sexta-feira, 26 de abril de 2013


Santo Anastácio e as Imagens de Paz

No ano de 2002 Adamir Gerson foi inspirado pelo seu Deus para que fosse a Brasília e levasse um recado seu para um determinado político. Não tendo o encontrado, e informado que o mesmo estava no exterior, e que só voltaria dentro de dez dias, Adamir Gerson se viu num sério apuro. Porque só tinha o dinheiro da volta e não tinha como ficar dez dias em Brasília. Mas porque o seu Deus disse que era para entregar o trabalho nas mãos do referido político, então decidiu ficar em Brasília. Não encontrando vaga nos albergues da cidade finalmente encontrou um barraco abandonado entre o Diretório do PDT e o Congresso Nacional que por ocasião da morte do índio Galdino esteve barraco tinha sido incendiado. Sem dinheiro para comer, um pessoal do PDT fez uma vaquinha e angariou para ele trinta reais, o suficiente para os dias que passou em Brasília. E sucedeu, quando dormia no barraco em cima de uma tábua que viu por debaixo um monte de ratos pretos. E se lembrou de Francisco de Assis quando se achava moribundo em um lugar cercado de ratos. Tendo esperado o referido político e entregue em suas mãos o trabalho do Reino, então voltou para a sua cidade no interior paulista.

E quando voltou naquele início de maio, sintonizando a esmo seu rádio, eis que ouviu um locutor dizer, na Rádio Cultura de Santo Anastácio, que na quarta-feira próxima iria haver na Igreja matriz da cidade uma missa ecumênica.

Porque era forte nele a presença do espírito de Javé, que o impelia, eis que na quarta-feira Adamir Gerson se achava ocupando um banco da Igreja matriz de Santo Anastácio, cidade que se localiza cerca de quarenta quilômetros de Presidente Prudente.

O que sucede é que quando os ponteiros dos relógios se aproximavam das 20 horas eis que todos na Igreja se levantaram e começaram a olhar para trás, para a porta de entrada da Igreja. E Adamir Gerson também se levantou e começou a olhar para ver o que era. E eis que viu entrar na Igreja três jovens, cada um levando alçado um cartaz que juntos formavam a palavra paz. E logo atrás dos jovens eis que viu entrar três sacerdotes, e o ministro Sidnei, que estava no altar com o microfone e fora o locutor que anunciara na Rádio local, declinou os seus nomes. E eis que eram pastores Ari e Benedito, da Igreja Luterana e Assembléia de Deus respectivamente. E os dois ministros de Deus entraram na Igreja matriz de Santo Anastácio ladeando Monsenhor José Antônio.

A missa Adamir Gerson não pode assistir porque na Rodoviária ficou sabendo que a última Circular partia de Santo Anastácio para Presidente Prudente às 20:30 horas, mas nos dois dias seguintes pôde ouvir depoimentos dos dois homens de Deus, pois o Ministro Sidnei trouxe-os para o seu programa na Rádio Cultura, num dia Pastor Ari e no dia seguinte Pastor Benedito.

A missa, deveras, além de ter sido muito bela – pois Pastor Benedito, além do corpo ajudador próximo, também levou consigo o Coral da Igreja que com os seus hinos tradicionais encheu ainda mais aquele lugar divino de canto divino – também foi muito proveitoso, pois, deveras, os dois homens de Deus não se cansaram de dizer que uma experiência como aquela não podia sofrer corte de continuidade, pois revelavam para a sociedade que os cristãos podem e devem se unir, como condição de serem mais ainda úteis à sociedade.

Porque Adamir Gerson foi a Santo Anastácio e presenciou aquelas imagens, representantes dos três ramos do cristianismo ocidental entrando juntos na Igreja matriz de Santo Anastácio? Foi ali unicamente por ir ou porque levado pelo próprio Deus? Afinal, bastasse que naqueles segundos em que sintonizou a Rádio Cultura e ouviu o anúncio do Ministro Sidnei, sim, bastasse que naqueles segundos não o tivesse sintonizado e esta revelação não estaria vindo à tona agora.

Ora, sabemos que a Palavra de Deus diz de forma peremptória sobre um tempo em que a Terra passaria a estar sob o domínio político de Jesus Cristo (Apocalipse 11.15-18). E é muito certo que Jesus fará o seu domínio através do povo cristão. Mas, com o povo cristão dividido, Jesus fará o seu domínio? Ou ele, seguindo as pisadas de Ciro, que derrubou os muros de divisão que havia entre medos e persas, impedindo-os de se unir contra um inimigo comum, Babilônia, ora, Jesus como Ciro Maior, não cuidaria em fazer o mesmo com seus filhos católicos, protestantes e pentecostais? Derrubando entre eles os muros de inimizade e eles, agora simplesmente cristãos, tomando posição para se unir ao povo socialista, para, então, conquistarem Babilônia, a Grande, de modo toda humanidade ser liberta do seu jugo e retornar, livre, para o Paraíso de Deus? Para o Jardim do Éden, lugar de onde foi expulsa por causa da desobediência?

Ora, é certo que as imagens de pastores Ari e Benedito entrando na Igreja matriz de Santo Anastácio ladeando Monsenhor José Antônio representam a maturidade dos cristãos, que é como a maturidade Daquele que não obstante não haver tratos entre judeus e samaritanos, todavia ele transitava entre todos e tinha diálogo com todos. E a maturidade que levou pastores Ari e Benedito entrarem na Igreja matriz de Santo Anastácio ladeando Monsenhor José Antônio é a mesma maturidade que faz Pastor Benedito e Monsenhor José Antônio entrarem na Igreja Luterana ladeando Pastor Ari e faz Pastor Ari e Monsenhor José Antônio entrarem na Igreja Assembléia de Deus ladeando Pastor Benedito. Basta que haja o sopro divino e o chamado Daquele que se deixou morrer na cruz para que todos os muros de divisão fossem derrubados.

Bem, porque mesmo Adamir Gerson, tendo passado dez anos, está trazendo à lembrança aquela missa ecumênica que presenciou naquele ano de 2002 na cidade de Santo Anastácio? Não é que o próprio Deus está se mobilizando para formar a sua poderosa força política, e assim, e somente assim, resgatar os pobres do seu sofrimento? Porque a força política que aí está não se presta a isto, se prestando muito mais a conservar todo esse estado de coisas? Que tem conservado todo este estado de coisas porque o povo de Deus tem estado como os escravos hebreus no Egito, que no lugar de se unirem e lutar contra o rei do Egito, saindo do país e indo para o lugar que Deus lhe reservou, ao contrário, o que faziam era brigar entre si? Questões menores impediam de ver a questão maior? Que ao avistá-la, eis então esse quadro belíssimo que o Livro do Êxodo nos legou, centenas de milhares de corpos deixando as masmorras do Egito e, livres, tomando o rumo da terra da promessa?

Que os cristãos segurem agora nas mãos um do outro e juntos oremos a oração que Jesus nos ensinou: Pai nosso que está no céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feito a tua vontade, assim como é no céu que assim também seja na terra.

sábado, 20 de abril de 2013

Eu acuso esta geração de ter crucificado Cristo pela segunda vez


“Eu acuso esta geração de ter crucificado Jesus pela segunda vez”, William Marrion Branham, pregador norte-americano falecido no ano de 1965.

Esse William Marrion Branham foi claro quanto à sua missão: O meu ministério é o de João Batista. O que significa dizer que Branham tinha consciência de que sua missão era preparar o caminho para a vinda do Filho do homem. Tinha consciência de que imediatamente após ele viria o Filho do homem, que descreveu não como um evento cosmológico, cercado de aparência exterior (Lucas 17.20), mas manifestação em carne. O Filho do homem seria tão somente um humano carregado com as características de um profeta.

Consciente a isso, se manifestou William Soto Santiago, dizendo: “Eu sou! Eu sou aquele que Branham disse viria imediatamente após ele”.

