de Damasco, a partir de então Paulo imprimindo o seu ritmo ao cristianismo, a todo o cristianismo.

Façamos a pergunta: Jesus depositou em Paulo a essência material como a vemos na Teologia da Libertação? O cristianismo primitivo, que se expandiu para todo o império em várias células-igreja com e após Paulo, possuía uma essência que podemos dizer é hoje a essência da Teologia da Libertação?

Ora, a verdade é uma só: Jesus depositou em Paulo, não o socialismo material, vivido e pregado pela Teologia da Libertação, mas o socialismo espiritual. Embora Paulo tivesse consciência do sofrimento material do povo a que se dirigia com as boas novas, todavia tinha uma plena consciência de que era sua missão a libertação espiritual. Foi por isso que disse: em parte conhecemos e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é completo... A libertação completa do ser humano era coisa futura para Paulo, que tinha consciência de que o que é completo teria de ser precedido e preparado por aquilo que é em parte.

Prosseguindo. E a razão que Jesus não depositou em Paulo o socialismo material é que aquele era o tempo em que a história, NO SEU MOVIMENTO REAL, se achava na sua fase teológico-espiritual. Achava-se na sua fase primaveril. Assim como na primavera a árvore dá flor e não fruto, guardando o fruto para dá-lo na fase outonal, a história na sua fase teológico-espiritual não podia em hipótese alguma dar o fruto do socialismo material, como assim pensou e quis Engels, senão a flor do socialismo espiritual.

O socialismo material havia em Jesus sim (Mateus 20; 25.40), e Ele sabia da futuricidade do socialismo material sim (Mateus 21.43; Isaías 65, sem falar em Lucas 6.24-25 e a inspiração que Ele deu para Tiago 5), mas porque Ele é a pura ciência guardou-o para quando a história, no seu movimento real, saísse da sua fase teológico-espiritual e entrasse na sua fase filosófico-material, o que se deu com e a partir do Renascimento, quando a visão de mundo teocêntrica passou a dar lugar para a visão de mundo antropocêntrica. (A fase teológico-espiritual se iniciou nos primórdios da humanidade-civilização e findou no final da Idade Média, nascendo então a fase filosófico-materialista, que tem perdurado até nossos dias. E na passagem da visão teocêntrica para a visão antropocêntrica não tivemos uma superação antropológica, como foi saudado pelos positivistas comteanos e é ainda saudado por todos os materialistas, mas, sim, uma virada antropológica, que quer dizer simplesmente que Deus saiu da metade teológica (ICoríntios 13.9) e foi para a metade antropológica, para um dia, no terceiro momento, o momento glorioso da síntese, então pudesse se levantar no que é completo (ICoríntios 13.10), sim, a metade teológica e a metade antropológica, tendo deixado a casa de seus pais, Paulo e Marx respectivamente (Gênesis 2.24), então pudessem se levantar num só corpo, num só espírito, o corpo e espírito de Cristo Jesus, que os deu nos momentos certos e no momento certo os iria reunir) (a virada antropológica se deu porque a história possui curvatura, fato ignorado e desconhecido tanto pelo positivismo como pelo materialismo, que crêem piamente ela se move retilineamente (um deformismo da história herdado de Heráclito). Mas a História se move em torno de um centro, o Absoluto, assim como a terra se move em torno do sol. É por isso que a História teve inverno, judaísmo (Moisés), teve primavera, cristianismo (Paulo), teve verão, marxismo (Marx), teve outono, leninismo (Lênin), e agora está principiando a ter colheita, quando os filhos e filhas de Deus serão então reunidos em um só aprisco, sendo um só rebanho e tendo um só pastor, Jesus Cristo, o filho do Deus vivo).

