sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

PT, Partido dos Trabalhadores e o PAREPA, PArtido da REconstrução do PAraíso


PT, Partido dos Trabalhadores e o PAREPA, PArtido da REconstrução do PAraíso

No final da década de 70 a partir das gigantescas greves operárias que então ocorreram no ABC paulista, lideradas por Lula, se deu o nascimento de um novo partido político.

O PT, partido de esquerda, nascia diferente de todos os partidos de esquerda.

E a diferença fundamental é que o PT nascia fortemente influenciado pelas Cebs católicas. Ao contrário dos partidos comunistas tradicionais desligados por completo de religião e de transcendência, o PT tinha um núcleo forte que fazia política a partir de sua religiosidade. Mais do que isso, que buscava a inspiração para a libertação nas fontes de sua própria fé, em especial no relato do Êxodo. O Êxodo era um farol que iluminava toda a sua caminhada política e lhe dava a certeza de vitória sobre os Faraós modernos.

Ora, como o PT se formou da junção da militância cristã com a militância da esquerda tradicional, era de se esperar que se estivesse diante de uma aliança perene, duradoura, que fatalmente iria conquistar seus objetivos de libertação. A força da esquerda tradicional recebia um reforço de peso, a força cristã.

Mas não foi isso que presenciamos. Presenciamos sim pelo lado da militância cristã que tinha a militância da esquerda marxista como companheiros irmanados no mesmo objetivo. Unidos para construir um novo Brasil, fraterno, em que todos se reconheciam como irmãos. Mas a recíproca não aconteceu com a esquerda tradicional, ao menos com os seus elementos mais jovens.

Estes se sentiam incomodados pela presença das Cebs. Não pelas Cebs em si, mas pelos aspectos religiosos a partir dos quais embasavam a sua luta política. Olhavam para a militância das Cebs e os via como revolucionários contraditórios. Ao mesmo tempo em que lutavam para o fim do capitalismo conservavam aquilo que para esta militância marxista atéia era a alma que sustentava e dava vida ao capitalismo, a fé religiosa cristã.

E não tardou e começaram a se referir a eles de forma pejorativa e depreciativa: igrejeiros! E trabalhavam abertamente para impedir que os “igrejeiros” ocupassem espaços no PT. Que permanecessem, mas como cauda e não cabeça. E isto certamente que instigados pela presença nos seus espíritos do Materialismo Dialético.

Em uma palavra, Cebs e Esquerda Marxista no PT foram como água e óleo que estiveram juntas e não se misturaram.

Isto serve de reflexão para nós que estamos tendo a missão e a responsabilidade de criar um novo caminhar político. Porque na verdade vamos aprofundar o PT inicial, aprofundando ainda mais a aliança entre cristãos e marxistas. Não um encontro casual para um mútuo benefício transitório, mas porque estamos decididos na construção do Reino, e a sua construção exige fatalmente a convergência de cristãos e marxistas para estarem em corpo único. Aquilo que os cristãos chamam de Reino de Deus, e os marxistas de Comunismo, a sua manifestação se dá na razão inversa da união de cristianismo e marxismo. Como a vida só pode nascer da junção dos dois gametas, Reino de Deus e/ou Comunismo só podem nascer da junção de cristianismo e socialismo.

Deveras, temos a plena convicção que é nossa missão construir essa aliança que venha ser homogênea. E essa aliança no PT foi heterogênea. Mas no PAREPA com certeza será homogênea. No PAREPA cristãos e marxistas irão se reconhecer osso do mesmo osso e carne da mesma carne.