Está na hora dos homens e mulheres de Deus, que tem o espírito, decidirem, entre William Soto Santiago e Adamir Gerson. Quem realmente é o verdadeiro! Sim, quem é esta figura messiânica descrita por William Marrion Branham: “Bom. Se eu pensasse que há uma denominação, ou, um grupo de crentes que tenha melhor que o que temos aqui... Irmãos! Eu desejaria me unir a este pequeno Corpo com Isso imediatamente. Eu sempre tenho crido, e pensado, que, talvez eu viva para ver esse dia, quando eu possa mudar; quando eu possa ver essa pessoa surgir em cena. Então eu poderia tomar a minha pequena igreja, e dizer: “IRMÃOS. ESTE É O HOMEM PELO QUAL TEMOS ESPERADO! ESTE É O HOMEM QUE TEMOS BUSCADO! Eu tenho esperado isso. E, se atualmente isso tem ocorrido, então eu estou esperando dizer daqui: “Irmãos. ESTE É O QUE BUSCAMOS!” Vindo daqui! Eu quero ver a Igreja mantendo-se nesta forma. (Extrato da Mensagem: PONDO-NOS AO LADO DE JESUS, por William Marrion Branham – 1 de junho de 1962, página 8, parágrafo 34.)

Lembrando que esse William Marrion Branham vaticinou a suma importância do ano de 1977, divisor de era. De fato, Adamir Gerson teve o seu encontro teofânico em 1978 ocasião em que passou a receber diretamente de Jesus o seu reinado eterno. Assim, pois, antes de 1978 o domínio do homem, depois de 1977 o domínio de Deus.

Lembrando também que William Marrion Branham pronunciou a célebre frase: eu acuso esta geração de ter assassinado Jesus pela segunda vez.

Aqui se mostra a diferença entre Branham e Adamir Gerson, a mesma havida entre Jesus e João Batista. Porque Deus deu a Branham a frase, mas a Adamir Gerson a explicação científica de como e do porquê desta geração ter crucificado Jesus pela segunda vez. Adamir Gerson descreve com clareza meridiana, e cartesiana, que a volta de Jesus se deu no corpo espiritual do socialismo, e tudo o que os homens fizeram com o socialismo estavam fazendo ao próprio Jesus. Abaixo segue trabalho esclarecedor ao extremo de tal. Que Deus os ilumine e os guie na leitura. Graça e paz.

A Volta de Jesus. Já veio. Fez novamente milagres. Foi novamente traído. Foi novamente assassinado. Mas em breve estará novamente ressuscitando

Muitos estão esperando a volta de Jesus, uns com a esperança de serem levados diretamente para as mansões celestes e outros na certeza de que este mundo vil irá ser subvertido para dar lugar ao novo mundo de Deus.

Como o novo Deus segreda aos seus profetas, cabe a Adamir Gerson levar esta grande mensagem, e os homens e mulheres de Deus certamente que não ficarão calados, mas se movimentarão no sentido de que tudo venha ganhar o grande público, que se permanece cochilando, os maus dominam, mas se acordam é um novo mundo que emerge.

Primeira Parte. No ano de 1818 o batista Guilherme Miller teve a revelação de que o tempo profético das duas mil e trezentas noitinhas e manhã, Daniel 8.14, iria se cumprir por volta do ano de 1843. Tendo tomado como base o decreto do rei Artaxerxes de permissão para a reconstrução de Jerusalém, que ele datou no ano de 457ª°, chegou, pois, ao ano de 1843.

Por doze anos Miller manteve em secreto a revelação, mas então a tornou público. Por causa de sua lógica, a verdade é que um número grande se seguidores se colocou ao lado de Miller. Em 1940 decidiram que tinham de sair a campo e chamar o povo ao arrependimento, sim, para o encontro glorioso com Jesus Cristo, que então se avizinhava, e eis que ele vinha para restaurar a terra.

Tendo marcado uma data para aquele ano de 1843 e Jesus não tendo voltado, então o movimento esfriou e pareceu cair em desgraça. Mas eis que um discípulo de Miller, Samuel Snow, descobrira que Miller partira da primavera de 457ªº quando deveria ter partido do outono. Tendo refeito os cálculos, então chegaram à conclusão que a data exata da volta de Jesus seria o dia 22 de outubro do ano seguinte, 1844.

Como Fênix, o movimento reacendeu novamente e agora com muito mais força pois entenderam que o erro primeiro foi na verdade Deus provando a sua fé. E uma multidão imensa, perto de quinhentas mil almas, agora se levanta na nova esperança. Inundam as ruas com panfletos, com chamados urgentes, e então no dia 22 de outubro os montes se acham repletos de pessoas vestidas de branco para se encontrar com Jesus.

A data passou e Jesus não veio e então todos ficaram prostrados ao chão. O próprio Miller se recolheu ao ostracismo, enquanto a maioria voltava aos seus afazeres diários.

Mas, passado cento e cinqüenta anos, em que em todo este período não faltou zombadores contra Miller, se divertindo por ele ter sido um “falso profeta” eis que surge uma revelação do próprio Deus sobre aqueles acontecimentos. E a revelação vem esmagando a todos que zombaram e ainda zombam de Guilherme Miller, com a explicação científica de que Miller realmente foi verdadeiro, um profeta nas mãos do Deus que não faz nada sem antes revelar aos seus escravos, os profetas.

De fato, naquele preciso momento Jesus estava mesmo voltando, não como eles esperavam, mas de um modo radicalmente diferente: através do jovem judeu protestante Karl Marx, então com vinte e poucos anos.

Vejamos: Miller teve a revelação no ano de 1818 e foi este o ano em que Marx nasceu. No período em que Miller e seus seguidores decidiram ganhar as ruas com o anúncio da volta de Jesus, entre os anos de 1840 e 1841, ora, foi este o período em que Marx recebeu a láurea de Doutor em Filosofia e começou a sua efervescência revolucionária. E os anos do grande clímax, 1843 e 1844, foram os anos em que Marx, após ter se casado e, como um novo Abraão, deixado casa, pais, parentes, pátria e se tornado peregrino no mundo, sim, foi nestes anos de 1843 e 1844 que Marx escreveu suas primeiras obras de vulto, A Questão Judaica, em 1843 e Manuscritos Econômicos-Filosóficos.

Podemos realmente afirmar que a volta de Jesus se deu mesmo com Marx? O que dizia Miller sobre a volta de Jesus? Que ele iria voltar e iniciar o processo da restauração da terra.

Ora, o processo da restauração da terra se acha no profeta Isaías, o seu conteúdo sublime: Pois eis que crio novos céus e uma nova terra; e não haverá recordação das coisas anteriores e nem subirão ao coração. E o profeta Isaías continua a sua descrição de como será esta nova terra. Veja como ele descreve o seu cotidiano: (...) E hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore; e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.

Ora, esta sociedade do Reino, restaurada, em que não há parasitas usufruindo do trabalho do próximo, teoricamente ela se manifestou pela primeira vez justamente naquele ano de 1844, ano de intensas expectações messiânicas, como conteúdo da obra Manuscritos Econômicos-Filosóficos.

Obs. A segunda parte abordará aquele momento em que Jesus, mais uma vez, fez o seu batismo e começou o seu ministério público, mais uma vez. Fez novamente os seus grandes milagres, foi novamente traído e novamente crucificado. PELOS MESMOS HOMENS! E a terceira parte aborda o momento glorioso da ressurreição, quando todos os homens e mulheres de boa vontade dirão, na força do espírito: É A PARÚSIA! Deixem meu corpo e minha alma se moverem em todos os seus caminhos!
O quadro completo é esse: PRIMEIRO MOMENTO. Guilherme Miller à Ellen White à ABRAÃO – KARL MARX. Tempo: 1818 – 1844.
SEGUNDO MOMENTO: Charles Tasse Russel à Joseph Rutheford àMOISÉS – LÊNIN. Tempo: 1870-1917.
TERCEIRO MOMENTO: William Marrion Branham à William Soto Santiago à FILHO DE DEUS – FILHO DO HOMEM. Tempo: 1978 – 2012.

“Tu ouviste. Observa tudo. Quanto a vós, não o contareis? Eu te fiz ouvir coisas novas do tempo atual, sim, coisas mantidas em reserva, que não conhecias. Terão de ser criadas no tempo atual e não desde aquele tempo, sim, coisas de que antes de hoje não ouvistes falar, para que não digas: Eis que eu já as conhecia” Isaías 48.6-7

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Jesus já veio. E se acha no meio de nós


A Volta de Jesus. Já veio. Fez novamente milagres. Foi novamente traído. Foi novamente assassinado. Mas em breve estará novamente ressuscitando

Muitos estão esperando a volta de Jesus, uns com a esperança de serem levados diretamente para as mansões celestes e outros na certeza de que este mundo vil irá ser subvertido para dar lugar ao novo mundo de Deus.