Em uma palavra, assim como na semente habita a plenitude do fruto, em Jesus habitava a plenitude do Reino. Nele a igualdade espiritual (socialismo espiritual, gameta feminino da semente), o amor e respeito pelo corpo que ama e gera a vida, o corpo da mulher, e a igualdade material (socialismo material, gameta masculino da semente), o amor e respeito pelo corpo que trabalha e gera todas as riquezas, o corpo do trabalhador, em Jesus estas duas essências portadoras e produtoras da vida giravam harmoniosamente, como a sua Eva (igualdade espiritual) e o seu Adão (igualdade material). Em Jesus? Sim, mas não nos cristãos primitivos, que possuíam realmente a asa da igualdade espiritual, mas não a asa da igualdade material, que Jesus guardou para dá-la quando chegasse o tempo material do Reino, e quando chegou então a foi dar para quem passou a ganhar a designação de povo socialista.

Nos cristãos primitivos o Reino se achava pela metade, somente na sua dimensão espiritual. Os cristãos tinham um firme combate às concupiscências da carne, à opressão espiritual de Roma, mas não combatiam a opressão material do império, se achando de costas para ela. (E nem podia, pois, como já foi dito, tal Deus postergou para o futuro, quando os tempos materiais chegassem. Então Deus iria colocar a igualdade material do seu filho Jesus nos humanos, e eles, então fazendo um combate firme contra a opressão material, iriam então sofrer o mesmo martírio que sofreram seus irmãos cristãos, Apocalipse 6.11. Mas iriam vencer, criando a terra paradisíaca, sem pecado, sem qualquer tipo de opressão. O seu sangue não iria ser em vão, mas iria ser germinador e frutificador da nova vida (Tudo isto realmente iria ocorrer quando o povo marxista desse uma meia volta de 180 graus e reconhecesse no cristianismo o seu outro lado, a complementação de toda sua parcialidade e imperfeição (ICoríntios 13.9 vale também para o povo socialista, a outra metade do povo que conheceu o martírio e a glória nas arenas de Roma).

Prosseguindo. Então, em verdade, o ocorrido no século III, quando a Igreja trocou a ilegalidade pela legalidade estatal, tal deva ser visto, não como um movimento negativo, retrocesso do Evangelho, a visão dos evangélicos e da Teologia da Libertação, mas um movimento altamente positivo, de suma importância, pois seria nessa passagem, e somente nela, que as condições iriam ser criadas e dispostas para o que é em parte pudesse se levantar no que é completo. Preparação para que o reino de Jesus Cristo pudesse se estabelecer.

Destarte, a passagem foi tão somente que o Espírito, no seu longo calvário (Hegel), após, no Espiritualismo Histórico, galgando as suas etapas, das inferiores para as superiores, das mais simples para as mais complexas, totemismo, animismo, politeísmo, ter se revelado na figura de espírito do monoteísmo judaico e finalmente na figura de espírito do cristianismo, sim, o momento de Constantino não foi outra coisa senão que o Espírito, na busca incessante de sua completeza, de reaver a sua perfeição, começou então uma nova caminhada, agora na estrada do Materialismo Histórico, para que um dia, galgando as suas etapas, das inferiores para as superiores, das mais simples para as mais complexas, escravatura, feudalismo, capitalismo, pudesse então produzir o seu fruto puro, formando uma unidade com a sua flor pura, produzida na árvore do Espiritualismo Histórico, nesta unidade se achando, pois, a preparação para o Casamento do Cordeiro. Destarte, assim como na árvore do Espiritualismo Histórico primeiro ele criou o botão do judaísmo, para depois o abrir na flor pura do cristianismo, então ele, na árvore do Materialismo Histórico, iria então produzir o botão do marxismo e depois o abrir na flor pura do socialismo celestial. Em termos de ciência, iria se manifestar como fruto verde, que corresponde ao botão fechado do judaísmo, e depois como fruto maduro, que corresponde à flor aberta do cristianismo.

Ora, no primeiro momento, o momento espiritual-religioso do Espiritualismo Histórico, a Parúsia se deu em três momentos, o judaísmo (Moisés), os essênios (Hillel) e, após João Batista, finalmente o Filho de Deus, ela se manifestando majestosamente, sendo os essênios elo e ponte de ligação. No segundo momento, o momento material-político do Materialismo Histórico, o Espírito, em Parúsia, também iria se manifestar em três momentos: o marxismo (Marx, fruto verde), a Teologia da Libertação (Gustavo Gutierrez, fruto de vez), e, após..., finalmente o socialismo celestial, fruto maduro, que é novamente o Filho de Deus, agora se manifestando, não mais como Cordeiro sofredor, mas como Leão que é da tribo de Judá, sim, agora como Filho do homem vindo com as nuvens do céu com poder e grande glória.