Pois que, ao contrário da Teologia da Libertação que não interferiu filosoficamente no espírito dos marxistas, não contestando a sua visão de mundo e não apontando a sua limitação epistemológica, se como fossem seres acabados, imutáveis, ou simplesmente achando que podiam levar adiante a luta pelo socialismo prescindindo dos marxistas, cujo ateísmo e materialismo era um estorvo num continente dominado pelo sagrado, ora, com certeza não será assim com o PAREPA. Por ter amor e interesse pelos marxistas, e por reconhecê-los patrimônio de Deus, e isto é muito importante, certamente que nós do PAREPA iremos interferir filosoficamente sim nos seus espíritos para modificar o seu ver e o seu agir. A começar que fazê-los reconhecer que o cristianismo é sim a outra face do socialismo. Aquele poderoso movimento dos cristãos primitivos, entrando em confronto com uma religiosidade destituída de qualquer poder de emancipação, de qualquer senso de emancipação, entregue a práticas religiosas que tinham o fator positivo de aliviar o seu sofrimento do dia a dia, e o poderoso movimento comunista, quase dois mil anos depois, em confronto com práticas políticas incapaz de qualquer emancipação, destituída  de qualquer senso de emancipação, os dois faziam sim parte de um mesmo e único processo de libertação, de uma libertação total, absoluta, sem brechas. E a verdade é que tem chegado o momento de cristãos e marxistas terem essa consciência, de que são frutos da mesma árvore.

Em uma palavra, na década de 60 surgiu o grupo político, “Cristãos pelo Socialismo”, e neste início de século XXI há de surgir os “Marxistas pelo Cristianismo”. Porque a práxis modificadora terá de ser dupla, nas duas direções (1). Não há emancipação com estas duas instâncias de vida separadas.

Antes de prosseguir é preciso o esclarecimento porque o PAREPA se interessa pelos marxistas e quer integrá-los na sua caminhada de libertação, ao contrário da Teologia da Libertação que mui provavelmente não viu a sua necessidade. O tenha reduzido a  números, que certamente seriam substituídos por número muitíssimo maior da nova militância.

Ora, na Palavra de Deus está assentado o aparecimento futuro de um povo paradoxal, que não iria dobrar o seu joelho diante de Deus, não iria invocar o seu nome como proteção, todavia seria este povo que faria a vontade de Deus. Isto se acha assentado em Isaías 65. E vale acrescentar que Jesus tomou esta profecia de Isaías e deu a ela revestimento maior, se dirigindo aos sacerdotes dos seus dias e lhes dizendo que o Reino de Deus lhes seria tirado e dado a uma nação que produzisse seus frutos (Mateus 25.43).

Bem, como os primeiros apóstolos de Jesus entenderam essa profecia de Isaías como se cumprindo com os gentios, as boas novas vieram aos judeus, mas eles rejeitaram, com ela sendo aceita pelos gentios, ora, na exegese celestial está profecia tem então duplo cumprimento, no tipo com os gentios, mas no antítipo com os marxistas. E uma vez que a profecia está a falar de um povo que fazia a vontade de Deus, obrava os frutos do Reino, sem, no entanto, ter conhecimento de Deus, ora, como que isto não se cumpriu com os gentios, que no período em que não conheciam a Deus também não faziam a sua vontade, mas se cumpriu sim com os marxistas, que no período em que não conheciam a Deus FAZIAM A VONTADE DE DEUS, então temos que afirmar que o foco da profecia se dirige aos marxistas e perifericamente aos gentios. Em uma palavra, se dirige aos gentios na forma E NÃO NO CONTEÚDO, se dirigindo aos marxistas TANTO NA FORMA COMO NO CONTEÚDO! E isto é tão certo que percebemos em Paulo um cuidado ao empregar a profecia de Isaías aos gentios. Tem a certeza quanto à forma, mas um pé atrás quanto ao conteúdo.

Acontece que tanto o profeta Isaías como Jesus deram desenlace à profecia. Isaías, depois de no capítulo 65 profetizar o aparecimento na História deste povo peculiar, paradoxal, no capítulo 66 verso 14 volta a falar sobre ele. E agora trás um novo momento, com o véu que mantinha este povo separado de Deus sendo removido e havendo uma plena reconciliação entre eles: “E certamente vereis, e vosso coração forçosamente exultará, e os vossos próprios ossos florescerão como a tenra relva. E a mão de Javé há de ser dada a conhecer aos seus servos, mas ele verberará realmente os seus inimigos. E Jesus, depois de no verso 43 do capítulo 21 de Mateus ser encontrado se dirigindo aos sacerdotes dos seus dias e lhes dizendo que o Reino de Deus seria tomado e dado a uma nação que produziria seus frutos, ora, mais na frente, no verso 40 de Mateus 25 encontramos agora Jesus em diálogo com este mesmo povo, procurando esclarecer que quando dedicavam o serviço aos pobres, sem que soubessem era a Jesus que faziam. E prossegue um diálogo altamente dialético entre Jesus e este povo, com Jesus se esforçando para fazer aflorar nas suas consciências de que não obstante o seu ateísmo, todavia foi um povo sim ao serviço de Deus e do seu Reino. (Esse diálogo entre Jesus e o povo marxista se acha em esboço na Teologia da Libertação, mas adquire clareza cartesiana no socialismo celestial).