Como o novo Deus segreda aos seus profetas, cabe a Adamir Gerson levar esta grande mensagem, e os homens e mulheres de Deus certamente que não ficarão calados, mas se movimentarão no sentido de que tudo venha ganhar o grande público, que se permanece cochilando, os maus dominam, mas se acordam é um novo mundo que emerge.

Primeira Parte. No ano de 1818 o batista Guilherme Miller teve a revelação de que o tempo profético das duas mil e trezentas noitinhas e manhã, Daniel 8.14, iria se cumprir por volta do ano de 1843. Tendo tomado como base o decreto do rei Artaxerxes de permissão para a reconstrução de Jerusalém, que ele datou no ano de 457ª°, chegou, pois, ao ano de 1843.

Por doze anos Miller manteve em secreto a revelação, mas então a tornou público. Por causa de sua lógica, a verdade é que um número grande se seguidores se colocou ao lado de Miller. Em 1940 decidiram que tinham de sair a campo e chamar o povo ao arrependimento, sim, para o encontro glorioso com Jesus Cristo, que então se avizinhava, e eis que ele vinha para restaurar a terra.

Tendo marcado uma data para aquele ano de 1843 e Jesus não tendo voltado, então o movimento esfriou e pareceu cair em desgraça. Mas eis que um discípulo de Miller, Samuel Snow, descobrira que Miller partira da primavera de 457ªº quando deveria ter partido do outono. Tendo refeito os cálculos, então chegaram à conclusão que a data exata da volta de Jesus seria o dia 22 de outubro do ano seguinte, 1844.

Como Fênix, o movimento reacendeu novamente e agora com muito mais força pois entenderam que o erro primeiro foi na verdade Deus provando a sua fé. E uma multidão imensa, perto de quinhentas mil almas, agora se levanta na nova esperança. Inundam as ruas com panfletos, com chamados urgentes, e então no dia 22 de outubro os montes se acham repletos de pessoas vestidas de branco para se encontrar com Jesus.

A data passou e Jesus não veio e então todos ficaram prostrados ao chão. O próprio Miller se recolheu ao ostracismo, enquanto a maioria voltava aos seus afazeres diários.

Mas, passado cento e cinqüenta anos, em que em todo este período não faltou zombadores contra Miller, se divertindo por ele ter sido um “falso profeta” eis que surge uma revelação do próprio Deus sobre aqueles acontecimentos. E a revelação vem esmagando a todos que zombaram e ainda zombam de Guilherme Miller, com a explicação científica de que Miller realmente foi verdadeiro, um profeta nas mãos do Deus que não faz nada sem antes revelar aos seus escravos, os profetas.

De fato, naquele preciso momento Jesus estava mesmo voltando, não como eles esperavam, mas de um modo radicalmente diferente: através do jovem judeu protestante Karl Marx, então com vinte e poucos anos.

Vejamos: Miller teve a revelação no ano de 1818 e foi este o ano em que Marx nasceu. No período em que Miller e seus seguidores decidiram ganhar as ruas com o anúncio da volta de Jesus, entre os anos de 1840 e 1841, ora, foi este o período em que Marx recebeu a láurea de Doutor em Filosofia e começou a sua efervescência revolucionária. E os anos do grande clímax, 1843 e 1844, foram os anos em que Marx, após ter se casado e, como um novo Abraão, deixado casa, pais, parentes, pátria e se tornado peregrino no mundo, sim, foi nestes anos de 1843 e 1844 que Marx escreveu suas primeiras obras de vulto, A Questão Judaica, em 1843 e Manuscritos Econômicos-Filosóficos.

Podemos realmente afirmar que a volta de Jesus se deu mesmo com Marx? O que dizia Miller sobre a volta de Jesus? Que ele iria voltar e iniciar o processo da restauração da terra.

Ora, o processo da restauração da terra se acha no profeta Isaías, o seu conteúdo sublime: Pois eis que crio novos céus e uma nova terra; e não haverá recordação das coisas anteriores e nem subirão ao coração. E o profeta Isaías continua a sua descrição de como será esta nova terra. Veja como ele descreve o seu cotidiano: (...) E hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore; e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.

Ora, esta sociedade do Reino, restaurada, em que não há parasitas usufruindo do trabalho do próximo, teoricamente ela se manifestou pela primeira vez justamente naquele ano de 1844, ano de intensas expectações messiânicas, como conteúdo da obra Manuscritos Econômicos-Filosóficos.

“Tu ouviste. Observa tudo. Quanto a vós, não o contareis? Eu te fiz ouvir coisas novas do tempo atual, sim, coisas mantidas em reserva, que não conhecias. Terão de ser criadas no tempo atual e não desde aquele tempo, sim, coisas de que antes de hoje não ouvistes falar, para que não digas: Eis que eu já as conhecia” Isaías 48.6-7

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Nova Visão Teológico-Filosófica da História e da Redenção



A Humanidade Atravessando o Jordão Espiritual e Entrando na Manhã de Alegria do Milênio

"De todos os lugares vinham aos milhares; e em pouco tempo eram milhões. Invadindo ruas, campos e cidades espalhando amor aos corações. Em resposta o céu se iluminou; uma luz imensa apareceu. Tocaram forte os sinos, os sons eram divinos; a paz tão esperada aconteceu. Inimigos se abraçaram, e juntos festejaram, o bem maior, a paz, o amor e Deus", Guerra dos Meninos, Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Adamir Gerson tem lançado o chamado para que cristãos e marxistas realizem a travessia do Jordão espiritual. Ora, se irão atravessar o Jordão espiritual é porque anteriormente realizaram a travessia do Mar Vermelho espiritual. Cabe a Adamir Gerson como profeta do Altíssimo levar aos cristãos e aos marxistas esses esclarecimentos, a fim de que se posicionem para a maior das travessias do gênero humano, a do Jordão espiritual, que no livro do Apocalipse é aquele momento singular da História em que os reis da terra e seus exércitos são ajuntados para travar guerra com aquele que está sentado no cavalo e com o seu exército (1). Esses reis da terra são arquétipos dos reis de Canaã que assim que ouviram a notícia de que um povo escravo liberto do Egito acabara de atravessar o rio Jordão e vinha em sua direção, para desalojá-los, entraram em polvorosa e começaram a se juntar a um só para unanimemente travar guerra com Josué e com os que com ele estavam (2). E cabe a Adamir Gerson o esclarecimento porque, afinal, no fundamento tipológico houve um esforço extenuante por parte de Moisés para que aqueles que tinham conquistado alguma coisa no deserto não se apegassem tanto assim a elas, mas que olhassem para o outro lado do Jordão, para o lugar que Deus indicou realmente a Abraão. E finalmente, depois de muitas hesitações, aqueles que conquistaram alguma coisa no deserto consentiram a Moisés, deixando para trás as conquistas do deserto aos cuidados de suas esposas e de seus pequeninos e indo atravessar o Jordão na frente dos seus irmãos a fim de ajudá-los a conquistar também a sua herança. E verdade é que hoje não é diferente. Muitos estão de posse de conquistas do deserto, mas terão de olhar para o outro lado do Jordão espiritual, pois é do outro lado deste rio escatológico que se acham as moradas que Jesus um dia disse as iria preparar para os seus. É ali que se encontram moradas de paz, de justiça, de liberdade concreta em que cada um tem realmente segundo as suas necessidades.

