sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Questão do Conhecimento Científico

A QUESTÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Por volta do ano de 99 Adriano (1), naquele ano fazendo graduação em geografia pela Unesp de Presidente Prudente, assim que acabou de ter aula com o professor Bernardo Mançano, dirigente nacional do MST, veio ter com Noubarus Gerson, que se achava nas proximidades, expondo as boas novas. De modo que disse: "Putz! Tive uma aula massa com o professor Bernardo sobre o que é conhecimento científico."

Como naqueles dias Noubarus Gerson se achava absorto na disputa entre a subjetividade kantiana e a objetividade dos dogmáticos, longe de ser mundos incomunicáveis, a visão de ambos, na verdade a subjetividade kantiana uma ponte para a objetividade dos dogmáticos (a subjetividade kantiana não é outra coisa senão o Absoluto construindo as partes para, então, na sua completeza, no esgotamento de todas as suas possibilidades e potencialidades, então tudo se achar preparado para o nascimento e vôo do númeno, da coisa em si, passando pelas partes subjetivas e dando a elas a consciência da objetividade, fazendo-as se conscientizar de que não é o mundo que tem de girar em torno de si, se conformar e se adequar ao seu ritmo, mas, pelo contrário, são elas que devem girar em torno do mundo, se ajustar ao seu ritmo) (o trabalho deste sujeito subjetivo é algo assim como o fogo que vai aquecendo o metal e, assim, inconscientemente, o levando ao ponto de fusão. Algo assim como quem está construindo a estrada para o tráfego de veículos, bem assim como a nebulosa de Kant e Laplace, que no meio da caoticidade de corpos sem luz e sem direção, errantes, se chocando por espaço, então emerge a objetividade do sol, pouco a pouco dando a eles órbita e direção, deixando de mover seus corpos na pura subjetividade para os mover na pura objetividade), bem, a verdade é que quando Adriano lhe narrou a aula tida com o professor Bernardo e o seu conteúdo, por causa daquilo em que se achava absorto, lhe causou interesse o falado por Adriano. Querendo saber o que ensinou sobre o assunto, então ficou sabendo da boca do próprio Adriano que o ensinado foi que o conhecimento científico não pode conter relatividade. Tudo o que é relativo é a negação do conhecimento científico, e não pertence ao seu plano.

De imediato Noubarus Gerson percebeu que o conhecimento fora posto por Bernardo Mançano de ponta para baixo, a sua inversão. Destarte, o que ensinara era verdadeiro sim, desde que se trocasse o termo conhecimento científico pelo termo conhecimento ideológico (ou conhecimento positivista, não dialético).

Tendo chegado em casa, se pôs a fazer um escrito abordando a questão.

Bem, passou-se sete anos (este escrito deva ser do ano de 2002, 2003 mais ou menos) e Noubarus Gerson pouco se lembra do que escreveu. Por que está retornando a essa questão precisamente agora? Porque tem percebido que o responsável maior em as pessoas não compreenderem e não aceitarem o que ensina, bebendo em outras fontes, não raro fontes contaminadas e poluídas, é justamente a forma de conhecimento "científico" ensinado, não só pelo professor Bernardo Mançano, mas por todos os versado em epistemologia e em gnosiologia. Ela tem ofuscado as mentes e embotado os corações, as impedindo de ver a beleza e a verdade contidos no seu pensamento, não raro hipostatizando nele a mesquinhez dos seus sentimentos e a estreiteza das suas mentes, como foi o epíteto que dirigiu a ele um internauta de um grupo político: joga pra fora do grupo esse nosso amigo pré-socrático, que passa a noite revolvendo o lixo da história e de dia vem infectar o grupo com o mau cheiro dos seus restos (2) (o próprio professor em pauta, naqueles dias, dissera para uns estudantes: afastai-vos desse Noubarus Gerson (Nôubari na época); ele é um louco) (às vezes é necessário deixar de lado a ternura e lançar mão do hay que endurecerse, mesmo porque Deus castiga aos que ama, não por castigar, mas por premiar, pois tem chegado o tempo Dele dizer para todos que tem dedicado suas vidas (3) a estar ao lado daqueles que lutam pela posse da vida por lutarem pela posse da terra: Vinde, benditos de meu Pai, e possuí por herança os reino vos preparado desde a fundação do mundo... Mas para tanto é preciso ter as suas vestes positivistas (não dialéticos) trocadas pelas vestes de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são a justiça dos santos (Apocalipse 19.8). Portanto, o castigar é muito mais Deus removendo do corpo vestes transitórias para pôr no lugar as vestes eternais do seu filho Jesus (Gênesis 3.21; Daniel 2.44).

Prosseguindo. Bem, naquele dia em que Noubarus Gerson ouviu da boca do próprio Adriano o ensinado pelo professor Bernardo Mançano sobre conhecimento científico, de imediato começou a escrever a sua refutação. O que escreveu?

Pouco se lembra do que escreveu, mas se lembra que se ancorou em dois exemplos: o movimento da terra e o movimento das doenças.

Ora, na estação do inverno é verdadeiro você vestir blusão: mas, e quando chega a primavera o blusão não se achará em fragrante contradição? Estranho ao seu objeto? E a doença, quando adquire novo contorno, o remédio já não perde o efeito sobre ela, necessitando de refundação?

Assim, pois, o conhecimento científico não é nunca essa simploriedade exposta, mas é complexo, muitíssimo complexo, se achando à mercê do depende, que medeia e dá sempre o seu resultado, que é e sempre será um resultado relativo (pessoas assim tendem a ver no apóstolo Paulo (4) um ser extremamente contraditório. Afinal, ao seu olho positivista, uma pessoa que diz para um grupo que é da lei, para outro que é dos fracos, para outro que é sem lei, trata-se de uma pessoa contraditória. Nela não se acha presente o sim, sim, não, não. Mas Paulo era contraditório? Que isto nunca aconteça!).