Prosseguindo. Bem, porque mesmo foi dito que se na segunda metade do século passado surgiu entre os cristãos o grupo “Cristãos pelo Socialismo” temos dito que tem chegado o momento de também surgir o grupo, “Marxistas pelo Cristianismo”? Porque tem chegado o momento dos marxistas compreenderem claro como o dia que o reino da liberdade concreta em que cada um tem segundo as suas necessidades o mesmo só pode se manifestar a partir do cristianismo. Sem o cristianismo o que se tem é socialismo; com o cristianismo o que se tem é Comunismo. E o socialismo é apenas uma conquista temporária, mas o Comunismo a sua conquista é perene. O socialismo faz uma leitura das necessidades do estômago, orienta a sua práxis a partir do estômago e o estômago é o escopo último de suas esperanças. Mas a leitura do Comunismo é o coração. Faz leitura do coração, orienta a sua práxis a partir do coração e o coração é o escopo último de suas esperanças. (Lembrando que na filosofia celestial a passagem do socialismo para o Comunismo sofre um corte epistemológico espetacular. Essa realidade nova intuída como comunismo não é outra coisa senão que o Reino de Deus. E uma vez que esta mesma passagem também sofre o cristianismo, deixa de ser o que é para ser Reino de Deus (ICoríntios 13.10), logo a conversão dos marxistas não será para a Cristandade e tampouco para o Deus enformado e informado por ela, mas para o Reino de Deus, para o Deus desconhecido que havia de vir, com um novo nome (Apocalipse 1.4; 2.17). De modo que a conversão se dá em mão dupla, de cristãos e marxista para o Deus Verdadeiro. Para o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. E como a filosofia celestial endossa a visão transcendental de Pietro Ubaldi para quem a revolução franco-burguesa e a revolução russo-socialista são partes de um mesmo e único processo; em hipótese alguma o socialismo foi superação do capitalismo, visão do senso comum, mas do feudalismo surgiu uma bifurcação, dum lado o ramo do capitalismo e do outro o ramo do socialismo; e como se manifestaram como tese e antítese, e tese e antítese quando amadurecem, crescem, naturalmente se convergem, a se encontrar fatalmente no ponto ômega da síntese, e o que sela este encontro e reconciliação é que no processo de crescimento o que é acidental vai sendo descartado, ficando para trás, mas permanecendo o que é essencial, e o que é essencial, liberdade e igualdade, é o que verdadeiramente se encontram e se reconciliam, no Infinito, visão de Mestre Ekhart e Nicolau de Cusa, ora, o que Adamir Gerson está querendo dizer é que em termos de ciência essa conversão não está prometida e destinada só a um pólo da contradição, o marxista, mas também ao pólo do capitalismo. O fato do passado, em que aqueles que tinham propriedade vendiam-na e os valores se tornavam comum à comunidade primitiva, a ser usado por todos, conforme a necessidade de cada um, pela intervenção de Javé na História, isto voltará a ser uma realidade. Em uma palavra, o final da História, o Armagedom, não é entre forças inscritas na imanência, como muitos pensaram –  soviéticos contra americanos ou agora muçulmanos contra o ocidente, ou árabes contra Israel – mas é entre Javé e a Serpente Original. E na vitória de Javé contra a Serpente Original então o caminho ficou livre para a restauração do Paraíso.

Ora, a práxis da Ditadura do Proletariado surgiu justamente para suprir o lugar vago do cristianismo. O cristianismo foi prescindido de qualquer utilidade e removido do caminho da libertação. Quer dizer, as imensas massas trabalhadoras estavam destituídas da consciência do socialismo (o que levou Lênin a lançar a NEP e adiar o socialismo). Daí esse vazio ser contornado por uma práxis que chamamos de “Lei”, a Ditadura do Proletariado.