A Igreja-Humanidade e o seu Mar Vermelho

A Igreja de Cristo teria realmente efetuado em sua caminhada a travessia do Mar Vermelho? Certamente que sim. E podemos dizer que naquele momento em que os cristãos deixaram a ilegalidade e foram levados à condição de religião oficial do Estado, ora, podemos dizer que naquele momento era que a Igreja de Cristo acabava de realizar a travessia do seu Mar Vermelho espiritual. Na morte e ressurreição de Jesus a Igreja de Cristo fora tirada das masmorras do Egito espiritual, e no seu sangue derramado, no sangue dos seus mártires que era derramado todos os dias, a Igreja de Cristo estava escapando e deixando para trás o Egito; e podemos dizer sim que o momento da convocação do Concílio de Nicéia, no ano de 325, por parte do imperador romano Constantino, que decidiu a sorte e os destinos dos cristãos, aquele foi o momento em que Deus partiu as águas do Mar Vermelho para que a sua Igreja pudesse atravessar do outro lado. E certamente que a reação dos sacerdotes pagãos, tentando impedir, foi aquele momento em que as forças de Faraó entraram no mar atrás do povo para se engalfinhar com ele, e o momento em que Teodósio, em 380, baniu o paganismo do império certamente que aquele foi o momento em que as forças de Faraó pereceram.

É certo que muito se tem ouvido que o Concílio de Nicéia não representou progresso para a Igreja de Cristo, mas retrocesso em sua existência.  Foi aceita pelo império porque capitulou e renunciou aos seus princípios mais caros conquistados no sacrifício da cruz. E a história da Igreja a partir de então, de íntima colaboração aos poderes políticos da terra, de reação a todos aqueles que quiseram retornar ao cristianismo da ilegalidade, estão aí para corroborar tal juízo.

Não resta a menor dúvida que quando se senta na cadeira de juiz do positivismo não tem como fugir e como negar isto. E um fato moderno vem comprovar tal juízo, o socialismo pós-Gorbatchov, que se apresenta aos olhos como um retorno ao capitalismo. De modo que para muitos, não só o povo evangélico, mas até mesmo setores da Teologia da Libertação, sentados na cadeira de juiz do positivismo, no Concílio de Nicéia a Igreja de Cristo de certa forma se paganizou. Retornou ao paganismo, como estaria acontecendo agora com países socialistas que teriam na verdade retornado ao capitalismo. Gorbatchov teria sido o reverso histórico de Constantino.

Mas, quando se senta na cadeira de juiz da metafísica começa a se ver o Concílio de Nicéia com outros olhos. A Igreja de Cristo fora parturiada no ventre do Espiritualismo Histórico. Como a sua flor mais pura. De modo que a Igreja de Cristo não representava e não portava a Redenção na sua totalidade. É verdade, a Redenção em sua totalidade estava em Jesus, mas no caminho de Damasco – porque aquele era o tempo teológico da História – Jesus depositou em Paulo a parcialidade da Redenção (ICoríntios 13.9), e guardou a outra metade para o tempo em que a História saísse do seu tempo teológico-espiritualista e adentrasse o seu tempo antropológico-materialista. Jesus depositou em Paulo a flor da igualdade espiritual, e guardou o fruto da igualdade material para o tempo futuro. No ventre do Espiritualismo Histórico, após longo calvário – animismo, totemismo, fetichismo, politeísmo – então Eva se libertou da alienação em que fora metida por causa do pecado original e começou o seu retorno ao Paraíso. Primeiro na figura de espírito do judaísmo, e depois na figura de espírito do cristianismo.

E é certo que Eva não representava a totalidade da Redenção. A totalidade da Redenção se achava no casal Eva-Adão. De modo que naquele momento em que Eva se libertou da alienação é certo que a partir de então começou para ela novo calvário, agora para encontrar Adão – ver livro Cantares de Salomão que parece estar descrevendo essa busca.

De modo que o Concílio de Nicéia foi o momento em que o Espírito, depois de na árvore do Espiritualismo Histórico ter produzido a sua flor mais pura, a Eva da religião cristã, ele iria, então, na árvore do Materialismo Histórico, produzir o seu Adão. E quando produzisse o seu Adão, ele iria, então, convergi-lo à sua Eva. E seria então o retorno glorioso do Paraíso, com a harmonia sendo então restaurada a todos os pólos contrários(3).

De fato, após o Concílio de Nicéia, em que a Igreja de Cristo se embrenhou no império, a se misturar com povos bárbaros, a se mesclar com eles, era aquele o momento em que começava o calvário do Espírito para produzir Adão.  O Adão da Comuna Primitiva se alienara completamente de si na escravatura, e quando a Igreja de Cristo se embrenhava no império o resultado deste cruzamento de corpos é que então se manifestava no lugar da escravatura o sistema do feudalismo. E o Espírito continuando no seu calvário então fez emergir o capitalismo e eis que finalmente emerge Adão. Primeiro na figura de espírito do socialismo marxista e depois na figura de espírito do socialismo celestial, aquele recapitulando e formando um par com a Igreja de Cristo quando se achava na figura de espírito do judaísmo e este recapitulando e formando um par com a Igreja de Cristo quando veio se achar na figura de espírito do cristianismo.

O Casamento do Cordeiro. A Palavra de Deus fala sobre o escatológico Casamento do Cordeiro – E ouvi o que era como o som duma grande multidão, e como o som de muitas águas, e como o som de fortes trovões. Disseram: Louvai a Jah, porque Javé, nosso Deus, o Todo-poderoso, tem começado a reinar. Alegremo-nos e estejamos cheios de alegria, e demos-lhe a glória, porque chegou o casamento do Cordeiro e a sua esposa já se preparou. Sim, foi-lhe concedido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro, pois o linho fino representa os atos justos dos santos. E ele me diz: Escreve: Felizes os convidados à refeição noturna do casamento do Cordeiro. Ele me diz também: Estas são as palavras verazes de Deus. Apocalipse 19.6-9.

O que seria esse Casamento do Cordeiro? Certamente que é o momento em que Adão, depois do longo calvário no ventre do Materialismo Histórico, então se revela na figura de espírito do socialismo celestial. Esgotado a figura de espírito do Marxismo, que, como já dito, é a outra face da figura de espírito do judaísmo, do qual também fez parte a Teologia da Libertação (4) e tendo então emergido a figura de espírito do socialismo celestial, então neste momento o Espírito prepara uma grande festa para realizar as Bodas do Cordeiro. Vai trazer um ao outro, Socialismo Celestial à Religião Cristã e Religião Cristã ao Socialismo Celestial, para que seja uma só carne e tenham um só espírito (João 10.16).

Bem, diferente do juízo positivista, podemos ver no Concílio de Nicéia um momento altamente positivo para a Igreja de Cristo?

Ora, podemos dizer que na morte e ressurreição de Jesus a bendita semente do Reino foi plantada no solo da Humanidade-História. E foi regada com o sangue do martírio cristão. De modo que o Concílio de Nicéia foi o momento em que a arvore do Reino emergiu na superfície da terra. Um verdinho na sua superfície. Uma pequena planta. E Teodósio banindo o paganismo do império com certeza foi aquele momento em que o Lavrador experiente toma as medidas necessárias para proteger da destruição das intempéries climáticas e de predadores a sua recém nascida plantinha.

E a plantinha se converteu em uma árvore. E veio crescendo, crescendo, e eis que botões começaram a aparecer nos seus galhos. Valdenses, Cataritas, John Wycliff, John Huss,  Jerônimo Savanarola. E finalmente chegou para ela a sua primavera. O seu tempo primaveril. E eis seus botões se abrindo em flores. Uma primeira flor, Lutero.  Muitas flores. Uma profusão de flores. Lutero, Filipe Melanchton, Calvino, Zwínglio, Guilherme Farel, John Knox...  

E se a arvore do Reino teve o seu inverno- primavera, com a sua exuberância de flores, a verdade é que ela iria ter também o seu verão-outono e a sua exuberância de frutos. De fato, a verdade é que na árvore do Reino começaram a surgir os frutos em botão. Os primeiros frutos em botão. Robert Owen, Charles Fourier, Saint- Simon, Proudhon. E eis que chegou para ela o seu outono. Os primeiros frutos maduros na árvore do Reino. Porque o fruto começa a nascer no interior da flor, a partir da flor, negando a flor, eis o primeiro fruto maduro na árvore do Reino, o judeu de família protestante Karl Marx. E logo é uma profusão de frutos maduros, Marx, Engels, Plekhanov, Lênin, Rosa Luxemburgo, Stálin, Mao, Ho Chi Minh, Fidel Castro, Che Guevara... 