É preciso este esclarecimento: como as boas novas de eternas são o momento sublime do nascimento da ciência, os seus enunciados são apresentados em bases científicas, mesmo que neste seu início trate-se de uma ciência incipiente, necessitando desenvolvimento, assim como ocorre com todo recém-nascido, ora, o momento terceiro da síntese se dá tanto de um lado indo para o outro como daquele que se foi para este que se vai. Em uma palavra, da tese indo para a síntese, mas passando pela antítese; e da antítese indo para a síntese, mas passando pela tese (visão corrente em Teilhard de Chardin). O que ocorre, por exemplo, com a menininha e o menininho que quando entram na puberdade então começam mutuamente a se convergir, com a paixão e o amor sendo despertados em ambos, na medida em que vão sendo despertados então a paixão e o amor conduzem um ao outro. Assim, pois, no momento da síntese temos então dois momentos convergencionais, a saber: da tese para a síntese: Cristianismo (Paulo) – Teologia da Libertação (Gustavo Gutierrez) – Socialismo Celestial (JESUS). Da antítese para a síntese: Marxismo (Marx) – Escola de Frankfurt (Horkheimer) – Socialismo Celestial (JESUS). Os extremos, que nasceram do Cristo da cruz, retornam novamente a ele, se encontrando e se reconhecendo osso do mesmo osso e carne da mesma carne na presença e mediação Dele, se reconciliando abundantemente entre si por se reconciliarem abundantemente Com Ele. (Ora, se o momento em que o Cristo da cruz, por meiose, tirou de si a igualdade espiritual e a plasmou nos humanos foi quando, no caminho de Damasco, reluziu sobre Saulo de Tarso, dando a ele uma nova consciência, a consciência espiritual do Reino, ora, o momento em que o Cristo da cruz, dando prosseguimento à meiose, tirou de si a igualdade material e a plasmou nos humanos foi quando, diante do veredicto da justiça prussiana, que condenou como ladrões aos camponeses pobres que haviam retirado lenha das florestas para aquecerem as suas casas contra o rigor do inverno, sim, foi neste momento, quando o jovem Carl Marx, judeu de família convertida ao protestantismo, analisando o veredicto da justiça prussiana e indignado com o mesmo, então na ocasião Jesus plasmou então no seu espírito a igualdade material. Era neste preciso momento que Marx descobria que a justiça prussiana não estava a serviço da justiça, mas, sim, a serviço de uma classe social, no caso a classe dos proprietários. E a luz intermitente de Jesus reluzindo em seu espírito, então foi mostrando para Marx que não só o judiciário, mas tudo o que se achava constituído, Igreja, Exército, Governo, eram classistas, cooperando entre si para este mesmo fim, a defesa dos proprietários, proprietários que eram eles mesmos, juízes, bispos, comandantes militares, governantes. Estava descoberto, pois, as causas que fazem na sociedade haver pobres e ricos, causas fixadas na propriedade ) (Mas o socialismo celestial não é o mesmo socialismo marxista. Esta descoberta em Marx foi das causas segundas e não as primeiras, que hão de ser buscadas e desentranhadas nos escaninhos do espírito, no pecado original) (Este plasmar de Jesus é a súbita iluminação de Agostinho, um ser vivo, vivíssimo, com propriedades, que, assim como a semente na terra, se instala na alma e vai se desenvolvendo, até o ponto de nascimento na mente, que é também o momento em que se acha apto para a reprodução). (Assim, pois, todo socialista o é pela presença de Jesus, que ilumina para ele a realidade social e política. Sem essa presença, trata-se de um alienado político)

