terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Nova Visão da História (Corrigido)

(*****5) A Nova Visão da História

“Quem tem estado ativo e tem feito isso, convocando as gerações desde o começo? (...) Quem é que contou alguma coisa desde o começo, para que a saibamos, ou dos tempos passados, para que digamos: Ele tem razão? (...) A tal ponto surpreenderá muitas nações. Por causa dele, reis fecharão a sua boca, pois verão realmente aquilo que não se lhes narrou e terão de dar sua consideração àquilo que não ouviram”, Profeta Isaías

No trabalho se acha a visão dos esquemas históricos do Materialismo Histórico e do Espiritualismo Histórico, bem como o esquema histórico de um pensador da Escola de Frankfurt, Ernst Bloch, sobre a relação do Cristianismo com o Socialismo. Todas estas visões são válidas; mas, não obstante, o leitor terá agora acesso a uma nova visão da História, muito mais abrangente, muito mais abarcadora dos fenômenos históricos libertadores, transcendendo os esquemas apresentados, indo muito além; não os negando, porém, senão que os integrando no seu novo sistema, com eles também sendo partes constitutivas de si. E o que vai agora ser revelado é com certeza os seus momentos que dizem respeito diretamente à libertação; que tem parte ativa na libertação, com os seus momentos remotos não sendo preciso a sua nomeação mesmo porque eles se acham tanto no Materialismo Histórico como no Espiritualismo Histórico.

Qual é, pois, o esquema da História segundo a filosofia celestial? Este novo pensar que vem se manifestando cujo corpo é composto de tudo o que de bom e verdadeiro foram produzidos ao longo dos tempos?

Ela tem, basicamente, três momentos distintos e evolutivos, e cada um destes momentos tem, por sua vez, também três momentos distintos e evolutivos. Trata-se de um processo altamente dialético, indo do mais simples ao mais complexo, e, ao final, porque o mesmo se move na tríade hegeliana da tese, antítese e síntese, então revelando toda a sua teia de complexificação. Eis o novo esquema da História:

PRIMEIRO MOMENTO – TESE: Abraão / Moisés (Judaísmo) – Hillel / João Batista (Essênios) – PAULO & PEDRO (CRISTIANISMO)

SEGUNDO MOMENTO – ANTÍTESE: Adam Smith / Ricardo (Materialismo Inglês) – Saint Simon / Proudhon (Materialismo Francês) – MARX & ENGELS (SOCIALISMO)

TERCEIRO MOMENTO

O Terceiro Momento é o de síntese. E ele será apresentado se como gêmeos vitelinos de sexo diferente, espiritualismo e materialismo, fecundados e gestados no ventre da História para um nascimento que está prestes a ser dar. Vamos a estes gêmeos vitelinos de sexo diferente.