E é fato que na árvore do Reino tudo iria se consumar com a sua colheita. Iria chegar o seu momento mais sublime, o da colheita, quando então seus frutos-flores seriam colhidos e em cestos levados para as casas, a fim de servirem como alimento espiritual e como alimento material. E a verdade é que se no primeiro e segundo momento houve botão e flor, com o botão se abrindo em flor – o botão dos valdenses, cataritas, John Wycliff, John Huss, Jerônimo Savanarola se abriram na flor de Lutero, Melanchton, Calvino, Zwínglio, Guilherme Farel, John Knox; o botão de Robert Owen, Charles Fourier, Saint-Simon, Proudhon se abriram na flor de Marx, Engels, Plekhanov, Lênin, Rosa Luxemburgo, Stálin, Mao, Fidel Castro, Che Guevara – a verdade é que no terceiro momento, o da colheita, as flores que então se abririam seriam precedidas de botão. Botões de colheita se manifestariam na árvore do Reino, que então iriam se abrir em flores.

E a colheita iria dar-se nas duas direções, da tese para a antítese e da antítese para a tese, sim, da Igreja-Eva para a Revolução-Adão e da Revolução-Adão para a Igreja-Eva. Haveria um duplo processo, todavia se convergindo. De fato, pelo lado da Revolução-Adão o botão da colheita que se manifestou foi mesmo a Escola de Frankfurt. Eis os botões de colheita pelo lado da Revolução-Adão, dentre muitos, Horkheimer, Ernst Bloch, Marcuse, Walter Benjamin, Adorno, Habermas, Gramsci. Pelo lado da Igreja-Eva o botão de colheita que se manifestou foi mesmo a Teologia da Libertação. Eis os botões de colheita pelo lado da Igreja-Eva, dentre muitos, Rubem Alves, Gustavo Gutierrez, Hugo Assmann, Richard Shaull, Jose Comblin, Jon Sobrino, Juan Luis Segundo, Leonardo Boff, Frei Beto, Paul Freston, Robinson Cavalcante, Ariovaldo Ramos.

Ora, como esse processo duplo era convergencional, a linha da Igreja-Eva cada vez  que crescia mais e mais se aproximava da linha Revolução-Adão, o mesmo ocorrendo com a linha Revolução-Adão que no crescimento mais e mais se aproximava da linha Igreja-Eva, ora, o fim último é que as duas realidades iriam dar lugar a uma única realidade. Revolução-Adão e Igreja-Eva iriam emergir em corpo único, não mais havendo entre si qualquer barreira de separação. O momento mesmo do completo restabelecimento do Paraíso usurpado pela Serpente Original. E essa realidade riquíssima, síntese das sínteses, trata-se do socialismo celestial, neste início contando já com três militantes, Adamir Gerson, Professor de Filosofia Lúcio Espírito Santo, de Bom Despacho, Minas, e o médico espiritualista Fausto Jaime, de Quirinópolis. Certamente que em breve será uma multidão professando a mesma fé.

A Revolução-Humanidade e o seu Mar Vermelho

Ora, se a Igreja efetuou a travessia do seu Mar Vermelho espiritual segundo toda a descrição que foi dada, é preciso agora descrever o momento da travessia do Mar Vermelho por parte da Revolução.

De fato, a Revolução começou a atravessar o seu Mar Vermelho espiritual na vitória contra as nações imperialistas que naquele ano de 1918 invadiram o território revolucionário para impedir a revolução e trazer o povo liberto de volta à escravidão do capitalismo.

Quer dizer, Lênin por tomar o lado dos oprimidos acabou indo para o exílio. Mas, naquele início do ano de 17 na queda do Czar, com o caminho ficando livre para a sua volta (Êxodo 4.19), então Lênin ouviu a notícia que era para voltar e assumir o comando da revolução verdadeira. E voltou, assumiu o comando da revolução, e finalmente libertou o povo de toda aquela opressão, conduzindo-o na direção do socialismo.

Mas, como no fundamento tipológico quando o povo escapou da casa dos escravos então Faraó reagiu, dizendo: Que é isto que fizemos, despedindo Israel de trabalhar como escravos para nós? De modo que aprontou suas forças militares e foi atrás do povo que escapara liberto para trazê-lo de volta, à escravidão do Egito (Êxodo 14.5-7), a verdade é que quando os revolucionários fizeram a revolução e principiavam a guiar o povo na direção do socialismo, as nações imperialistas reagiram imediatamente. E aprontaram as suas forças militares e invadiram a Rússia por todos os flancos para esmagar a revolução e trazer o povo liberto de volta à escravidão do capitalismo. Muitas nações naquele ano de 18 invadiram a Rússia. Ao todo quatorze nações, segundo os livros de História, mas segundo Paulo Francis, de Nova Yorque, foram vinte e uma nações, que naquele ano de 1918 invadiram a Rússia, de forma covarde, como ele mesmo disse arrastando os erres.

Mas, três anos depois todas elas foram derrotadas com o território revolucionário ficando completamente livre de nações invasoras. De modo que o povo revolucionário naqueles dias efetuou a travessia do seu Mar Vermelho espiritual, emergindo do outro lado e principiando então a sua caminhada no deserto, cercado de nações hostis e tendo de passar por escorpiões e cobras venenosas.

Ora, no fundamento tipológico o povo que escapara do Egito e atravessara o Mar Vermelho, caminhando no deserto, antes de atravessar o Jordão conquistaram um território à Ogue e à Síon, reis amorreus. E aquele território, que veio se chamar Gileade, Moisés o deu como herança às tribos de Rubem e Gade, e à meia tribo de Manassés. O que seria hoje Gileade, a conquista do deserto?

Podemos dizer sim que representa todas as conquistas que as forças de Javé realizaram, tanto no campo espiritual como no campo material. Protestantismo, Pentecostalismo, Renovação Carismática, Focolares, Conselho Mundial das Igrejas Cristãs, Teologia da Libertação, Sandinismo, Zapatismo, Cuba, Socialismo Real. Todas elas sem exceção pertencem àquilo que Paulo chamou de parcial (ICoríntios 13.9), mas que na travessia do Jordão espiritual, ao descobrir no outro o complemento que lhe falta e que o torna completo, o completo de que falou Paulo (I Coríntios 13.20), estarão então sendo feitas à imagem e semelhança do Cristo da cruz. Todas elas estarão então se apoderando de sua herança eterna, que se acha não antes, mas, depois do Jordão, Jesus de Nazaré. Todos aqueles que estão na linha espiritual – Protestantismo, Pentecostalismo, Renovação Carismática – e estão na linha material – Socialismo Real, Escola de Frankfurt, Teologia da Libertação – e reconhecem naqueles que estão na outra linha o fundamento que lhe falta e o torna completo, pode-se dizer que estes realmente se tornaram à semelhança do Cristo que se deixou morrer na cruz para que todas as paredes de separação fossem abolidas. Já não estão mais em Gileade, a conquista do deserto, mas no Reino de Deus, uns, e no Comunismo, outros. As duas linhas, Manassés e Efraim, Efraim e Manassés, realmente na Presença e Mediação do Cristo filho do Deus Vivo, fora do qual não há liberdade concreta e fora do qual não há reino em que se tem realmente segundo as suas necessidades.

“Deveras tomo hoje os céus e a terra por testemunhas contra vós de que pus diante de ti a vida e a morte, a benção e a invocação do mal; e tens de escolher a vida para ficar vivo, tu e tua descendência, amando a Javé, teu Deus, escutando a sua voz e apegando-te a ele; pois ele é a tua vida e a longura dos teus dias, para morares no solo de que Javé jurou aos teus antepassados Abraão, Isaque e Jacó (Sim, Marx, Engels e Plekhanov) que lhes havia de dar”

O chamado para a travessia do Jordão espiritual está sendo lançado a todos que estão nestas duas linhas de vida, a linha espiritual e a linha material que o profeta Habacuque viu saindo da mão de Jesus (Habacuque 3.4): irão fazer como os gileaditas que finalmente deram o consentimento a Moisés, deixando aos cuidados de suas esposas e de seus pequeninos as conquistas do deserto e, como os Valentes de Jah, indo atravessar o Jordão na frente de todo o povo a fim de ajudar seus irmãos a também conquistar a sua herança? A sua herança eterna chamada Jesus Cristo, que se hoje estão de posse delas todos os que estão nas duas linhas, por outro não estão os apegados a dinheiro, à propriedade, a poder, a domínio, a consumismo, à luxúria, a sensualismo, a luxo extravagante, e para estes, que são pobres de espírito, Jesus anseia tê-los também do seu lado? Pôr um fim à Serpente Original sim (Apocalipse 20), mas libertar do seu jugo todos aqueles que a alimentam e por ela são alimentados.