Em uma palavra, se tem socialismo ESPIRITUAL e se tem socialismo Material. O socialismo espiritual é a consciência do socialismo no espírito. É o amor que desabrocha para com o próximo de forma natural e espontânea. Destarte, o socialismo é uma realidade na vida da Igreja. Os membros da Igreja se relacionam em torno do socialismo. Uma moça se apaixona por um jovem e vice-versa e a questão social não é levada em conta. É levada em conta unicamente a questão do socialismo. De se estar de fato ligado Naquele que faz todos se sentirem iguais.

Mas é um socialismo espiritual, alheio ao mundo real. Interfere nos sujeitos que fazem parte da comunidade dos fiéis, mas não interfere nas relações objetiva da sociedade. Em uma palavra, indivíduos socialistas vivendo em um mundo não socialista. Praticam o socialismo com o que tem e não com o que tem a sociedade. Desconhece a questão dos modos de produção, da luta de classe, e etc.

Ora, era de se esperar que o socialismo científico de Marx nascesse a partir deste socialismo espiritual. Mesmo porque o antecessor socialismo utópico era claramente uma transição entre o socialismo espiritual cristão e o socialismo material marxista. O socialismo utópico era que o socialismo espiritual ensaiava deixar o gueto e se aventurar pela sociedade, a encarar as suas relações objetivas, as contradições de classe, e as transformar, com todo o seu relacionamento social sendo de acordo a sua essência espiritual.

Mas, porque o movimento se dá sempre na tríade hegeliana, tese, antítese e síntese, a verdade é que Marx teorizou o socialismo científico numa leitura direta da exploração capitalista. Como antítese. Não se interessou pelos cristãos que os viu de posse de uma visão desfigurada da realidade. Não entendeu que esta visão desfigurada era situação embrionária que trabalhada e desenvolvida ao extremo fatalmente produziria um socialismo modificador de toda realidade social e política. Os viu, destituído do olho dialético. Era aquilo e continuariam sendo aquilo. Não houve a compreensão de que se fecundasse nele a visão objetiva do socialismo eles iriam se acordar em nova figura de espírito de modo a modificar toda ordem objetiva estabelecida.

Ora, a verdade é que se o socialismo científico tivesse surgido como desenlace do socialismo espiritual jamais teria havido a Ditadura do Proletariado, e a violência revolucionária teria sido numa escala infinitamente menor. Sendo curto, Marx não foi o espermatozóide fecundando o óvulo para o nascimento da vida, mas foi o espermatozóide sendo construído, saindo do seu estado rudimentar, socialismo utópico, para o seu estado acabado, socialismo científico.

E tinha de ser assim. Primeiro, porque o movimento do Absoluto é na tríade hegeliana da tese, antítese e síntese. Move-se por negações e afirmações. Segundo, para o cumprimento das profecias. As profecias apontavam para o tempo escatológico uma punição dos ricos e dos opressores. Ora, para o seu cumprimento se necessitava fundamentalmente da Ditadura do Proletariado e da violência revolucionária. O nem a sua prata e nem o seu ouro os livrará no dia da ira de Javé (Sofonias 1) iriam ser cumpridos justamente e somente pela Ditadura do Proletariado.

Como para tudo há um tempo debaixo dos céus, a verdade é que tem chegado o tempo do espermatozoide fecundar o óvulo. De se construir o socialismo material a partir do socialismo espiritual. De cristianizar-paulinizar a sociedade. Sem Paulo a sociedade torna-se hedonista, com os espíritos entregues ao consumismo desenfreado. E predador. Sim, tem chegado o tempo do amor ao próximo ser despertado em todos os corações. E onde o amor ao próximo for despertado verdadeiramente, então semear o socialismo científico, isto é, o seu núcleo econômico resgatado do conjunto filosófico (o que acontece nas trompas de Falópio onde o espermatozoide ao penetrar o óvulo fica sem a cauda que lhe dava direção). Certamente nascerá um autêntico revolucionário do Reino.

Está havendo muita dificuldade em se expor com clareza tal questão. Mas aos poucos a sua compreensão irá aflorando.

Partamos para um fato concreto para se compreender a contento esta questão.