Prosseguindo. É preciso este outro esclarecimento: o socialismo evolui da sua fase verde para a sua fase madura, na medida em que a essência da religião cristã, oculta em seu interior (Isaías 65; Mateus 25.40) começa a se desenvolver. Na medida em que a religião vai se manifestando no corpo do socialismo, inversamente e proporcionalmente o socialismo vai se livrando das suas imperfeições, até se levantar no que é perfeito, em Jesus Cristo, em que realmente todos têm segundo as suas necessidades, não as ditadas pelo interesse de uma ideologia, mas as ditadas por Deus no nascimento de cada um. (Assim, pois, a passagem do regime imperfeito do socialismo para o regime perfeito a que os marxistas chamam de comunismo se dá de modo completamente oposto ao que se acha prescrito na teoria. Não virá na razão inversa em que o ser humano se emancipou de toda e qualquer religião, de toda e qualquer transcendência, mas, pelo contrário, na medida em que o ser humano descobre que a religião é o complemento sublime da política. A política determina e norteia a economia à produção dos bens, mas quem determina e norteia o seu usufruto coletivo é a religião. Logo religião e política são consubstanciais).

Explicando melhor: quando a flor começa a murchar e a fenecer, caindo, nascendo no seu lugar o fruto, ora, o que murchou e caiu foram as pétalas, mas a essência da flor, o seu néctar, se passou para o fruto em nascimento, se ocultando no seu mais recôndito. De fato, e quando chega a estação do outono então o néctar da flor começa a se desenvolver e a fermentar, amolecendo a carne dura do fruto e lhe dando sabor, tornando-o apto para o consumo.

Pois é, o socialismo quando nasceu em Marx, o que em Marx morria eram as pétalas da religião, as suas fantasticidades, mas a essência pura da religião, o seu néctar, o amor ao próximo, o desejo de perfeição, era na verdade o alicerce sobre o qual o socialismo era construído, trazendo oculto no seu ser a essência sublime da religião (desse modo, todo marxista carrega oculto no seu ser essa essência sublime, que dia mais dia menos desabrochará em sua vida, ver Isaías 66.14; Mateus 25.40). E a verdade é que com a Teologia da Libertação, recebendo o aval do Concílio Vaticano II, João XXIII, foi o momento em que a essência religiosa começou a se desenvolver no interior do socialismo (mas também o momento em que o socialismo começou a se desenvolver no interior do cristianismo, como já foi falado acima). O fruto verde, amargo e duro do marxismo começava, pois, a ficar amarelo e a amolecer, até o momento em que se revelaria completamente amadurecido.

Com a Teologia da Libertação então foi o momento em que o fruto do socialismo se manifestou maduro? Não, mas de vez. É somente no socialismo celestial que o fruto do Reino se manifesta maduro, adocicado, saudável, pronto para o consumo, não destes ou daqueles, mas de todos, Teologia da Libertação, Carismáticos, Conservadores, Evangélicos, Socialistas.

Então esta é a verdade: na plenitude do Espiritualismo Histórico Jesus fez nascer a sua Eva, o cristianismo primitivo. Primeiro como judaísmo, Moisés, depois como cristianismo, Paulo. E na plenitude do Materialismo Histórico Jesus fez nascer o seu Adão. Primeiro como socialismo antropológico, Marx, e depois como socialismo celestial, o Filho de Deus agora se revelando como Filho do homem, não mais o Cordeiro sofredor, mas agora o Leão que é da tribo de Judá. Rei dos reis e Senhor dos senhores. (Esta fase ainda não nasceu, pois os homens ainda não acumularam fé para crer nela (Lucas 18.8), se achando, pois, ocupados com aquilo que se é pão é então o pão amanhecido e ressequido dos gibeonitas, que o prepararam para a sobrevivência. Todos esses fóruns sociais que passaram a acontecer na terra a partir de Porto Alegre são na verdade o grito da criatura oprimida. É o povo em busca da sua libertação. E quando esses fóruns sociais convergirem para o socialismo celestial é então neste momento que Deus respondeu ao grito da criatura oprimida. Até aqui não resultaram em um grande movimento de transformação social porque deixam a palavra final em mãos portadoras de idéias vencidas, desgastadas, que já cumpriram com sua missão histórica, não conseguindo dar vazão ao sonho de libertação das grandes massas. Mas as pessoas portadoras destas idéias, ao entrarem em contato com o socialismo celestial, serão as primeiras a perceberem isto, vendo no socialismo celestial a chegada de novas armas, que muito as ajudarão a ajudar a criatura oprimida. E elas mesmas, aproveitando o carinho e respeito que recebem da criatura oprimida, assim como João Batista, passarão a apontar para ela o caminho do socialismo celestial, com a criatura oprimida entrando no socialismo celestial sendo conduzida por elas, que irão na sua retaguarda com os seus bastões.