A História
(Quem tem estado ativo e tem feito isso, convocando as gerações desde o começo?), Isaías 41.4

Ora, como as boas novas do socialismo celestial é a manifestação da ciência, e a ciência tem por norma apresentar os seus enunciados de forma clara, inteligível (1), Adamir Gerson sente que precisa destrinchar essa questão histórica, apresentá-la com mais conteúdo de modo a boas novas ser convincente. Afinal diz a Palavra de Deus que se a trombeta tocar com som incerto quem se aprontará para a batalha? O que Adamir Gerson fará em seguida é literalmente afinar o instrumento, para que todos possam executar o seu concerto. (Lembrando que Hegel fez vaticínio sobre o nascimento da ciência e que seu nascimento seria como o de uma criança. Isto significa dizer que ela nasceria com o seu edifício de síntese não estando suficientemente solidificado. Como uma criança, nasceria necessitando de mãos para ajudá-la no seu crescimento, até que se tornasse ciência de fato, compacta nos seus enunciados e nos seus anúncios)

Prosseguindo. Bem, muitas são as escolas históricas, e agora os espíritos irão ter a oportunidade de conhecer mais uma escola histórica, a do socialismo celestial. E no presente trabalho a mesma será apresentada em resumo.

Bem, a História no socialismo celestial é apresentada como se desenvolvendo em três momentos, o teológico, o antropológico e o teopolicrato (teoantropológico). O teológico foi todo o período da humanidade até ao final da Idade Média, o antropológico foi todo o período que se iniciou com o Renascimento, e Adamir Gerson trata o início do pensamento teopolicrato (teoantropológico) precisamente no advento da Teologia Humanista, na primeira metade do século XX. Embora a Teologia tivesse efetuado uma virada antropológica em Tomás de Aquino, o que conta foi a virada antropológica que a Teologia fez na primeira metade do século XX, pois então o que se manifestou como Ser de Razão em Tomás de Aquino, se revelou como Ser Histórico em teólogos como Karl Rahner, Chenu, Rudolfo Bultmann, Jurgen Moltmann, Karl Barth, Tillich, Metz, Bardiaev (movimento real da Teologia-História) (Mas, o momento em que a Antropologia efetuou uma virada teológica, no seu movimento real, foi mesmo com a Escola de Frankfurt. De modo que virada antropológica e virada teológica representam o momento em que o Espírito, no seu longo calvário, então principiou a unificar a si mesmo, a fim de se revelar em toda a sua totalidade).

Estes três momentos na forma repetem a lei dos Três Estados de Comte. Não, porém, no conteúdo. Em Comte os três momentos são concebidos como estágios evolutivos, em que o seguinte possui mais conteúdo que o anterior, culminando que o terceiro estado, que Comte diz ser a manifestação da Ciência, o mesmo se tornou a medida de todas as coisas em relação a todo o seu passado. Gera uma euforia com o presente e um desconforto-nostalgia com o passado. A lei dos Três Estados não é assim nas boas novas do socialismo celestial. Ela é concebida na correnteza do hegelianismo. De modo que o primeiro momento, o teológico, é a tese, o segundo momento, o antropológico, a antítese, e o terceiro momento, teopolicrato ou científico, é tão somente a síntese dos dois momentos anteriores.

Certamente que a história concebida assim leva o espírito a reatar com o passado, a ver o seu ser como constituído de passado e presente, e carregando as potencialidades do futuro. Daí o homem e mulher, celestiais, vasculharem o passado da História para encontrar o que de perene ela produziu, e não simplesmente defenestrá-lo no conjunto de sua obra, como faria o homem e a mulher modernos. (Há cerca de oito anos um internauta assim reagiu em um grupo político do Orkut do qual Adamir Gerson participava: joga para fora do grupo esse nosso amigo pré-socrático que passa a noite revolvendo o lixo da história e de dia vem infectar-nos com o seu mau cheiro. Adamir Gerson guardou aquelas palavras e teve-as, não de um tolo, mas de alguém que estava aprendendo (um jovem) em escolas históricas que produzem um homem fragmentado revestindo um fragmento de totalidade. Em breve essas escolas históricas, esgotado a quota de sua participação no devir histórico, darão lugar a novas visões de mundo certamente que mais abrangentes, mais próximas de construir um homem realmente integral).

Bem, no caso acima relatado, do jovem que se indispôs com a forma de Adamir Gerson apresentar a História, o seu movimento, ao seu espírito um retrocesso puro e simples, se faz necessário gastar palavras para a sua correção. E a razão única da sua reação negativa é que a modernidade tem como certo e assunto encerrado (Apocalispe 6.14) que o antropologismo que se manifestou na História com e a partir do Renascimento o mesmo representou superação dialética. Trouxe superação para tudo que existiu antes. Comparando o passado à luz das novas ferramentas trazidas pela antropologia (que a passos largos foi sendo apoderada pela ideologia) o passado revela-se sem sentido. É como se o ano 1 da História do Homem tivesse feito o seu nascimento no século XIV, se engatinhado então e vivido a infância no Renascimento, adentrou o estado adolescente no Iluminismo e tornou-se adulto no Materialismo.

Mas, façamos a pergunta: o que se manifestou com e a partir do Renascimento realmente representou superação dialética, como é corrente no mundo acadêmico-intelectual? Que isto nunca aconteça!

O que de fato aconteceu foi negação dialética! Negação dialética é uma coisa, superação dialética, outra. As duas produzem conteúdos distintos, por conseguinte, visões de mundo diferente.

De fato, negação dialética significa que tudo que se manifestou com e após o Renascimento, seja lá o que for, tratou-se da outra face de tudo que a História tinha produzido na existência teológica. Como o movimento da Terra em torno do sol na estação do inverno-primavera  produz flores, mas as flores são a outra metade dos frutos que o movimento da Terra em torno do sol irá produzir quando estiver na estação do verão-outono, de igual modo os conceitos novos que surgiram com e a partir da renascença na verdade vieram completar os conceitos que então foram produzidos na existência teológica da História. Tais conceitos, elaborados na existência teológica e na existência antropológica, simplesmente o resultado do Absoluto em movimento, cujo movimento percorre um meio arco de 180 graus, negativos, e um meio arco de 180 graus, positivos. Movimento este que certamente não é linear, como estaria no positivismo de Comte, mas se dá dentro de um espaço curvo da História, que não somente produz a sua negação como, também, a sua síntese. Após produzir os dois meios arcos, negativos e positivos, ato contínuo o movimento do Absoluto irá mergulhar um no outro criando a síntese. 

Só um exemplo, a Antropologia não é superação da Teologia, mas, sim, A SUA OUTRA FACE E QUE A COMPLETA. Não é superação, mas, sim, complementação. Bem como a Teologia é a outra face da Antropologia e que a completa. Frases do tipo: religião não se mistura com política só tem sentido a uma mente que ainda não se emancipou intelectualmente, porque na verdade trata-se de duas metades que quando cada uma delas cresce e amadurece tende naturalmente para a outra (tudo o que sobe, converge, Teilhard de Chardin). Mutuamente se penetram.

A própria Sociologia padece desse vício. Embora a problemática social tenha causa dupla, material e espiritual, porque a realidade é em si material e espiritual, no entanto o seu filtro só consegue captar a problemática social de causa material, com a problemática de causa espiritual ela enfiando goela adentro de sua sociologia por insistir que ela também tem causa material. Só pode ter causa material, porque ela reduz tudo ao material (o que acontece com o Materialismo Dialético que reduz o cristianismo à categoria de superestrutura, desconhecendo a independência que o seu sistema tem em relação ao infra-estrutural. É também infra-estrutura. Destarte, não é um planeta girando em torno de uma estrela, mas, sim, uma estrela binária girando em torno de outra estrela. É justo reduzir a Cristandade ao conceito de superestrutura, não, porém, o Cristianismo) (É justo reduzir o óvulo à categoria de superestrutura biológica, tendo o espermatozóide como categoria de infra-estrutura? Pois isto faz Augusto Comte na sua Lei dos Três Estados, avalizado pelo Materialismo Dialético).