Dado o conhecimento ser sempre uma relação do sujeito com o objeto, e dado o objeto ser mutante, nunca o sentido dado a ele por Heráclito mas o dado por Hegel, possui uma história, uma história que o fez, o desvelou, como diria Sócrates, por mais paradoxal que possa parecer o conhecimento científico é exatamente a soma das relatividades. É composto de partes relativas, não só ele, mas o próprio sujeito, que exerce transcendência sobre o objeto, sobre a totalidade dos seus momentos, assim como o bom médico sabe o remédio certo para aquele estágio da doença (mas o objeto também exerce transcendência sobre o sujeito, o transformando. Em uma palavra, tanto a dialética das coisas produz a dialética das idéias como a dialética das idéias produz a dialética das coisas, depende!).

Bem, o que é mesmo o conhecimento científico? É assim como o ouvido por Adriano?

O ouvido por Adriano trata-se do conhecimento positivista, não dialético, necessário e uma ponte para o conhecimento científico de fato, o metafísico, transcendendo e dominando as suas partes. O conhecimento positivista estabelece uma ligação essencial entre o blusão e a estação do inverno: o que passar disto seja anátema. E não resta a menor dúvida que esta sua formulação é mesmo científica (naquele preciso instante). Mas o conhecimento metafísico vai além. Sabe que essa relação científica é relativa. Quando a estação do inverno se converter na estação da primavera a sua relação se perdeu; tornou-se necessário uma nova indumentária, primaveril, para novamente restabelecer a relação perdida. Se o sujeito não tem essa consciência, de que é também mutante, tentará barrar com a mão o movimento da terra em torno do sol, se como tivesse a sensação de que a terra está sendo lançada para fora do sistema solar. É isto o que explica porque revoluções se tornam também repressoras, a perda de contato com o seu objeto, no caso a sociedade mutante.

O que foi falado serve de alerta para os marxistas. A revolução não é de modo algum esse objeto produzido pela mente positivista, algo estático, imexível (se lembram do Rogério Magri, defenestrado pelo mexível?). A revolução também pertence ao relativo (ela se relaciona com o Absoluto, e o marxista deve levar em conta isto, pois ele se relaciona com a revolução, e se o Absoluto se acha em transformação, produzindo a sua história, logo a revolução se acha em transformação, produzindo a sua história (e a história da revolução é que ela vai da lei para a graça, do rosto particular de Moisés, libertadora de um dos pólos da contradição, para o rosto universal de Jesus, libertadora dos pólos da contradição em presença, de modo que se no momento particular ela libertou os pobres por destruir os ricos (Sofonias), neste momento universal ela trabalhará a libertação dos pobres na libertação dos ricos (Isaías), sim, a História da revolução é que ela vai da necessária etapa da Ditadura do Proletariado para a necessária etapa da Democracia de Jesus). A mente marxista a conhece no seu tempo invernal; mas ela carrega também o seu tempo primaveril (assim como o tempo invernal do judaísmo se converteu no tempo primaveril do cristianismo), um tempo que está chegando para ela no socialismo celestial. Um outro tempo, um novo tempo, cujo muito dos conceitos marxistas se acharão estranhos a ela e ela estranha a eles. Assim como o Absoluto, na sua mudança exercendo pressão sobre a revolução (o que era, que é e que havia de vir se manifestando na sua nova figura de espírito, Apocalipse 1.8), por certo que a revolução há também de exercer pressão sobre todos os marxistas, com eles trocando a agora pesada indumentária do socialismo marxista pela indumentária do socialismo celestial, assim como ocorreu com Saulo de Tarso no caminho de Damasco e assim como ocorre com todos os comerciantes que esvaziam suas lojas de roupas invernais e vão aos que vendem roupas leves para as comprar e as pôr no lugar daquelas (Ide aos que o vendem, Mateus 25.9, sim, ide aos partidários do socialismo celestial).

Destarte, a revolução está aí, mas, apesar de não percebido, ela é anterior a como se acha aí. O que se acha aí se tratou do seu segundo momento, a partir da derrocada dos regimes do Leste já entrando no seu terceiro momento, que chega com o socialismo celestial. O seu primeiro momento foi o de Paulo apóstolo, revelador da igualdade espiritual, o respeito e amor pelo corpo que ama e gera a vida, o corpo da mulher, e o momento de Marx foi tão somente o seu segundo momento, revelador da igualdade material, o respeito e amor pelo corpo que trabalha e gera todas as riquezas, o corpo do trabalhador. A revolução, depois de no seu movimento de rotação ter produzido a noite e o dia, a paz e a justiça (leia-se cristianismo e socialismo), agora, no seu movimento de translação, há de arrastar todos os marxistas para dentro da essência cristã, bem como todos os cristãos para dentro da essência socialista. Os filhos de Marx e os filhos de Paulo hão de se reconciliar no Infinito que os produziu, o Cristo da cruz, que antes que os fizessem padecer o mesmo martírio (Apocalipse 6.9-11) o padeceu primeiro.

O que significa dizer que o dito vale também para os cristãos. Deve também servir de alerta para os cristãos. A Igreja é muito mais do que se apresenta a nós. Como a conhecemos ela é apenas o seu primeiro momento, o seu momento espiritual, mas ela também possui um segundo momento, o socialismo, que é o seu momento material. Ela deve ter essa consciência, pois tem chegado o tempo dos seus filhos chamarem uns aos outros para estarem debaixo da videira e debaixo da figueira, não havendo mais quem os faça tremer (Zacarias 3.10; Miquéias 4.4).

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