TERCEIRO MOMENTO – SÍNTESE ESPIRITUALISTA: Primeiro Momento do TERCEIRO MOMENTO (Embrião): TEOLOGIA HUMANISTA (Carl Rahner / Rudolf Bultmann) – (Mas, Jurgen Moltmann, Richard Shaull, Johann Baptist Metz, José Comblin, são elos de transição do primeiro para o segundo momento) – Segundo Momento do TERCEIRO MOMENTO (Botão): TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO (Gustavo Gutierrez / Rubem Alves) – Terceiro Momento DO TERCEIRO MOMENTO (Nascimento do Ser): LIBERDADE – PAULO (Mas, Leonardo Boff Clodovis Boff Angélico Sândalo Paul Freston Robinson Cavalcante Ariovaldo Ramos = FREI BETO + PASTOR DAVI /// SANDINISMO, já é o momento em que o Espírito, subindo e convergindo para o seu ser-outra-metade, na busca da reconciliação do finito no Infinito, a sublimação de Mestre Ekhart e Teilhard de Chardin em Hegel Redivivo, está chegando e se aproximando do patamar IGUALDADE - MARX, pelos seus profetas mensageiros. É o momento em que a pomba da Parúsia, ainda invisível, na invisibilidade da Parúsia, começa a exercitar o bater das asas para o seu vôo nupcial, o Casamento do Cordeiro, e quando faz, batendo as suas asas, na medida em que vai se aproximando, mais e mais vai completando a sua transformação e metamorfose, até que quando chega e pousa a planta dos seus pés na terra seca, já visível, na visibilidade da Parúsia (Lucas 17.24), é tão somente PAULO – MARX! Que pelo esvaziamento de suas imperfeições (ICoríntios 13.9-10) (uma realidade cindida ou tendo apenas partes, por causa do pecado original, que preenche os espaços vazios, a imperfeição se acha ali presente) acabaram por se fazer expressão real da Luz! Expressão real da Vida! Destarte, tudo, absolutamente tudo, ficou para trás como os seus momentos histórico-constitutivos. Até mesmo o conjunto da obra elencado, Leonardo Boff Clodovis Boff Angélico Sândalo Paul Freston Robinson Cavalcante Ariovaldo Ramos = FREI BETO + PASTOR DAVI /// SANDINISMO, que é a Teoria-Ação do Reino no seu quase ser, que começa a ser neste ano de 2011, na força dos seus jovens e na força dos seus intelectuais, bem como na força dos seus homens e mulheres de fé, ao se completar exatos 33 anos em que Jesus começou a construir o Seu reino no jovem Gerson de então 25 anos, um operário iletrado, de raiz nordestina, naquele ano de 78, que queiram ou não será marco divisor da História. Antes deste ano de 78, até o ano de 77, o domínio daqueles que pela violência combateram a justiça e instauraram a injustiça e o domínio daqueles que pela violência combateram a injustiça e instauraram a justiça, mas, deste ano de 78 em diante, o domínio eterno d’Aquele que veio para que todos tivessem vida e vida em abundância, quer os que com violência combateram a justiça para instaurar a injustiça quer os que com violência combateram a injustiça para instaurar a justiça. E, porque a dialeticidade só existe no Criador (Gênesis 1.2), pois quê é função da dialética tão somente comunicar a novidade, à criatura, e não criá-la, que é obra da metafísica (no seu grande banquete Ele colocará porções no prato de Heráclito, mas cinco vezes mais no prato de Sócrates), de modo que a criatura não pode ir além senão aquém, porque foi dotada de memória para registrar o Devir como se lhe apresentou (As coisas escondidas pertencem a Javé, nosso Deus, mas as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos por tempo indefinido, para cumprirmos toda a palavra desta lei, Deuteronômio 29.29), e porque, por causa do pecado original, que introduziu o Mal na criação, que não tem assento na novidade oculta senão que na novidade revelada, lhe foi permitido este Assento, de modo que a novidade não se estabelece sem que entre em luta de morte e vença a Reação, que é libertação da criatura, a verdade é que o conjunto da obra elencado, Leonardo Boff Clodovis Boff Angélico Sândalo Paul Freston Robinson Cavalcante Ariovaldo Ramos = FREI BETO – PASTOR DAVI /// SANDINISMO, ao mesmo tempo em que representa o ponto mais avançado do Espírito e a sua mais alta excelência, por causa do pecado original, em presença na obra do Criador (Jó 1.6; Apocalipse 12.4), representa também o último refúgio da Serpente Original e é o último inimigo a ser vencido, de tal modo que quando este último inimigo for vencido, sem mais qualquer barreira de resistência, na sua mais completa liberdade, é então este o momento em que se acende a luz da Parúsia (Apocalipse 18; Lucas 17.24). Na sua derrota, na sua mais completa derrota, esvaziados de si (Miserável homem que eu sou! Quem me resgatará do corpo que é submetido a esta morte? (Romanos 7.17-24), sem mais nada para si senão que com as obras que os acompanham, é então que um corpo humilde e manso, como humilde e manso foi o corpo de João Batista, se fará presente, se apresentando como interlocutor-intérprete das palavras de Isaías, dizendo: E naquele dia certamente se dirá: Eis! Este é o nosso Deus. Pusemos nossa esperança nele, e ele nos salvará. Este é Javé. Pusemos nossa esperança nele. Jubilemos e alegremo-nos na salvação por ele. Dessa forma abrindo caminho para que as grandes massas nas avenidas d’ACidade, nas suas avenidas em tapete, cumprindo o sonho da jovem Joseane, possam dizer, com palmas em suas mãos: Bendito o que vem em nome do Senhor! (Certamente que o sábio entende as palavras de Isaías como referência não a uma pessoa que é Javé, mas, sim, que é Javé a obra que ela porta. Tem a sua marca, as suas impressões digitais). E a verdade é que este esvaziar-se de si, sem ter nada para si, e então exclamar: ó que homem miserável eu sou! Sim, esta obra libertadora Deus já começou a realizar com o conjunto da obra elencada, se apagando nela, com Clodovis Boff no ano de 2007, na questão do erro de princípio em que os pobres foram penalizados na perda da primazia do amor divino, e em Leonardo Boff no ano de 2010 ao colocar Lula e governo do PT numa altura que de modo algum corresponde ao que de fato o são, o que, dado o grau intelectual dos atores em presença e a moralidade-espiritualidade de que de fato são depositários http://anovateologiadalibertacao.blogspot.com/2010/09/o-aparecimento-do-verdadeiro.html, condenou a nação a longos anos de imobilismo político e a classe dominante e dominadora a longos anos de sossego político, destarte, adiou mesmo a libertação do povo pobre ao tempo de uma geração política, que finda quando os oprimidos descobrem, enfim, que com eles tiveram melhora, mas que sem eles poderiam estar muito mais melhor, como o povo russo conheceu melhora no Governo Provisório de Kerensky e cadetes, mas a libertação somente no governo de Lênin (que seja a sua recompensa o encobrimento eterno dos seus corpos pelas águas e pela terra que se fez lama que a fúria da natureza fez descer dos morros da região serrana do estado do Rio de Janeiro, engolindo os inocentes que ali estavam, mas que podiam estar em outro lugar, num outro lugar que Lula e PT eram para ter sido colocado).