Mas tem um espaço sociológico que pertence só ao religioso. Ele combina psicologia e religião para a sua resolução. Por ser tese, certamente que o religioso também padece do mesmo vício, porque também reduz tudo ao espiritual. O seu filtro só capta a problemática social de causa espiritual. A problemática social de causa material ele enfia goela adentro de sua sociologia religiosa. O desempregado acaba sendo responsabilizado do seu desemprego, retirando a culpa de um sistema social iníquo que o produz. Sempre terá argumento para responsabilizar o desempregado, amorfo em relação ao sistema sócio-político em que vive. Inversamente proporcionalmente o sociólogo hodierno concebe a desestruturação familiar em causas materiais. Para ele a desestruturação familiar é proporcional aos graus de desenvolvimento do capitalismo. Se o capitalismo é concentrador de renda maior o número de famílias que se desestruturam; se é distribuidor de renda menor é o número de famílias que se desestruturam. E isto vale para toda a problemática social, o alcoolismo, os vícios, o suicídio, a mendicância, a inveja, o ódio, a briga, o adultério, a prostituição e etc.

Esclarecendo melhor essa questão: temos o conceito de adultério e prostituição. Para o sociólogo adjetivado, e aí se inclui o Sociólogo hodierno, fruto das ciências sociais, e o Sacerdote, fruto da religião, tanto um como outro reduz os dois conceitos a uma única causa. Adultério-Prostituição é resultado de causas espirituais, segundo uns, e de causas materiais, segundo outros. Porém, a verdade é que adultério é o resultado de causas unicamente espirituais, ao passo que prostituição o resultado de causas puramente materiais. Donde para a resolução deste problema em sua totalidade se exige a combinação da ação religiosa com a ação política. Este se incumbe daquele, e aquele se incumbe deste, de modo nada escapar ao seu ângulo de ação (3).

E é exatamente isto o vaticínio do profeta Miquéias: “E na parte final dos dias (...) realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Javé dos exércitos falou isso” (4.4) E foi isto que também visionou o profeta Zacarias: “Naquele dia, é a pronunciação de Javé dos exércitos, chamareis um ao outro, enquanto debaixo da videira e debaixo da figueira” (3.10).

Certamente que tanto o vaticínio de Miquéias como o de Zacarias estarão se cumprindo quando o Sacerdote passar a ter também a consciência do Sociólogo, e o Sociólogo a ter também a consciência do Sacerdote. As duas instâncias se imbricarem em uma com os seus dois olhos, dois faróis, vasculhando toda a realidade e nada ficando fora do seu ângulo de visão.

Ora, o que de fato aconteceu nos idos dos séculos XIV, XV e XVI, que fez nascer uma consciência que se indispôs com o passado, foi que o Espírito no seu longo calvário de retorno a si mesmo, na acepção hegeliana, ao percorrer os 180 graus negativos da História, o teológico e que foi a sua infância, por causa da curvatura da História, seguindo o espaço curvo da História, então, do outro lado, voltando, começou a percorrer e a produzir os 180 graus positivos, o antropológico e que foi a sua adolescência.

Mas, como essa passagem se dá no hegelianismo, tese e antítese, ora, o fenômeno da antítese para ter existência efetiva terá necessariamente que negar todo o seu passado. Ele irá construir a nova identidade justamente na negação da tese. Irá reconhecer a si naquilo que negou. Todo o seu psicologismo ativado informa-o de que é fenômeno novo, que está inaugurando e instaurando o novo. O que explica porque a consciência nova que surgiu com e a partir do Renascimento realizou uma ruptura com todo o passado. Para que os valores novos da Antropologia pudessem se estabelecer fez-se necessário negar os valores da Teologia. Para que o antropocentrismo se estabelecesse fez-se necessário a negação do teocentrismo.

Vejamos o adolescente: como surge o adolescente? Ele se firma negando o seu ser de infância. Uma virada de 180 graus, da dependência para a independência. No entanto quando esgota a fase adolescente e começa a entrar na fase adulta, ora, esta faze adulta que se manifesta não é outra coisa senão que o sujeito adolescente reconcilia-se com o sujeito infante. O sujeito adulto é a soma do sujeito infante com o sujeito adolescente. O sujeito adulto sabe os momentos certos em que é independente e sabe os momentos certos em que é dependente. Tem os dois em sua palma de mão.

É certo que tem muitos que estão dizendo: mas, quem disse que tudo o que surgiu após o Renascimento fez ruptura com o passado se o que caracterizou o Renascimento foi justamente um resgate do passado, presente na cultura greco-romana?

Sendo assim, é certo que tudo o que se manifestou com e a partir do Renascimento fez ruptura com o teológico e tudo que lhe diz respeito, tanto o que se achava no presente como o que se achou no passado, e procurando criar mecanismos para que não se manifestassem em algum tempo do futuro.

De fato, o que caracterizou o novo mundo que surgiu com e a partir do Renascimento, em todos os campos do saber, foi que concepções materialistas surgidas no passado e que ao longo da história foram preteridas ou por assim dizer hibernavam, de repente renasceram. Era como se fossem uma semente no coração da história que então fez o seu nascimento em uma arvore, que iria ser frondosa e dar os seus frutos. De modo que não é justo dizer que foi renascimento grego ou romano, mas de concepções materialistas presentes em suas culturas e que foram filtradas. Tanto é que a modernidade computou Aristóteles híbrido demais, que teria indevidamente agregado uma alma à matéria de Demócrito e Leucipo, com Aristóteles pouco diferindo de Platão.

Bem, como explicar esse renascimento greco-romano que se deu ao final do período da Idade Média? O que se deu na verdade é que estava em curso o desenvolvimento do conceito de renascimento. O renascimento que surgiu ao final da Idade Média já foi o segundo momento do conceito de renascimento. E certamente que a humanidade iria entrar em terceiro renascimento.

Quer dizer, no passado tivemos a confecção da Semente. E como a semente é composta de dois gametas, o feminino e o masculino, o gameta feminino da Semente foi o religioso manifestado no Egito; e o seu gameta masculino foi o materialista que então se manifestou na Grécia. E a semente propriamente dita, com os seus dois gametas, se manifestou em Israel. O sonho de Jacó, de uma escada que ligava a terra ao céu, por onde subiam e desciam anjos, ilustra bem a essência da cultura hebréia, ligada ao céu, ligada a terra, sem separação entre transcendência e imanência.

No que interessa, Adamir Gerson trabalha com o Egito de Akhenaton e a Grécia de Aristóteles, embora não tenha podido prescindir de Platão.

Podemos dizer que o período da Idade Média, de cerca de mil anos, teria sido um período do renascimento do Egito de Akhnaton? A excessiva preocupação religiosa, que tomou conta de boa parte da vida na Idade Média, é porque a religião tomou conta de boa parte do reinado de Akhnaton, que teria relegado as questões de Estado a um segundo plano? O fato da rainha Nefertiti não raro ter feito o papel de Faraó, tendo também se incumbido dos negócios do Estado, é porque a Igreja Católica no período da Idade Média não raro também exerceu o poder, se não diretamente, indiretamente, por quem nomeava ou coroava? O fato de Akhnaton ter sido um homem voltado às artes e à ciência esse espírito teria existido na Idade Média?

Podemos chamar o período da Idade Média de “renascimento egípcio (Akhenaton)-platônico”? Há elementos para isto?

O que temos são duas certezas: a primeira é que no século XIV, XV e XVI realmente foi um período de renascimento da cultura greco-romana, livrada de suas manifestações religiosas e metafísicas; e que a humanidade está prestes a experimentar em suas vidas o renascimento judaico-cristão. É possível que na Teologia da Libertação tenham surgido lampejos já deste renascimento, que seguramente inaugura o início do Milênio. O Milênio nasce com este renascimento, com homens como o profeta Isaías, totalmente desconhecido do mundo acadêmico-intelectual, começando a ser alvo de estudo e de interesse, pois se descobre que Isaías pode ter sido o maior intelecto que se manifestou na História. O próprio acontecimento do Êxodo, apenas um mito no universo acadêmico-intelectual, começaria a ser visto com outros olhos, que a sua narrativa foi antecipação profética e esconde a realidade da Revolução.