Constantino E Gorbatchov

Padre João, falei da importância de Constantino, de que após ele a Igreja se embrenhou no império, entre os bárbaros, a fim de procurar e encontrar o seu Adão, o que iria ocorrer no momento em que ela, passando pelas etapas da escravatura, feudalismo e capitalismo, avistasse então o socialismo. Neste momento ela iria então se livrar dos filhos da Assíria e dos filhos de Babilônia, todos eles vestidos de azul, prefeitos e magistrados, todos mancebo de cobiçar, cavaleiros montados a cavalos, para viver com aquele que é osso do seu osso e carne da sua carne (ver Ezequiel 23 sobre as duas irmãs Oolá e Oolibá).

Mas o inverso também iria ocorrer, e de fato tem principiado a ocorrer. A Revolução também iria ter o seu Constantino. Ela também iria entrar na estrada contrária, caminhando nela, galgando as suas etapas, procurando, procurando, até que finalmente encontraria a sua Eva, a sua outra cara-metade, a Igreja de Cristo Jesus. E se Constantino foi ponte pela qual a Igreja atravessou do outro lado, entrando na estrada do Materialismo Histórico a fim de encontrar o seu Adão, a verdade é que Gorbatchov tem sido a ponte por onde os marxistas atravessarão do outro lado, começando na estrada do Espiritualismo Histórico uma nova caminhada, galgando as suas etapas, totemismo, animismo, politeísmo, até que, passando pelo botão do judaísmo, encontre finalmente a sua Eva, a graça que Jesus tirou de si e a depositou em Paulo apóstolo e em todos aqueles cristãos que eram todos os dias arrastados para o martírio nas arenas romanas.

Quão importante na história da Redenção são Constantino e Gorbatchov! Passando por Constantino, a Igreja iria então, no seu longo calvário, chegar no Reino de Deus, no reino em que cada um busca a vantagem do próximo e não a sua (ICoríntios 10.24); passando por Gorbatchov, a Revolução iria, então, no seu longo calvário, chegar no Comunismo, no reino em que cada um tem segundo as suas necessidades, não as ditadas pelo imperfeito socialismo mas as ditadas por Deus no nascimento de cada um. Reino de Deus e Comunismo que não são outra coisa senão novamente Eva e Adão girando harmoniosamente em torno do Cristo da cruz, em torno Daquele que os deu e agora está chegando reclamando o que é seu.

A Festa de Casamento do Cordeiro

Estrada do Espiritualismo Histórico e estrada do Materialismo Histórico. O Absoluto transitando nas suas duas mãos, à maneira daquele que move o segredo do cofre para um lado e outro até que encontra o ponto que o abrirá, sim, assim foi o Absoluto, transitando nas duas estradas, nas duas vias da mesma estrada, passando por um passando por outro, acertando este removendo aquele, então iria chegar o dia em que iria concluir o seu trabalho sublime, finalmente colocando de frente, um olhando nos olhos do outro, a sua Eva e o seu Adão, completamente resgatados do seu longo calvário.

E neste dia então, Adão e Eva novamente juntos, e os dois novamente na presença de Deus, resgatados, na sua pureza primeva, se achando agora assim como no princípio da criação, então o Absoluto baterá palmas. E então o anjo que se acha ao lado da Arca do Pacto (Apocalipse 11.19) a abrirá e trará para fora, segurando nas suas duas mãos, a uma coroa régia. E a porá nas mãos do Absoluto. E então o Absoluto se virará para todos aqueles que dedicaram as suas vidas na defesa dos oprimidos pelo capitalismo e pelo poder do dinheiro e da ganância e lhes dirá: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois fiquei com fome, e vós me destes algo para comer; fiquei com sede, e vós me destes algo para beber. Eu era estranho, e vós me recebestes hospitaleiramente; estava nu, e vós me vestistes. Fiquei doente, e vós cuidastes de mim. Eu estava na prisão, e vós me visitastes". E após dizer isto, então colocará a coroa régia, em suas mãos, nas suas cabeças, cada um tendo uma coroa régia na sua cabeça, com as palavras: "Vós sois os reis que haveriam de reinar os mil anos e a eternidade sem fim com o Cristo. Tomem posse do Reino e entrem no gozo do vosso Senhor".