Frei Beto e Pastor Davi. Ora, no ano de 94 Noubarus Gerson pondo um escrito nas mãos de Frei Beto, no centro de São Paulo, então Frei Beto, folheando e olhando para Noubarus Gerson, fez a ele a pergunta, já carregada de intenções afirmativas: Você é Josué? E no ano seguinte, em 95, se achando na presença de pastor Davi, batista e naquele ano presidente da Associação Evangélica do município de São Bernardo do Campo, então pastor Davi tendo folheado um escrito escatológico que ficou com ele por um dia, pois fora orientado por pastores Paulo e Marcos da pastoral universitária da Faculdade Metodista de São Bernardo do Campo que o procurasse, e o fez, deixando o escrito com sua secretária, pois não se achava presente, sim, então Pastor Davi, depois de levá-lo a um canto, então indagou dele sinceramente: não me negues e não me ocultes: Você é Jesus? (e ele não negou e não ocultou, mas disse: Não, mas sou aquele que haveria de iniciar o trabalho da restauração de todas as coisas, de modo todas as coisas vir a estar em Jesus e Jesus vir a estar em todas as coisas).

Por que Frei Beto e Pastor Davi tiveram uma reação assim? Porque representam o ponto mais elevado do Espírito, a sua mais alta excelência, além do qual não há mais nada senão a Parúsia? Quando viram aquele estranho à sua frente, o conteúdo do escrito que portava, e tiveram uma reação assim foi na verdade que no seu coração a criança da Parúsia (Apocalipse 12) saltou ansiando o nascimento? Que saltará e ansiará o nascimento na vida de todos os que são limpos de mão e puros de coração?

TERCEIRO MOMENTO – SÍNTESE MATERIALISTA: Primeiro Momento DO TERCEIRO MOMENTO (Embrião): EXISTENCIALISMO (Soren Kierkegaard / Friedrich Nietzsche) (Mas, Karl Jaspers, Gabriel Marcel, Heidegger, Paul Sartre, são elos de transição do primeiro para o segundo momento) – Segundo Momento DO TERCEIRO MOMENTO (Botão): SOCIALISMO DEMOCRÁTICO-FRANKFURTIANO (Rosa Luxemburgo / Horkheimer) – Terceiro Momento DO TERCEIRO MOMENTO (Nascimento do Ser) (IGUALDADE – MARX) (Mas, Ernst Bloch Roger Garaudy Marcuse Theodor Adorno Habermas Walter Benjamim = ANTONIO GRAMSCI + NORBERTO BOBBIO /// ZAPATISMO, são elos de transição e ligação do segundo para o terceiro momento, e representam o socialismo no seu momento de quase já Comunismo. Depois deles o que vem para o marxista é o reino da liberdade concreta, de modo que para onde irá o conjunto da obra elencada que parte do fundamento do Cristianismo, Leonardo Boff Clodovis Boff Angélico Sândalo Paul Freston Robinson Cavalcante Ariovaldo Ramos = FREI BETO + PASTOR DAVI ///SANDINISMO, é para lá que vai também o conjunto da obra elencada que parte do fundamento do Marxismo, de dois em dois, nos seus pares, a ocupar na Arca o lugar que o Novo Noé lhes determinar.