No ano de 1906 em Los Angeles, numa igreja metodista que tinha sido abandonada, nasceu o movimento pentecostal. Ao lado do movimento comunista, o maior movimento social do século XX. Hoje cerca de 400 milhões ao redor do mundo, cerca de 50 milhões no Brasil.
O movimento pentecostal foi um poderoso movimento religioso que nasceu aos pés de Joseph William Seymour, um negro filho de ex-escravos. Começou pequeno, poucas almas, e logo uma multidão se reunia naquele casarão que fora uma igreja metodista. Vindo de todas as partes de Los Angeles, até mesmo de regiões distantes dos Estados Unidos, ali se encontravam brancos e negros, pobres e ricos, lavadeiras negras e patroas brancas, mexicanos e asiáticos. E, não obstante estarem vivendo em uma sociedade com fortes barreiras raciais e sociais, todos ali, na mediação de Joseph Seymour, representante de Jesus, se abraçava e se reconheciam irmãos. Ali naquele templo todos se reconheciam iguais, e ninguém dizia ou se sentia ser mais que outros. Ali, imperava entre eles uma absoluta igualdade.

Como Marx reagiria frente àquela realidade espiritual? Que ali eles encontravam um consolo contra a realidade cruel do dia a dia. Não era uma forma de enfrentar os problemas, mas de fugir deles.

Do ponto de vista positivista isto é uma verdade. Ao voltar para suas casas e se inserir novamente no cotidiano toda aquela igualdade se esfumava. E a verdade é que Marx iria propor que eles abandonassem aquele templo e não se iludissem, procurando construir a igualdade na subversão da ordem política e social e instaurando no seu lugar a nova ordem do socialismo. Marx iria dizer que a energia que gastavam naquele templo era inútil, e o que teriam de fazer era usá-la para superar o capitalismo. Iria concluir que aqueles encontros naquele templo religioso não se orientavam no sentido de superar o capitalismo. Logo a sua igualdade era na verdade uma ilusão do espírito.

Aqui se acha um confronto do socialismo celestial com o socialismo marxista. A sua leitura do fenômeno é que ali se deu a manifestação do socialismo espiritual. Aquela era realmente uma igualdade, não era igualdade material, mas era igualdade espiritual. E que a construção do socialismo não se dá na razão inversa de sua eliminação e substituição de sua práxis – exigência marxista que enxerga e o entende uma deturpação do conceito de igualdade; uma mistificação que encobre a exploração capitalista e é entrave à construção do socialismo – mas, pelo contrário, a construção do socialismo tem de ser a partir daquela experiência de igualdade espiritual. Aqueles que se abraçavam e se reconheciam como irmãos, brancos e negros, pobres e ricos, lavadeiras negras e patroas brancas, mexicanos e asiáticos, recebendo em seus seres a fecundação do socialismo por certo que acabarão reconhecendo e compreendendo porque vivem em uma sociedade em que todos são desiguais. E o socialismo por certo florescerá neles. E não será mais socialismo, mas já Comunismo; não será mais cristianismo, mas já Reino de Deus.

Em uma palavra, como a vida nasce da junção dos dois gametas, o reino da igualdade só pode nascer da junção do socialismo com o cristianismo. Da junção da materialidade socialista com a espiritualidade cristã. Sem essa fecundação o Marxismo pode ter sucesso, mas se tiver pela frente uma realidade sócio-político-material que seja a feudal ou próximo dela. Onde o feudal se converteu no capitalismo não há qualquer futuro para o Marxismo. O capitalismo, por ser uma máquina de produção, para se sustentar cria mecanismos de distribuição. Racionaliza para sobreviver. De modo que numa existência assim, as armas do Marxismo para a construção de uma sociedade igualitária tornaram inócuas, perderam o sentido. É preciso nova Teoria. E ela procurará construir o reino da igualdade não partindo do econômico, mas do espiritual. Não do político, mas do religioso. A sociedade que não é tão carente assim do econômico, todavia o é do espiritual; e uma vez que ela se abriu e aceitou o espiritual as condições se acham propícias para o socialismo. Os seus seres espiritualizados entrarão em choque e conflito com a realidade capitalista, mesmo que seja distributivo. E no choque das idéias compreenderão que o que satisfaz os seus espíritos, seus novos espíritos, é o socialismo e não o capitalismo. E farão com ele o mesmo que aquelas massas fizeram com o socialismo do Leste naquele final da década de 90. Realidade alguma subsiste ao poder do espírito.

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