Ora, e quando o Absoluto acabar de dizer estas palavras, porque ele as dirá, então ele novamente baterá palmas (porque ele baterá). Então o anjo que se acha do outro lado da Arca (porque eram dois anjos, um deste e outro daquele da Arca) abrirá a tampa da Arca e com as duas mãos levantará a coroa régia e a porá nas mãos do Absoluto. Então o Absoluto se virará na direção daqueles que dedicaram as suas vidas, madrugando manhã após manhã, a orarem e a buscar a libertação dos escravizados pelas concupiscências da carne, dos escravizados pelos vícios e o desamor familiar, restaurando as suas vidas, os seus lares, sim, então o Absoluto se virará na sua direção e lhes dirá: "Vinde, benditos de meu Pai, e possuí por herança o reino vos preparado desde a fundação do mundo. Pois fiquei com fome, e vós me destes algo para comer; fiquei com sede, e vós me destes algo para beber. Eu era estranho, e vós me recebestes hospitaleiramente; estava nu, e vós me vestistes. Fiquei doente, e vós cuidastes de mim. Eu estava na prisão, e vós me visitastes" (Porque todos os conceitos possuem dois lados, de um lado há a fome por pão, o corpo clamado por seu alimento, e do outro há a fome por Deus, a alma clamando pelo seu alimento; há a sede pela água material, que alimenta o corpo, mas há a sede pela água espiritual, que alimenta a alma). E sucederá que quando o Absoluto acabar de dizer estas palavras (porque ele as dirá) então tomará a coroa régia em suas mãos e a colocará sobre as suas cabeças, cada um tendo uma coroa régia sobre a cabeça, com as palavras: "Vós sois os sacerdotes que haveriam de reinar os mil anos e a eternidade sem fim com o Cristo. Tomem posse do Reino e entrem no gozo do vosso Senhor".

__________________

_____________________________

__________________

Padre João, então creio mostrei a importância histórica da igreja constantinista, simplesmente a árvore do Reino. E foi nos seus galhos que surgiu a flor dos evangélicos-carismáticos e o fruto do marxismo-teologia da libertação. É da sua junção, do seu caldo, que se manifesta o governo do Reino de Deus, que há de fazer com que todos se sentem debaixo da sua videira, igualdade espiritual, evangélicos-carismáticos, e debaixo da figueira, igualdade material, socialistas-teologia da libertação, não havendo quem os faça tremer, pois a própria boca de Javé dos exércitos falou isso (Miquéias 4.4).

Eu diria que o quadro hoje é este: Eis o fruto do Reino! Por fora está a casca dos assim chamados conservadores, aqueles que são defensores da igreja constantinista e vêem nela uma continuação pura e simples do sacrifício na cruz, e por dentro está o seu fruto, agora se manifestando maduro no socialismo celestial. Rompamos, pois, a sua casca e apanhemos o seu fruto puro, Jesus de Nazaré! (a casca não se rompe, mas ela também amadurece, o que significa dizer que os assim chamados conservadores também vão reconhecer que Lutero, Marx e João XXIII eram Deus chegando com o reino de seu filho Jesus Cristo (e ele terá de voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais; para que eu realmente não venha e golpeia a terra, devotando-a à destruição).