No que diz respeito a esse terceiro momento da Síntese, ora, como ele é a reconciliação e junção da tese e antítese em único corpo, então o processo da síntese se dará nas duas direções: do Cristianismo para o Socialismo e do Socialismo para o Cristianismo, um crescimento que não obstante o seu mútuo imbricamento, todavia as partes são independentes, como independentes são o homem e a mulher. Chegando ao Cristianismo, do seu referencial, é Reino de Deus. Paulo é o princípio feminino que amadureceu e reconheceu no fora de si Marx o princípio masculino que completa o seu ser. Mas, chegando ao Socialismo, do seu referencial, é Comunismo. Marx é o princípio masculino que amadureceu e reconheceu no fora de si Paulo o princípio feminino que completa o seu ser. Portanto, não há Reino de Deus e Comunismo fora deste processo; e o que se apresentar como sendo tal que seja anátema.

Ora, no que diz respeito a Roger Garaudy, é preciso trazer esclarecimentos que se tivesse tido ao seu tempo por certo que teria sido a ação para a teoria em Ernst Bloch. Como é do conhecimento Roger Garaudy, também da Escola de Frankfurt, ao contrário dos seus luminares que na sua abertura ao Transcendente e ao religioso tomaram decididamente o caminho do Cristianismo Roger Garudy, depois de caminhar por ele e não ter encontrada terra sob os pés acabou tomando o caminho do Islã, se convertendo e passando a ser muçulmano. È que para Garaudy a estrutura intrínseca do Cristianismo não dava vazão para o Marxismo senão que o alienava de sua essência. Mas, o Islã, não só por eleger o estado teocrático como síntese e mediador das instâncias políticas e religiosas, não tratar de forma separada o material e o espiritual senão que na sua relação indissolúvel como se manifesta no cotidiano, no dia a dia das pessoas, e por não condenar a violência ou apoiá-la aberta ou veladamente como instrumento de também propagação da fé, ora, Roger Garaudy enxergou no Islã o instrumento adequado para penetrar nas massas populares e a partir da imanência de sua religiosidade levantá-las para a revolução.

O que se observa, e com clareza, é que Roger Garaudy entendia o Marxismo como um ser estático e acabado, possuidor de uma essência que fazia dele o que era. Na sua imutabilidade, que acordo poderia haver entre ele e o cristianismo, essência tão distinta não obstante se perceber certos graus de parentesco?

Mas, o que Roger Garaudy não sabia é que o Marxismo na verdade carregava a sua negação que iria fazer dele inteiramente outro, como a negação que o judaísmo carregava fez dele inteiramente outro. O Marxismo era a Lei, mas carregava em oculto a negação da Graça. E quando ele se manifestasse em graça então tudo estava preparado para a sua união com o Cristianismo (Apocalipse 19.7-8). As massas populares por certo que iriam se levantar de sua inércia revolucionária, não para construir a Ditadura do Proletariado, mas para construir o socialismo, que pode se chegar a ele por metodologia inteiramente diversa, obrada no ventre desta síntese: o pode da Educação, que trás conhecimento, que é luz para o caminho, e o poder do Evangelho, que trás amor, que é luz para o caminho. Já não mais iria ser necessária a destruição das forças inimigas para a construção do socialismo senão que a sua transformação, pois quê o seu bastão de comando está agora nas mãos Daquele que teve o poder de suscitar a pedras filhos a Abraão, que vendiam as suas propriedades e repartiam os valores com toda a comunidade, possibilitando a todos terem segundo as suas necessidades.

Então, no lugar de ter feito opção pelo Islã, destoando de todos os seus pares, o que teria de ter feito era o aprofundamento da abertura do Marxismo ao transcendente e à religião, até o momento em que acabaria de chegar, fatalmente chegaria, ao Transcendente e à Religião, tendo deixado para trás, como conquista do deserto, ao transcendente e a religião da Escola de Frankfurt. E ali estava a resolução de todos os problemas sociais unicamente pelas ferramentas do amor, norteando à práxis revolucionária a conseguir seus objetivos escafuncando e tirando dos ricos e da classe rica filões potenciais e úteis à revolução, pelas suas margens, pelas suas beiradas, que levarão certamente todo o sistema a ruir-se sobre si mesmo.