Novamente a História

Acima foi falado sobre o Espiritualismo Histórico, no ventre do qual foi elaborado a Religião Cristã, o ético emergindo sobre o amoral (e a reação transformou o amoral em imoral). Sim, a preocupação com o próximo emergindo no lugar da preocupação consigo. E também foi falado sobre o Materialismo Histórico no ventre do qual foi elaborado o Socialismo, o ético emergindo sobre o amoral. Sim, a preocupação com o próximo emergindo no lugar da preocupação consigo. (O capitalismo que nasceu com o protestantismo pertenceu ao amoral; mas na sua reação ao socialismo o que era amoral transformou-se no imoral. Já não há mais desculpas diante da nova revelação).

Eis o Espiritualismo Histórico, certamente que inacabado e faltando elementos que certamente aparecem em outros esquemas: MONOTEÍSMO PRIMITIVO (W. Schmidt) – animismo, totemismo, fetichismo, politeísmo, JUDAÍSMO, CRISTIANISMO, REINO DE DEUS
Eis o Materialismo Histórico: COMUNA PRIMITIVA (Karl Marx) – escravatura, feudalismo, capitalismo, SOCIALISMO UTÓPICO, SOCIALISMO CIENTÍFICO, COMUNISMO.

Espiritualismo Histórico. Tese. Materialismo Histórico. Antítese

Se no primeiro momento do Espiritualismo Histórico tivemos o antropólogo e padre alemão Wilhelm Schmidt sustentando que primitivamente a religião do homem foi monoteísta, com ele acreditando na existência de um único Deus, com morada no céu, um Deus criador do mundo e condutor dos destinos pessoais e históricos, mas por alguma razão esse monoteísmo primitivo se degenerou em religiões de estilo simples, animismo, totemismo, fetichismo, e finalmente o monoteísmo primitivo fez retorno em religiões como a cristã, e se no segundo momento, o Materialismo Histórico encontramos uma descrição parecida por parte de Karl Marx, primeiro de tudo o que houve foi um sistema social em que os homens viviam em igualdade, se respeitando, se ajudando, só depois o mesmo foi corrompido e surgiu no lugar formas de exploração de uns por outros, todavia a comuna primitiva fez retorno com o socialismo, ora, no terceiro momento, ao conceber a História, Adamir Gerson vai lançar mão dos mesmos recursos utilizados pelos alemães Wilhelm Schmidt e Karl Marx. Vai trabalhar com a idéia de Tese, de Alienação e de Desalienação.

E Adamir Gerson toma como ponto de partida a história de Adão e Eva como nela estando incluso tanto a história de Wilhelm Schmidt como a história de Marx. Em Adão e Eva reinam a harmonia espiritual e material. Há entre eles uma igualdade absoluta.  Neles liberdade gira em torno de igualdade e igualdade gira em torno de liberdade. O Paraíso Primitivo é o seu momento primeiro e ponto de partida. Toda a história posterior está indelevelmente ligada a ele como todo o desenvolvimento da planta está indelevelmente ligado à sua semente.

A verdade é que por causa do pecado original, aquela harmonia foi desfeita e uma história de brutalidade tomou conta do gênero humano. No entanto essa história de brutalidade era o calvário por onde Adão e Eva estavam retornando. No devir histórico iriam tomar consciência de si, e se encontrar novamente, com o conseqüente retorno do Paraíso.

Primeiro Momento. Teológico. Retorno de Eva
Moisés/Abraão (Judaísmo) à João Batista/Hillel (Essênios) à Paulo/Pedro (Cristianismo).

Segundo Momento. Antropológico. Retorno de Adão
Adam Smith/Ricardo (Materialismo Inglês) àProudon/Saint Simon (Materialismo Francês) à Karl Marx / Engels (Socialismo Científico)

Terceiro Momento. Teoantropológico. Encontro de Eva e Adão
No primeiro momento, após longo calvário – animismo, totemismo, fetichismo, politeísmo – Eva finalmente se desaliena e faz a sua libertação do calvário no Judaísmo. E porque as pálpebras de seus olhos estavam entreabertas, a sua consciência se apresentava opaca, começou novo calvário para encontrar-se a si mesma, o que se deu com a religião cristã. Com os olhos abertos e a consciência desembotada imediatamente ela se lembrou de Adão e uma saudade imensa tomou conta do seu ser. De modo que começou um novo calvário agora para encontrá-lo, encontro que se dará no Reino de Deus.

O segundo momento é uma repetição pura e simples do primeiro momento. Adão, depois de passar pela alienação – escravatura, feudalismo, capitalismo – então vence a sua resistência e se liberta no socialismo utópico. No entanto as suas pálpebras se acham entreabertas e a sua consciência se apresenta opaca. Começa então novo calvário para encontrar-se a si mesmo, que se dá no socialismo cientifico. Com os olhos abertos e a consciência clarificada, então lhe vem imediatamente lembrança de Eva. E uma saudade imensa invade todo o seu ser. De modo que começa novo calvário agora para encontrá-la, encontro que se dará no Comunismo.

Portanto no terceiro momento – teoantropolicrato – o que se dá é todo um processo para o encontro de Adão-Socialismo com Eva-Religião Cristã. Processo que se dá nas duas direções, de Adão-Socialismo para Eva-Religião Cristã e de Eva-Religião Cristã para Adão-Socialismo. Em três momentos evolutivos.

Calvário de Eva-Religião Cristã para encontrar Adão-Socialismo. Três Momentos

Primeiro Momento. Teologia Humanista. Karl Rhaner, Rodolfo Bultmann
Segundo Momento. Teologia da Libertação. Gustavo Gutierrez, Rubem Alves
Terceiro Momento. Socialismo Celestial (Paulo 50% Liberdade + Marx 50% Igualdade= 100% FRATERNIDADE (REINO DE DEUS REAL)

Calvário de Adão-Socialismo para encontrar Eva-Religião Cristã. Três Momentos

Primeiro Momento. Existencialismo. Soren Kierkegaard, Martin Heidegger
Segundo Momento. Socialismo Democrático-Frankfurtiano. Rosa Luxemburgo, Horkheimer
Terceiro Momento. Socialismo Celestial. Marx 50% Igualdade + Paulo 50% Liberdade= 100% FRATERNIDADE (COMUNISMO REAL).

É certo que os cristãos não fazem distinção entre Cristianismo e Reino de Deus, não raro confundindo os nomes como se fosse um só, e é certo que os marxistas não fazem distinção entre Socialismo e Comunismo, não raro confundindo os nomes como se fosse um só.

Mas os cristãos só entrarão no Reino de Deus se passar pelo Marxismo e apanhar ali a flor pura de sua materialidade. Estão na mesma condição de Jacó que para voltar para a sua terra natal teve de passar por Esaú. O mesmo se diz dos marxistas, que só entrarão no Comunismo se passar pelo Cristianismo e apanhar ali a flor pura de sua espiritualidade. De modo que o socialismo que caiu na União Soviética e no Leste Europeu não volta mais, porque é o Espírito em novo calvário para se levantar em nova figura de espírito, agora a figura de espírito do Comunismo. Do Comunismo que é gestado no esquema apresentado e está no espírito de Adamir Gerson. Destarte, aquelas populações terão de entrar na correnteza do Espiritualismo Histórico, e passar pelo seu calvário bruto – animismo, totemismo, fetichismo, politeísmo – emergindo na figura de espírito do Judaísmo. E deste emergir então na figura de espírito do Cristianismo, para finalmente chegar ao Comunismo. Não há Comunismo fora disto, como não há Reino de Deus fora do ventre do Materialismo Histórico, a tal ponto que cristãos ansiosos do Reino de Deus se embrenharam no Materialismo Histórico e, olhando no espelho refletor das suas ferramentas de ciências sociais, que busca as causas das desigualdades sociais principiando por modelos econômicos ancestrais, acabaram por descobrir nele a presença de Adão e de todo o seu calvário.