Padre João, estamos no alvorecer de uma nova consciência. Precisamos pôr um fim a visões isoladas da Igreja, se como a Igreja de Cristo fosse isto ou aquilo. A Igreja de Cristo deva ser apreendida em totalidade, no seu devir. Trata-se de um processo dialético-histórico que ao seu final revelará o Cristo da cruz em toda a sua perfeição e plenitude. Bem como disse o apóstolo amado: porque o veremos assim como ele é. Destarte, um processo dialético-histórico que revelará o Cristo da cruz em toda a sua perfeição e plenitude, mas que também revelará os filhos e as filhas de Deus (e tereis de ver novamente a diferença entre o justo e o injusto, entre o que serve a Deus e o que não o serviu, Malaquias 3.18), sim, todos aqueles que lutam para a terra respirar o oxigênio da igualdade espiritual e material de Jesus, o respirar não por imposição, à maneira da lei, mas o respirar através da educação, de um educação que é amor e que alcança e agracia a todos indistintamente. A rigor, isto que vimos ultimamente, com os meios de comunicação trazendo pesquisa sobre os cristãos, em que mostraram tal porcentagem de católicos, tal porcentagem de evangélicos, apresentados como rivais, se contrapondo, isto está com os dias contados, pois em breve todos serão contados como Igreja de Cristo, isto é, quando todos deixarem de ser meninos em Jesus Cristo para serem adultos Nele.

Ele está chegando

Padre João, aqui está um profeta, e agora mesmo acabei de receber uma revelação de Deus para que assente neste escrito. Ora, o momento em que a Igreja, a partir do Concílio de Nicéia, foi elevada à condição de religião de Estado, na verdade foi que a Igreja se pôs em caminhada para encontrar o seu Adão, apartados um do outro desde o dia do pecado original, pela parede de separação levantada pela Serpente Original. E ela entrou na estrada certa. Mas teve de ir passando pelos bárbaros, e tendo as suas vestes, na caminhada, manchada pelo pecado (não guardou o seu vinhedo, aquele que era seu, Cantares 1.6). Mesclou-se com eles, se misturou com eles, viveu e se deitou com eles, tão bem visionado pelo profeta Ezequiel e por João apóstolo. Assim como uma mulher é passada de mão em mão, assim foi a Igreja. Até que um dia, depois de passar pelas etapas da escravatura, feudalismo e capitalismo, ela então, à distância, avistou o seu Adão, o socialismo. E quando o viu, imediatamente o reconheceu. A saudade bateu no peito. Mas Adão, quando a viu não a reconheceu. Ela estava com vestes rotas, manchadas pelo seu encontro com os bárbaros. E ela ficou irradiante, feliz, porque enfim encontrou o seu amado. Andara pelas ruas do Materialismo Histórico perguntando por ele: Vistes aquele a quem a minha alma tem amado? Assim que passei deles adiante – escravatura, feudalismo, capitalismo – então achei aquele a quem a minha alma tem amado, o socialismo. Segurei-o e não o larguei, até que o fiz entrar na casa de minha mãe e no quarto interior daquela que esteve grávida de mim...

O som do meu querido! Eis que este está chegando, escalando os montes, saltando sobre os morros. Meu querido se parece a uma gazela ou à cria dos veados. Eis que este está de pé atrás da nossa parede, espreitando pelas janelas, espiando pelas rótulas. Meu querido respondeu e me disse: "Levanta-te, companheira minha, minha bela, e vem. Pois eis que passou a própria estação chuvosa, acabou o próprio aguaceiro, ele se foi. As próprias flores apareceram na terra, chegou o próprio tempo da poda das vides e ouviu-se a voz da própria rola em nossa terra. Quanto à figueira, atingiu a cor madura para os seus figos temporãos; e as videiras estão em flor, tem dado a sua fragrância. Levanta-te, vem, ó companheira minha, minha bela, e vem. Ó minha pomba, nos retiros do rochedo, no esconderijo do caminho escarpado, mostra-me a tua forma, deixa-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é agradável e a tua forma é linda. Segurai para nós as raposas, as pequenas raposas que estragam os vinhedos, visto que os nossos vinhedos estão em flor. Meu querido é meu e eu sou dele. Ele pastoreia entre os lírios. Até a aragem do dia e até que tenham fugido as sombras, volta-te, ó meu querido; sê semelhante à gazela ou à cria dos veados sobre os montes de separação"