E se Roger Garaudy tivesse tido uma visão dinâmica do Marxismo, portador de uma negação positiva (mas o capitalismo é a sua negação negativa), não teria jamais negado os horrores nazistas sobre o povo judeu, vendo aí tão somente uma construção psicológica rica de imagens que fundamentava e empurrava para a necessária criação do Estado de Israel. Mas, que fazer, se o espírito que se apagou em Clodovis Boff em 2007, com a carne falando e se expressando nos seus sofismas, também tinha de se apagar em todos eles, só assim, e somente assim, surgindo as condições reais para a construção do reino da liberdade concreta, em que cada um tem realmente segundo as suas necessidades, que não são só sociológicas, e ainda na mediação de uma ideologia que teve acesso ao lado claro da realidade e não ao seu lado oculto, mas ontológicas? Dadas por Deus no nascimento de cada um?

Zapatismo. No início do ano de 94 um grupo guerrilheiro ocupou diversas repartições públicas no estado pobre de Chiapas, México. Porque os guerrilheiros não tinham o objetivo de lutar contra o sistema senão que o de exigir melhorias para a população pobre do país, em especial os índios de Chiapas, e porque depois daquele episódio único pareceu que eles “depuseram as armas”, a verdade é que, mormente comunicado romântico e de humor, e o seu líder Subcomandante Marcos escondendo a sua identidade é a sua subscrição, o movimento zapatista tem adquirido conotação negativa entre as forças de esquerda. Sendo apenas visto como um grupo político reformista, sem projeto de transformação, sem intenções de aprofundar as contradições no interior da sociedade mexicana e levá-la a confrontos revolucionários com o poder estabelecido.

Isto é verdadeiro? Do ponto de vista positivista, que vê o aparente, o que se manifesta à retina, isto é verdadeiro. Mas o movimento zapatista deva ser visto com outros olhos, pelo viés filosófico.

Na verdade o movimento zapatista foi o resultado do Espírito em movimento de retorno a si mesmo. Na sua transformação de um extremo ao outro, do extremo da Lei para a Graça, do extremo da Ditadura do Proletariado para o extremo da Democracia de Jesus. Nesta cadeia, o movimento zapatista no México já foi o segundo momento, tendo sido o sandinista o seu primeiro momento, e o que está prestes a se manifestar no Brasil o seu terceiro momento.

Do que estou falando? Ora, tivemos na América não ianque a revolução cubana. E ela fez reviver as revoluções da velha Europa. Literalmente a russa. Foi leninista na tomada do poder, foi plekhanovista na introdução da NEP, e por fim foi stalinista. A revolução cubana seguiu este mesmo ideário da revolução russa.

Mas, a revolução russa trazia no seu ventre uma negação, que haveria de construir a igualdade no ventre da liberdade, de modo que nela liberdade e igualdade, que tanto na revolução russa como na francesa estiveram de costas, apartadas, em puro antagonismo, nesta nova revolução estariam juntos. Se relacionando, mutuamente se ajudando, de modo que a sua igualdade iria ser uma nova Igualdade, porque construída no ventre da liberdade, e a sua liberdade iria ser uma nova Liberdade, porque construída no ventre da igualdade. E como esta nova revolução iria ser construída no continente latino-americano, eis a revolução cubana, o reviver neste lado do mundo, da revolução russa.

Então veio o seu segundo momento, a revolução sandinista, que foi leninista, teve o momento da NEP russa, mas não foi stalinista. E como o stalinismo é corpo inseparável do leninismo, o leninismo se completa no stalinismo, e sem esta complementação a revolução se esvanece, se encaminhava para morrer na NEP que só não se deu porque salva pelo stalinismo, e onde não teve a complementação do stalinismo morreu, o caso da revolução portuguesa, mas também o caso da revolução sandinista.

Ora, se o Espírito estava em processo de transformação, indo de um extremo a outro extremo, tanto do extremo geográfico, da eurásia para a América Latina, como do extremo ideológico, da Ditadura do Proletariado para a Democracia de Jesus, e se na revolução sandinista já produzira uma nova figura de espírito, não só a revolução foi feita com a presença maciça dos cristãos como não foi stalinista, foi leninista, mas não stalinista, a verdade é que com os zapatistas o Espírito dá um novo salto de qualidade: vai deixar de ser também leninista! E certamente que na sua consumação, a se dar no país Brasil, não só não leninista e não só não stalinista, mas, pela primeira vez, na revolução, então o rosto de Jesus aparece no lugar do rosto de Marx. Uma nova autoridade!

Então o movimento zapatista deva ser visto com olhar metafísico e não mais positivista. O movimento zapatista não se trata de apenas um movimento reformista, interessado apenas em melhoria para o povo no interior do sistema, sem maiores implicações que estas. O movimento zapatista deva ser visto como o momento em que na revolução se dá a completa negação do leninismo. Uma nova tomada de consciência revolucionária, o momento mesmo em que o Espírito sai à sua procura.

Destarte, o leninismo, uma vanguarda revolucionária, que toma sobre si a responsabilidade da revolução, com a sua capacidade intelectual e a sua força suprindo toda a falta e fraqueza do proletariado, é isto que agora será contestado em benefício de uma nova práxis. Não se trata mais de uma vanguarda fazer a revolução em nome do povo e governar em nome do povo, mas, sim, do povo fazer a revolução e não mais ter governantes como seus representantes senão que eles mesmos são seus representantes. Não se trata mais de repetir uma prática que a experiência demonstrou que será catastrófica ao final. O edifício do socialismo foi construído sobre seu alicerce. Mas se sabe que pela qualidade do material empregado na construção da obra, e aí diz respeito ao seu embasamento teórico, quando no interior da obra se revelar novas necessidades será então que começarão a aparecer rachaduras. Certamente no edifício, mas também no alicerce, porque o material do conjunto da obra é o mesmo. De rachadura em rachadura chega um momento em que todo o edifício implode (não faltando aqueles que sairão a reunir seus cacos pensando com os cacos reconstruir toda a obra).

Pois é, é esta a visão do zapatismo, construir o socialismo na via tradicional do lenininismo, como muitos grupos estão empenhados, é ter a certeza de que o tempo revelará que todo esforço foi em vão. Tudo terá de novamente ser repetido, é um ciclo, se buscando Bode Expiatório – que não é o Bode – para legitimar o recomeço de tudo, como fazem estes grupos que querem construir o socialismo pela via tradicional do leninismo, que eles dizem única, justificando a sua luta para reconstruir o que ruiu apontando com o dedo indicador ora para Stálin, ora para Trotsky, mas nem um único se virando para Marx e dizendo, com o dedo indicador na posição de riste: FOI VOCÊ! Construímos a casa do socialismo conforme as medidas que você nos deu, e veio o vento dos descontentes e ele não suportou o peso do seu sapateado.

Então foi dito que o movimento zapatista está construindo o socialismo por novas armas, por via própria? Não, mas foi dito que ele representa o momento da tomada de consciência por parte da revolução que é preciso um novo existir revolucionário. A experiência amarga e que deixou marcas profundas forçou o Espírito a nova imaginação revolucionária. Detectou um ciclo a que está sujeito, e se pôs a contorná-lo, buscando alternativa. O movimento zapatista não pode construir o socialismo por esta via porque implica todo um trabalho para que os odres velhos sejam transformados em odres novos; e aí sim então deixar neles o vinho novo do socialismo. Um trabalho assim é missão do socialismo celestial, e tudo está preparado no país Brasil para que um trabalho assim aconteça. Dessa forma, do começo de tudo em Cuba, passando pela Nicaraguá sandinista e subindo ao estado Chiapas do sul do México, então tudo está preparado para a sua consumação no Brasil, berço deste novo existir revolucionário.

Que se manifesta já trazendo em si a marca do zapatismo. Só um exemplo, se os trabalhadores têm a capacidade de abrir estrada e construir sobre ela o asfalto, não tem também condições de gerenciar as praças de pedágio? E as praças de pedágio revertem o fluxo do dinheiro para os próprios usuários, pois são empregados ao longo da rodovia em benefício de todos, na construção de oficinas, postos de atendimento médico, e etc. E praça de pedágio agregada à praça de pedágio o resultado é a formação de uma única praça de pedágio, nas mãos dos trabalhadores, que, dessa forma, estão usufruindo plenamente do trabalho de suas próprias mãos, como vaticinou o profeta Isaías. O que vale para a praça de pedágio, como exemplo, vale para tudo na sociedade. E é esta a essência do zapatismo, não aguardar o fim do capitalismo ou trabalhar o seu fim para então construir a nova sociedade, mas construir a nova sociedade no seu interior, como quem constrói a casa nova dentro da casa velha, expulsando seus cômodos velhos até que a casa nova se tornou única.

E temos já à nossa frente uma preparação, estes milhões de rostos de brasileiros sem nome a se esconder atrás de uma máscara social, mas que de uma forma ou outra passaram a conhecer o poder do evangelho em suas vidas. Foram transformados espiritualmente ou ao menos ficaram sabendo que o Evangelho tem o poder de transformar os indivíduos; fazer com que abandonem os vícios, o desamor familiar, a futilidade, e assim sendo, disponibilizados como odres novos aptos a receber o vinho novo das boas Novas. O novo socialismo nasce das entranhas do Evangelho, ou nasce dele ou não nasce de modo algum. E é preciso que ele primeiro chegue aonde se forma e desenvolve a sua força intelectual, e estamos falando dos muitos centros de estudos teológicos espalhados Brasil afora. E destes às grandes massas que já foram transformadas espiritualmente e destas às grandes massas que ainda não experimentaram em suas vidas o poder que o Evangelho tem para fazer delas novas criaturas.

Democracia de Jesus. O que é Democracia de Jesus? Trata-se do resultado do desenvolvimento do Espírito e de estágio a que ele inexoravelmente ascende. A Democracia de Jesus tanto é a negação da Ditadura do Proletariado como a negação da democracia burguesa. Trata-se de um conceito que primeiro tem de se desenvolver nos inúmeros centros do ensino teológico espalhado país afora, para depois chegar ao povo cristão e deste para o resto da sociedade.

Ela é negação da Ditadura do Proletariado porque a força do seu poder se acha espalhado e disseminado pelas inúmeras organizações que então construiu em todo o país, que se relaciona entre si, se entrelaçam entre si, com o Estado sendo a expressão desta força e deste poder. É negação porque o socialismo é um bem não só para os trabalhadores oprimidos, mas para toda a sociedade; e que ele chega às pessoas, não depois de ter passado pelo Estado, mas chega ao Estado porque nasceu e passou pelas pessoas. Ele nasce nas pessoas, se forma e se sustenta nas pessoas, e depois, então, vai removendo todas as estruturas velhas de poder, como as cobras que trocam de peles, expelidas pela chegada da pele nova.

É mais ainda negação da democracia burguesa. Completa negação. Na democracia burguesa todos têm o direito da participação, mas porque feita de cartas marcadas, ao final somente os maus e espertos vencem; mas na Democracia de Jesus ao final que vence são sempre os honestos. Ela tem necessidade que toda forma de pensamento se manifeste, porque então a sociedade amadurecida, pela presença em todas as suas instâncias do Evangelho, saberá escolher o que lhe convém e o que não lhe convém.

O Sonho da Jovem Joseane. Ora, no ano de 2003, 2004, Noubarus Gerson se achava na igreja Obras do Espírito Santo, localizada no Jardim Guanabara desta cidade de Presidente Prudente. E estava ali para falar das boas novas para o seu dirigente, pastor Luis Baldez. E o que sucede é que quando estava ali, indo e vindo, eis que chegou uma jovem da igreja Nova Jerusalém por nome Joseane. E assim que se familiarizou com o lugar então Joseane narrou um sonho que tivera naqueles dias. Que sonho narrou? Narrou que viu uma grandíssima caminhada acontecendo no centro de Presidente Prudente. Uma multidão imensa, incalculável, caminhava do seu centro em direção ao Parque do Povo. E quando ia entrar no Parque do Povo eis que na sua boca de entrada uns clérigos se olhavam e se perguntavam: quem deu poder para estes fazerem isto? E a multidão finalmente entrou no Parque do Povo e foi se postar diante de um grande palanque ali armado ocupado por ministros da Palavra de Deus.

Narrando o sonho então dizia que a multidão que caminhava no centro da cidade era composta de católicos e de evangélicos, mas os católicos eram maioria; e quanto aos ministros da Palavra de Deus que ocupavam o Palanque eram pastores evangélicos e padres católicos. Mas os pastores evangélicos eram maioria.

O que sucede é que quando acabou de narrar o sonho então disse: o dia e o ano eu não sei, mas que esta caminhada vai acontecer nas avenidas de Presidente Prudente tenho certeza que sim, pois o sonho que tive foi muito claro. Pouco tempo depois retornou para a igreja Nova Jerusalém, todavia deixando a pergunta: o que foi fazer na igreja onde se achava o homem que Deus vem preparando para uma grande obra do Reino em cima da terra? Por ventura que foi enviada ali pelo Deus que não faz nada sem antes revelar aos seus escravos, os profetas? De modo que Deus tem mesmo uma grande obra para realizar na terra, e quando ela for realizada é para honra e glória do seu nome, pois a deu e a cumpriu?

E o que seria esta caminhada? Porque ventura que as novas forças políticas do Reino mostrarão a sua força para o mundo nas avenidas de Presidente Prudente, lugar onde tudo começou naquele ano de 78? Se o grande acontecimento da chegada de Lênin do exílio e o seu desembarque na estação Finlândia sendo recebido com um ramalhete de flores, e com holofotes, e com banda marcial, e pelo agitar de centenas e centenas de bandeiras vermelhas, todos esperançosos e confiantes de que Lênin estava chegando para livrá-los dos seus fardos, tal foi antítipo da chegada de Moisés do exílio de Midiã montado em um jumento para libertar os escravos hebreus e os conduzir libertos para Canaã, para o lugar que tempos antes Abraão creu seria de descanso de sua descendência peregrina, ora, como transcendendo a volta de Moisés a Palavra de Deus trás as imagens de Jesus entrando triunfalmente em Jerusalém montado em uma jumentinha, prefigurando de como seria a sua volta gloriosa, muito mais gloriosa do que a volta de Moisés, pois então seria a libertação da inteira humanidade e a sua condução para Canaã Celestial, a fim de ocupar as moradas eternas construídas pelo filho do carpinteiro, ora, não seria então que o sonho tido pela jovem Joseane e por ela narrado foi da festa deste retorno glorioso? Com milhares e milhares nas avenidas de Presidente Prudente, vindo de todas as partes do Brasil, com os seus tambores, batendo fortes os seus tambores, com as suas bandeiras, agitando fortes as suas bandeiras, com os seus cânticos, os mais belos cânticos, acenando e agitando para os homens e mulheres escolhidos por Deus para começar na terra o governo de seu filho Jesus, que, em cima do caminhão, acenam para as multidões... Plínio de Arruda Sampaio, Eduardo Suplicy, Cristovam Buarque, Marina Silva, e tantos e tantos homens e mulheres escolhidos por Deus para começar na terra o governo de seu filho Jesus, governo de paz e de sabedoria, que resolve as questões mais angustiantes, não com pedras na mão, mas com o dedo escrevendo no chão... E na frente deles, na frente de todos eles, jovens empurrando um carrinho, três jovens, da Assembléia de Deus, e os dois jovens ladeando um jovem da Igreja Católica... E em cima do carrinho um grande livro aberto e nas suas abas escrito palavras, deste lado a palavra EVANGELHO e daquele lado a palavra EDUCAÇÃO... E os jovens seguem pelas suas avenidas empurrando o carrinho com o livro em cima do seu dorso, mas, atrás deles, seis passos de três, seguem dois jovens em cima de cavalos brancos. Deste lado de cá segue um jovem levando no ombro uma grande bandeira branca, e do lado de lá um jovem levando no ombro uma grande bandeira vermelha. E eles seguem pelas suas avenidas rodando intermitentemente a bandeira nos seus ombros, de modo que se alternam as imagens nas suas faces. Ao rodar sobre suas mãos a bandeira branca eis as imagens de Francisco de Assis e de John Wesley, mas ao rodar a bandeira vermelha eis as imagens de Che Guevara e de João XXIII. E a multidão finalmente entra no Parque do Povo para fazer chover sobre a terra uma chuva de rosas, brancas e vermelhas, para aqueles que foram martirizados nos coliseus de Roma, mas também para aqueles que foram martirizados nos porões das ditaduras. E as suas pétalas brancas e vermelhas sobem aos céus e descem e cobrem o chão do Parque do Povo. E a multidão, a grande multidão vista em sonho pela jovem Joseane, as toma em suas mãos e delas faz uma só, no lugar das pétalas brancas e vermelhas então pétalas rosa... Da Rosa de Sarom... E as lança para o alto, e o seu perfume universal, levado na força do vento, então segue para as extremidades da terra, para todos os lugares, os seus lugares mais longínquos, com a semente da sua paz e da sua justiça sendo plantada em todos os corações, nascendo então novos céus, e uma nova terra, fraterna, solidária, em que há mais alegria em dar do que receber, em buscar, não a sua vantagem, mas a da outra pessoa (ICoríntios 10.24).

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